{"id":1079,"date":"2012-07-11T08:40:18","date_gmt":"2012-07-11T08:40:18","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2012\/07\/11\/dia-nacional-do-cigano-carta-enviada-pelo-secretariado-de-lisboa-aos-parocos\/"},"modified":"2012-07-11T08:40:18","modified_gmt":"2012-07-11T08:40:18","slug":"dia-nacional-do-cigano-carta-enviada-pelo-secretariado-de-lisboa-aos-parocos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/dia-nacional-do-cigano-carta-enviada-pelo-secretariado-de-lisboa-aos-parocos\/","title":{"rendered":"DIA NACIONAL DO CIGANO: CARTA ENVIADA PELO SECRETARIADO DE LISBOA AOS P\u00c1ROCOS"},"content":{"rendered":"<p>DIA NACIONAL DO CIGANO: CARTA ENVIADA PELO SECRETARIADO DE LISBOA AOS P\u00c1ROCOS<\/p>\n<p><em>A Dr\u00aa Fernanda Reis, Presidente do Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos (SDL), enviou, como habitualmente, uma carta aos P\u00e1rocos do Patriarcado de Lisboa, por ocasi\u00e3o do Dia Nacional do Cigano (24 de Junho).<\/em><\/p>\n<p>Reverendo P\u00e1roco<\/p>\n<p>Aproximando-se o Dia Nacional do Cigano, que ter\u00e1 lugar em 24 do corrente m\u00eas, pensei oportuno contact\u00e1-lo, tendo como base as reflex\u00f5es feitas no Encontro Anual do Comit\u00e9 Cat\u00f3lico Internacional para os Ciganos que, no corrente ano, teve lugar em F\u00e1tima, de 23 a 25 de Mar\u00e7o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nessa conformidade, permito-me transcrever, em anexo, algumas das palavras que ali foram proferidas e ficaram registadas, palavras que, porventura, poder\u00e3o abrir pistas para atua\u00e7\u00e3o, sendo mesmo algumas de orienta\u00e7\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>Desejo sinceramente que estes excertos de confer\u00eancias e homilias proferidas num contexto de Igreja \u2013 Movimento \u2013 Encontro, sejam inspiradoras e de alento na sua miss\u00e3o de Pastor.<\/p>\n<p>Com respeitosos cumprimentos, renovo a disponibilidade para conversarmos sobre a problem\u00e1tica cigana, se assim o entender.<\/p>\n<p>Lisboa, 2012. Junho. 13<\/p>\n<p align=\"right\">Fernanda Eug\u00e9nia Nunes dos Reis<\/p>\n<p align=\"right\">PRESIDENTE<\/p>\n<p><em>Seguem-se excertos dos seguintes textos de que apresentamos algumas afirma\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u25ba do Padre Don Piero Gabella, presidente do CCIT <\/strong>(PG)<strong>:<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u2026<em>O tema deste ano \u00e9 mais do que nunca atual: <strong>\u201cPerante uma sociedade cada vez mais estruturada, que cria a marginalidade, quais s\u00e3o os projetos evang\u00e9licos?\u201d.<\/strong> A \u00a0sociedade n\u00e3o para de se estruturar ficando cada vez mais complexa e \u2026 por isso, cria novas exclus\u00f5es que atingem frontalmente os Ciganos. <\/em><\/p>\n<p>Citando os primeiros vers\u00edculos de 1 Jo 1 PG afirma:<\/p>\n<p><em>Quem s\u00f3 confia na for\u00e7a gera injusti\u00e7a, destrui\u00e7\u00e3o, fome e morte: a Vida n\u00e3o pode fazer disto o seu ref\u00fagio; pelo contr\u00e1rio, a Vida encontra a sua fertilidade entre os fracos sem defesas e manifesta-se incessantemente nas ru\u00ednas dos poderosos\u2026 \u00c9 nas pessoas submersas pelas dificuldades, que a Vida encontra a possibilidade de morar e de se revelar\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026Mas, Deus faz-nos este presente a n\u00f3s tamb\u00e9m, pois partilhando com os nossos amigos o seu sofrimento e o desprezo, n\u00f3s recebemos o presente de dar um testemunho que enche de uma alegria perfeita\u2026<\/em><\/p>\n<p><strong>\u25ba Da mensagem do Conselho Pontif\u00edcio da Pastoral dos Migrantes e Itinerantes<\/strong><\/p>\n<p><em>\u2026A Igreja quer partilhar com os Rom algo muito precioso, a pessoa de Jesus Cristo e a mensagem da salva\u00e7\u00e3o. Cristo \u00e9 a fonte da verdadeira vida e da verdadeira alegria. \u2026<\/em><\/p>\n<p><em>O que significa para n\u00f3s hoje, dentro do nosso servi\u00e7o ao povo Rom, amar a Deus e amar ao homem assim como Jesus nos amou? \u2026<\/em><\/p>\n<p><em>A voc\u00eas todos, queridos agentes pastorais, a Igreja confiou o mandato de proclamar o Evangelho aos Rom e de sustentar o caminho de f\u00e9 deles. Nesta \u00e9poca de profundas mudan\u00e7as, voc\u00eas representam aquela Igreja que, movida pela caridade, entra nos lares deles para tornar-se casa acolhedora. A vossa miss\u00e3o vos impulsione a encontrar as modalidades e os meios adequados para o povo Rom se sentir cada vez