De 21 a 23 de abril reuniu-se em Praga, Rep. Checa, a reunião anual do Comité Catholique International pour les Tsiganes (CCIT), subordinada ao tema “Crise e vulnerabilidade, fonte de mudança”. Na ocasião, como é habitual, o Prefeito do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, Cardeal Michael Czerny, SJ, enviou uma mensagem aos participantes em que afirmou:

“A crise (do covid) infelizmente não pôs fim, mas talvez pelo contrário tenha exacerbado

sentimentos de desconfiança, medo e desprezo – por vezes até de ódio – em relação aos

Ciganos, que se espalharam através das redes sociais e, nos casos mais graves,

encontraram um eco nos discursos e escolhas de certos líderes políticos, acabando por se

traduzir em verdadeiros atos de intolerância, discriminação ou exclusão, impedindo

muitos Ciganos de participarem plenamente na sociedade. I

A gravidade destes fenómenos, que são intrinsecamente incompatíveis com o Evangelho, não nos pode deixar indiferentes. Somos todos chamados, na diversidade dos papéis e responsabilidades que nos são confiados, a comprometermo-nos para que a cultura do “desperdício” e da indiferença seja finalmente substituída pela do cuidado, que considera cada pessoa humana como um reflexo do amor de Deus pela humanidade.

Gosto de pensar no valioso trabalho que estão a fazer com os Ciganos como expressão desta cultura de cuidado, que é cara ao Papa Francisco e a toda a Igreja. De facto, o trabalho que estais a fazer não é apenas um exemplo de empenho cívico, mas também um verdadeiro testemunho de fé, que merece o pleno apreço da comunidade eclesial, porque os Ciganes estão verdadeiramente, como disse São Paulo VI, “no coração da Igreja”.

É necessário trabalhar para a autonomia e construção da resiliência das comunidades ciganas, para que não fiquem indefesas face a uma nova crise. Convido-vos, pois, a seguir o convite do Papa Francisco para procurarem formas de capacitar aqueles que foram deixados de fora, de modo a poderem tornar-se os agentes, os protagonistas, da mudança social.

Finalmente, há necessidade de aumentar a consciência da sociedade como um todo, a todos os níveis e especialmente a nível das comunidades locais, porque a melhor maneira de ultrapassar os preconceitos (de ambos os lados) é através do conhecimento mútuo.

Desejo portanto concluir esta mensagem convidando-vos a serem construtores de relações entre Ciganos e Gadjos, construtores de pontes entre estes dois mundos, que por vezes parecem distantes mas que, na realidade, são compostos por irmãos e irmãs, membros iguais de uma única família humana.”

I Cf. PAPE FRANÇOIS, Discours aux participants à Ia Conférence mondiale sur Ie thême « Xénophobie, racisme et nationalisme populiste dans le contexte des migrations mondiales », 20 septembre 2018.

2 PAUL VI, Homélie lors de Ia visite au Camp International des Tsiganes, 26 septembre 1965.

A delegação portuguesa

 

Drª Fernanda Reis (Secretariado Diocesano de Lisboa), Maria do Carmo Rocha (OVAC de Espinho – Secretariado Diocesano do Porto) e a nova presidente do CCIT Cristina Simonelli