O SOS que abre este número da Caravana, dispensa quaisquer outras palavras; apenas nos convida ao silêncio e, certamente, que nos causa uma profunda lágrima de compaixão, daquela compaixão de que Jesus tantas vezes deu exemplo, para não dizer que moldou toda a sua vida até sofrer e morrer por nós e que tão insistentemente nos convidou a exercitar. A parábola do Samaritano que o Papa Francisco tão profundamente desenvolve na encíclica Fratelli Tutti, chamando-nos insistentemente a atenção para as atitudes de “passar ao lado” vs. “encher-se de compaixão”, aplica-se inteiramente a esta chaga do nosso Alentejo, que o é igualmente do nosso Portugal supostamente democrático, social e inclusivo; só supostamente: na prática veja-se o que passa, ano após anos, década após década, com estas dezenas de ciganos ignorados, excluídos, emaranhados num misto de teorias burocráticas e de desprezo factual, de supostas boas vontades inibidas quando se trata de tomar decisões que de facto resolvam os problemas das pessoas.

Obrigado Fernando Moital pelo exemplo que nos dás; obrigado por nos fazeres corar de vergonha pela nossa inação, pelo nosso passar ao lado, como Jesus identificou na parábola do Samaritano. Oxalá que surja alguém determinado, alguém decidido a desmontar o puzzle da múltipla miséria destes ciganos nómadas compulsivos e que, de uma vez por todas, faça valer os direitos de cidadania destes, quer queiramos quer não, NOSSOS IRMÃOS.

Francisco Monteiro