mais respons\u00e1vel da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o na Igreja e na sociedade. Deste modo eles poder\u00e3o viver segundo as dif\u00edceis exig\u00eancias do Evangelho, confiando na for\u00e7a de Cristo. \u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Os homens e as mulheres, chamados \u2026 a serem destinat\u00e1rios e tamb\u00e9m instrumentos dessa mesma gra\u00e7a\u2026 ir\u00e3o difundir a caridade de Deus, criando redes de caridade. N\u00e3o se pode, portanto, de modo nenhum, separar a miss\u00e3o pastoral e a evangeliza\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es sociais\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Neste contexto, a Igreja convida a promover a espiritualidade da comunh\u00e3o, favorecendo a l\u00f3gica da solidariedade que \u00e9 de facto, aquela do amor. Isto requer uma atitude de aproxima\u00e7\u00e3o consciente, capaz de descobrir e valorizar o bem que os Rom representam para a sociedade, aberta e dispon\u00edvel \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o\u2026 <\/em><\/p>\n<p><em>\u2026Enfim, a l\u00f3gica da solidariedade comporta o rec\u00edproco respeito de direitos e responsabilidades. Os Rom s\u00e3o chamados a acolherem os progressos sociais que promovem a dignidade, a liberdade, a igualdade e a conviv\u00eancia entre as pessoas. \u00c9 tarefa vossa ajud\u00e1-los para que possa surgir a for\u00e7a libertadora da dignidade humana deles, que leva ao compromisso\u2026<\/em><\/p>\n<p><strong>\u25ba Da comunica\u00e7\u00e3o do Professor Doutor Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves<\/strong><\/p>\n<p><em>Nas sociedades humanas de todos os tempos verificam-se v\u00e1rias raz\u00f5es para a marginalidade, e nem todas elas dependem da sociedade ser muito estruturada\u2026. Podemos brevemente elencar tr\u00eas das principais raz\u00f5es de rep\u00fadio social que levam \u00e0 marginalidade, avaliando a sua incid\u00eancia no tempo corrente.<\/em><\/p>\n<p><em>Veremos depois que um dos maiores problemas dos ciganos, como de outros grupos \u00e9tnicos, \u00e9 ca\u00edrem em quase todas essas raz\u00f5es, e por isso t\u00eam sido das classes que mais sofreram de exclus\u00e3o ao longo dos s\u00e9culos. Uma resposta evang\u00e9lica \u00e9 o caminho para enfrentar esse problema.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026<span style=\"text-decoration: underline;\">O primeiro motivo<\/span> para a rejei\u00e7\u00e3o social \u00e9 a diferen\u00e7a. Um povo despreza os que n\u00e3o pertencem \u00e0 sua comunidade, que lhe s\u00e3o portanto distintos e alheios. Aqui caem todos os casos de racismo e discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, mas tamb\u00e9m sexual, et\u00e1ria, al\u00e9m das quest\u00f5es que t\u00eam a ver com l\u00edngua ou religi\u00e3o\u2026.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026<span style=\"text-decoration: underline;\">Uma segunda raz\u00e3o<\/span> para a descrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 o inc\u00f3modo. A sociedade tende a ostracizar aqueles que a perturbam. \u2026 Muita gente, que se afirma muito respeitadora das diferen\u00e7as e defensora da igualdade, suscita rep\u00fadio quando se sente incomodada por outrem\u2026.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026.Finalmente, <span style=\"text-decoration: underline;\">a terceira raz\u00e3o<\/span> da discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 a censura moral. Certas pessoas s\u00e3o afastadas da conviv\u00eancia social porque s\u00e3o vistos como m\u00e1s. <\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Estes <span style=\"text-decoration: underline;\">tr\u00eas motivos de rep\u00fadio<\/span>, a diferen\u00e7a, o inc\u00f3modo e a censura englobam grande parte dos fen\u00f3menos hist\u00f3ricos de marginalidade. <\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Se estes s\u00e3o os tr\u00eas motivos de marginalidade, qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o? Pode dizer-se, como relativamente a tantas outras coisas, que a boa nova de Jesus Cristo \u00e9 aqui uma das poucas solu\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas e duradouras para lidar com a <span style=\"text-decoration: underline;\">diferen\u00e7a<\/span>, o <span style=\"text-decoration: underline;\">inc\u00f3modo<\/span> e a <span style=\"text-decoration: underline;\">censura.