{"id":1006,"date":"2012-01-12T00:00:00","date_gmt":"2012-01-12T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2012\/01\/12\/portugal-na-50o-edicao-do-nevi-yag\/"},"modified":"2012-01-12T00:00:00","modified_gmt":"2012-01-12T00:00:00","slug":"portugal-na-50o-edicao-do-nevi-yag","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/portugal-na-50o-edicao-do-nevi-yag\/","title":{"rendered":"PORTUGAL: NA 50\u00aa EDI\u00c7\u00c3O DO NEVI YAG"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de um quarto de s\u00e9culo que participamos nas reuni\u00f5es do CCIT. Desde o primeiro momento se tornou apelativo o encontro com outros que, nas mais diversas paragens, se preocupam, tal como n\u00f3s, com a comunidade cigana. Esses encontros polifacetados, independentemente das tem\u00e1ticas que abordam, ajudam sempre a levantar o \u00e2nimo e manter a esperan\u00e7a no dif\u00edcil trabalho em que todos nos empenhamos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>PORTUGAL: NA 50\u00aa EDI\u00c7\u00c3O DO NEVI YAG Nevi Yag (Fogo Novo em Roman\u00f3) \u00e9 a revista do CCIT (Comit\u00e9 Cat\u00f3lico Internacional para os Ciganos): o n\u00ba 50 do Nevi Yag tem diversos testemunhos; entre eles o artigo seguinte da Professora Doutora Manuela Mendon\u00e7a, Vice-Presidente do Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos H\u00e1 mais de um quarto de s\u00e9culo que participamos nas reuni\u00f5es do CCIT. Desde o primeiro momento se tornou apelativo o encontro com outros que, nas mais diversas paragens, se preocupam, tal como n\u00f3s, com a comunidade cigana. Esses encontros polifacetados, independentemente das tem\u00e1ticas que abordam, ajudam sempre a levantar o \u00e2nimo e manter a esperan\u00e7a no dif\u00edcil trabalho em que todos nos empenhamos. De entre as v\u00e1rias experi\u00eancias ali vividas, destacaremos como fundamental aquela que experiment\u00e1mos na Hungria, onde pudemos visitar uma aldeia cigana. Sim, toda a popula\u00e7\u00e3o vivia do campo e pertencia \u00e0 mesma etnia. Se, por um lado, isso constitu\u00eda um tra\u00e7o de uni\u00e3o entre o grupo, por outro era garante de segrega\u00e7\u00e3o racial relativamente \u00e0 restante popula\u00e7\u00e3o. Tal situa\u00e7\u00e3o foi motivo de debate entre os que constitu\u00edamos o grupo do CCIT. Por essa \u00e9poca desenvolviam-se, em Portugal, os processos de realojamento das popula\u00e7\u00f5es dos chamados \u201cbairros da lata\u201d. Quer dizer, as popula\u00e7\u00f5es (incluindo os ciganos) que at\u00e9 ent\u00e3o viviam em barracas, eram transferidas para pr\u00e9dios para o efeito constru\u00eddos. No que se refere \u00e0 popula\u00e7\u00e3o cigana, o tema do realojamento motivou um debate social sobre o melhor modo de a agrupar. As pol\u00edticas dividiam-se entre a hip\u00f3tese de juntar o grupo no mesmo pr\u00e9dio e bairro ou dispersa-lo por entre a restante popula\u00e7\u00e3o. Certamente, numa primeira abordagem, pareceria que ficavam melhor em conjunto. Al\u00e9m disso, pressionadas pela opini\u00e3o dos \u201cvizinhos\u201d que preferiam afastar os ciganos, as autoridades inclinavam-se para a solu\u00e7\u00e3o de juntar o grupo. A justifica\u00e7\u00e3o da \u201cfam\u00edlia alargada\u201d parecia fundamentar a decis\u00e3o. N\u00e3o fora a experi\u00eancia vivida no CCIT, que proporcionara o contacto com a \u201caldeia-gheto\u201d da Hungria e talvez n\u00f3s admit\u00edssemos essa solu\u00e7\u00e3o. No entanto, assim