Ecclesia (24 jun)

Ecclesia (24 jun)

Portugal: Igreja Católica tem sido «voz de todos os problemas» da comunidade cigana

Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos é um dos exemplos dessa presença e acompanhamento

O diretor-executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC), no Dia Nacional das Comunidades Ciganas, disse que “os problemas dos ciganos são mais do que muitos”, considerando que têm de ser “os protagonistas” da mudança e porta-vozes da sua própria evolução, a solução dos seus problemas. No Dia Nacional das Comunidades Ciganas, Francisco Monteiro (FM) acrescentou que” têm sido feitos alguns progressos”.

Em declarações à Agência Ecclesia, FM disse que a Igreja parte do princípio de que estar com as pessoas e os ciganos “têm problemas enormes de exclusão, de anticiganismo e discriminação”. “Eles têm de organizar-se, evoluir em muitos aspetos, e isso é um trabalho lento, estamos diariamente com eles, ajudando, dando ideias, tentando resolver os problemas que podemos, insistindo com o Governo. São cidadãos portugueses há mais de um século, e a Igreja tem que estar presente, tem que estar a ajudá-los”.

A “luta política e social é enormíssima” e na Igreja é fundamental que se tenham “as ideias arrumadas”, quando o tema são as minorias saibam do que estão a falar e ter a “coragem de falar dos ciganos”.

 

“Os ciganos portugueses são uma das mais pequenas minorias que têm sido muito ignorados, muito desprezados. Sistematicamente as leis são espezinhadas”, como “ainda hoje em dia com os ciganos nómadas compulsivos no Alentejo” que são “sistematicamente expulsos de terra em terra”, ao abrigo de leis “obsoletas”, com dezenas de anos, que “infringem os princípios da Constituição Portuguesa e princípios sociais da União Europeia”, sobre desalojar pessoas “sem alternativa digna”.

 

“A Igreja tem sido um pouco a voz de todos os problemas ao longo do tempo”.

 

FM assinalou que hoje “há um nível de escolarização maior” na comunidade cigana, destacando que “há experiências notáveis para integrar, chamar e dialogar com os ciganos”, mas a maioria dos programas escolares “têm pouco a ver” com a sua cultura. “Só através da educação e da formação é que se podem abrir, ter empregos e andar para a frente”.

“O sentido de pertença à sua cultura e o reconhecimento na comunidade é fundamental” e é preciso respeitar estes valores, “sem descurar” que também têm que “evoluir por si próprios para a integração, para acabar com o racismo e a discriminação”.

FM contextualizou que “há um problema histórico”, e que os ciganos quando há 500 anos vieram para Portugal, “foram bem recebidos, eram músicos, artesãos, eram pessoas interessantes”, mas quiseram ser “fiéis à sua cultura” e “nem toda a gente reconhece isso”.

FM observou que “muitas vezes serem fechados não significa que não queiram abrir-se, mas é antes uma reação a quem os excluiu durante cinco séculos”.