Newsletter da Union Romani - Barcelona (23 jan)

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Censo eslovaco: mais de 156.000 pessoas declararam ser de nacionalidade cigana, e mais de 100.000 declararam ter o Romani como língua materna

A Eslováquia e a República Checa separaram-se em 1993. A Eslováquia tornou-se membro da União Europeia em 2004 e tem 5,5 milhões de habitantes, 500.000 dos quais são ciganos; destes, 7.000 vivem no distrito de Lunik IX, na cidade eslovaca de Kosice, considerado um verdadeiro gueto na Europa e que ficaram sem ver o Papa Francisco quando em setembro do ano passado Francisco os foi visitar. As autoridades só permitiram que um pequeno grupo de ciganos fosse colocado na primeira fila em frente ao pontífice, tendo os restantes sido obrigados a permanecer em suas casas.

Infelizmente, quem sofre as principais consequências do racismo sofrido pelos ciganos na Eslováquia são as crianças 20% das quais estão em situação de pobreza extrema. A Amnistia Internacional já denunciou que em áreas com uma grande população cigana,  pelo menos três em cada quatro menores ciganos frequentam escolas para alunos com “deficiência mental leve”. Em todo o país, as crianças ciganas são 85% dos alunos que frequentam o ensino especial.

 

A discriminação e a segregação nas escolas eslovacas limitam brutalmente as oportunidades para o futuro das crianças e impedem que a população cigana participe plenamente na sociedade eslovaca, isolando-a num círculo de pobreza e de marginalização.

Quando as autoridades eslovacas realizaram no ano passado o censo da sua população, permitiram que os inscritos indicassem, no formulário, que pertenciam até duas nacionalidades, o que ocasionou uma grave controvérsia, especialmente entre os grupos pertencentes a minorias étnicas. Em 5,2 milhões que responderam à pergunta sobre a nacionalidade, os húngaros ficaram em primeiro lugar, logo seguidos dos que se declararam ciganos.

Perto de 82% dos inquiridos disseram que o eslovaco é a sua língua materna. Em segundo ligar, um total de 100.526 inquiridos no censo referido mencionou o Romani como a sua língua materna.

O autor do artigo conclui que apesar de tudo os ciganos têm orgulho de ser ciganos e que o Romani se afirma como a língua universal dos ciganos.

Juan de Dios Ramírez-Heredia Montoya

Advogado y jornalista