n\u00e3o aconteceu e movemos todos os esfor\u00e7os para a evitar. Apesar disso, n\u00e3o conseguimos e num dos bairros foram todos os ciganos \u201camontoados\u201d em dois lotes cont\u00edguos. A consequ\u00eancia foi terr\u00edvel e resultou no posterior desmembramento do grupo, depois de muitas coisas m\u00e1s terem acontecido. Melhor sorte tivemos perante um projecto da C\u00e2mara Municipal de Lisboa que, querendo realojar um grupo, imaginou um bairro pr\u00f3prio. At\u00e9 teria escola e igreja!!! Apesar das boas inten\u00e7\u00f5es, que visavam oferecer casas individuais, todas num s\u00f3 piso, sab\u00edamos que seria uma m\u00e1 experi\u00eancia, sobretudo e mais uma vez, pelo \u201cgheto\u201d que se iria criar. O bairro n\u00e3o se construiu. Infelizmente, muitos anos mais tarde, em v\u00e9speras da grande Expo98, sofremos grande derrota frente \u00e0 mesma C\u00e2mara. Precisando de alojar in\u00fameras fam\u00edlias de ciganos e n\u00e3o ciganos que habitavam em casas camar\u00e1rias, decidiu realojar a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o cigana em bairros sociais j\u00e1 existentes. Quanto \u00e0s 70 fam\u00edlias ciganas, foram \u201cenviadas\u201d para a \u00e1rea de um quartel militar desactivado e completamente isolado. Vencidos, mantivemo-nos sempre com as fam\u00edlias naquele gheto de m\u00e1 mem\u00f3ria. Seis anos depois, um novo presidente mandou arrasar esse conjunto de habita\u00e7\u00f5es, permitindo de novo \u00e0s fam\u00edlias ciganas a respectiva integra\u00e7\u00e3o na cidade, junto de ciganos e n\u00e3o ciganos. Muitos outros aspectos poder\u00edamos abordar no que se refere ao enriquecimento trazido da partilha que se vive no CCIT. E o menor n\u00e3o seria a comunh\u00e3o espiritual que nos une, no rumo evang\u00e9lico, na luta por um mesmo objectivo. Este foi de h\u00e1 muito resultado da presen\u00e7a contagiante do Padre Yoska que tivemos o gosto e a ventura de conhecer. Dele emanava a preocupa\u00e7\u00e3o com a pessoa integral, no seu processo de socializa\u00e7\u00e3o. A\u00ed se inclu\u00eda a import\u00e2ncia da escola e da aprendizagem de cada crian\u00e7a, como garantia de vir a ser, quando adulta, respeitada e aceite como igual. Essa uma outra li\u00e7\u00e3o que ajudou a nortear muitas das nossas actividades na op\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria pela escolariza\u00e7\u00e3o. \u00c9 sem d\u00favida uma d\u00edvida que todos, no CCIT, contra\u00edmos com Yoska, que igualmente ensinava a import\u00e2ncia do caminho que era necess\u00e1rio percorrer para ir ao encontro e nos situarmos no meio dos mais pobres. Sereno, impressionava pela for\u00e7a interior que o movia. Na senda do seu exemplo, todos os que participamos no CCIT beneficiamos desse esp\u00edrito de tranquilidade que, sem que disso nos apercebamos, orienta as m\u00faltiplas interven\u00e7\u00f5es a que no quotidiano somos chamadas. Mas esse aspecto, \u201c\u00e9 invis\u00edvel aos olhos\u201d e, como tal, n\u00e3o se transmite em palavras. Apenas se v\u00ea \u201ccom os olhos do cora\u00e7\u00e3o\u201d! \t\t\t\t\t\t\t\t\tManuela Mendon\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de um quarto de s\u00e9culo que participamos nas reuni\u00f5es do CCIT. Desde o primeiro momento se tornou apelativo o encontro com outros que, nas mais diversas paragens, se preocupam, tal como n\u00f3s, com a comunidade cigana. 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