Notícias Magazine (Suplemento do Diário de Notícias) (13 Jul) - DIVERSOS

Calé Drom: Caminhos Ciganos Notícias Magazine (Suplemento do Diário de Notícias) (13 Jul) Calé Drom: Caminhos Ciganos Trata-se de uma reportagem onde a autora (Isabel Guerreiro) começa por abordar o sentido religioso dos ciganos mostrando a sua forte adesão à Igreja Evangélica de Filadélfia. A este propósito refere que “actualmente calcula-se que a maioria da população romani é evangélica e frequenta o culto, cinco dias por semana”. Aborda também o problema da elevada taxa de analfabetismo e o absentismo. “Temos de ganhar os meninos para a escola”, é o nome do Projecto lançado na Escola Primária de Alcobaça, pela sua Directora Eva Gonçalves, no ano lectivo de 1994/95, e desenvolvido em parceria com a ONPC (Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos). A educadora refere que no primeiro ano de trabalho, dos 25 alunos matriculados apenas cinco chegaram ao fim. Mas no ano seguinte todos terminaram. Defende que “para termos minorias e pessoas problemáticas é necessário estruturar a escola com as necessidades básicas garantidas e nós apostámos na imagem – aqui encontram alimentação, higiene e um ambiente que as acolhe”. Cortar o cabelo, tomar banho, comer, brincar e aprender são os trunfos da professora Eva Gonçalves para cativar os seus meninos. Apesar da resistência inicial, no presente a grande batalha é levar os alunos a prosseguirem até ao 2º Ciclo. Neste momento apenas 4 o fazem. A reportagem apresenta ainda o estudo feito pela ONPC sobre a taxa de analfabetismo e absentismo, feita em 1995, onde é revelado que 45% das crianças dos 6 aos 15 anos não estavam matriculados na escola. Segundo Mário Lino, “Alcobaça é muito racista, não compreendo, pois não há povo mais humano e condoído como os ciganos!”. “Se há alguma criminalidade na cidade, até nem é dos elementos da comunidade cigana”, diz Eduardo Nogueira, adjunto do presidente da Câmara. Em relação ao realojamento os ciganos, a reportagem apresenta testemunhos de ciganos que se manifestam contra a opção de agruparem todos as famílias num bairro e contra o facto de serem realojados em “blocos de cimento reduzidos”, quando estão habituados a espaços abertos e à liberdade de movimentos. O Notícias Magazine relata uma festa de casamento cigano em Chelas; fala depois sobre um cigano preso que luta para ser transferido para uma cadeia onde tenha “mais condições e mais espaço para circular”. É ainda apresentada uma entrevista feita a Rogério Roque Amaro, professor universitário, que há oito anos trabalha com a comunidade cigana de Vale do Forno onde é coordenador do Projecto “Príncipes do Nada”. Defende que o primeiro passo para quebrar muros é o conhecimento; “só assim se combate a ponte de separação de um povo mal compreendido que se ‘fechou’ para reforçar a sua identidade e cultura”, afirma. Para Roque Amaro, ser cigano é estar associado a certo tipo de comportamentos socialmente condenáveis e que por isso “uma criança cigana quando nasce tem logo um contexto social muito pesado: uma história, uma cultura de defesa”. O insucesso escolar, refere, ronda os oitenta por cento. Questionado sobre o porquê de a maioria da comunidade cigana seguir a Igreja Evangélica Filadélfia Cigana de Portugal, Roque Amaro afirma que “é um povo muito atraído pelo sobrenatural, as crendices e as superstições” e que são muito abertos a igrejas que criem uma espécie de delegações ciganas das respectivas Igrejas”. “Igrejas de Filadélfia têm mais sucesso junto da comunidade cigana”, porque promovem cursos para pastores ciganos, que por sua vez criam igrejas com cânticos e mensagens ciganas”. O artigo afirma que os ciganos se reconhecem como uma nação, com cultura, língua, hino, bandeira e leis próprias. Para diminuir a separação entre ciganos e não ciganos, Roque Amaro afirma que “o primeiro passo é começar por nos conhecermos melhor, mesmo que não nos compreendamos”. E afirma que “há um triplo combate a operar: cultural - a nível educacional, com a inclusão de temas sobre as minorias étnicas; político - não só a nível nacional, mas também a nível local, onde determinadas câmaras satisfazem determinadas clientelas - e, ideológico”. A revista refere ainda 6 das 14 Associações de Ciganos existentes e, ilustrando o destaque com a fotografia de Anabela Abreu, Presidente da Associação Raízes Calé.