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>Um dos tra\u00e7os que mais marcaram a pessoa de Cristo no seu tempo, aspecto referido at\u00e9 pelos que o conheciam apenas de longe, \u00e9 precisamente a sua atitude inclusiva. \u2026 Neste campo, como em tantos outros, o seu exemplo marcou a hist\u00f3ria do mundo, mesmo fora dos seus fi\u00e9is<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Assim, o mandamento inelut\u00e1vel do Cristianismo \u00e9 o perd\u00e3o: \u201cN\u00e3o julgueis e n\u00e3o sereis julgados; n\u00e3o condeneis e n\u00e3o sereis condenados; perdoai e sereis perdoados\u201d (Lc 6.37)\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>As perspectivas s\u00e3o as de sempre: anunciar Jesus Cristo, \u201cesc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas, para os que s\u00e3o chamados, tanto judeus como gregos, Cristo \u00e9 poder e sabedoria de Deus\u201d (1Co 1, 23-24)\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>\u25ba Da comunica\u00e7\u00e3o do Biblista Padre Dr. Marcelo Barros, do Brasil<\/strong><\/p>\n<p><em>\u2026Na Am\u00e9rica Latina, o m\u00e9todo teol\u00f3gico continua sendo aquele que se resume nas palavras: \u201cver, julgar e agir\u201d. Isso significa que a reflex\u00e3o se deve basear o mais poss\u00edvel na realidade e na situa\u00e7\u00e3o atual do povo. A partir da\u00ed se faz a reflex\u00e3o b\u00edblica e teol\u00f3gica. Seria a segunda parte e finalmente o que de tudo isso se conclui para continuar a caminhada. \u00c9 a parte mais propositiva ou pr\u00e1tica\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 O s\u00e9culo XXI come\u00e7ou com um forte agravamento das contradi\u00e7\u00f5es. \u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Nos organismos internacionais, v\u00e1rios governos latino-americanos e africanos t\u00eam protestado contra as medidas repressivas dos governos europeus e norte americanos contra os migrantes clandestinos ou simplesmente pobres. Entretanto, nenhum governo, mesmo dos pa\u00edses mais pobres, se sente envolvido e nenhum defende os direitos dos ciganos, dos rom e dos elementos de minorias que mesmo tendo nascido num pa\u00eds determinado s\u00e3o considerados ap\u00e1tridas\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 O que quero dizer \u00e9 que \u00e9 profundamente espiritual, isto \u00e9, inspirado por Deus, esse fato das pessoas n\u00e3o se conformarem em viver a sina que \u00e9 destinada aos mais empobrecidos: uma vida sub-humana e sob permanente risco de morte. Ao tentarem uma vida mais vida em outras paragens ou em estilos de vida alternativa, eles respondem positivamente a um chamamento divino para a vida, a dignidade humana e a liberdade\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Sem d\u00favida, essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual as pessoas e grupos vivem como n\u00f3madas e peregrinos no mundo: passar da resist\u00eancia \u00e0 esperan\u00e7a\u201d\u2026.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 No Novo Testamento, evangelhos como Marcos apresentam Jesus em permanente itiner\u00e2ncia e chamando seus disc\u00edpulos a segui-lo. O que se observa \u00e9 que quanto mais ele est\u00e1 fora das cidades e da sede do poder religioso e pol\u00edtico, mais \u00e9 aceite e a sua miss\u00e3o \u00e9 compreendida. Quanto mais se aproxima da cidade e do templo, mais encontra conflito e oposi\u00e7\u00e3o. \u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Jesus viveu principalmente como itinerante porque queria testemunhar que Deus nunca pode ser aprisionado em um sistema religioso\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Por isso, as comunidades paulinas valorizaram muito os mission\u00e1rios itinerantes\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Sem querer ser exaustivo ou cans\u00e1-los com um curso b\u00edblico, podemos concluir que, desde o come\u00e7o do Cristianismo, a itiner\u00e2ncia e a n\u00e3o cidadania desse mundo s\u00e3o constitutivos do ser crist\u00e3o, como sinais da abertura ao reino que vem\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Toda a terra estrangeira \u00e9 para (os crist\u00e3os) como uma p\u00e1tria e toda a p\u00e1tria \u00e9 uma terra estrangeira. Moram na terra e s\u00e3o regidos pelo C\u00e9u. Obedecem \u00e0s leis estabelecidas e superam as leis atrav\u00e9s das pr\u00f3prias vidas. Amam todos e por todos s\u00e3o perseguidos\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Mais tarde, no s\u00e9culo IV, o Imp\u00e9rio Romano foi cooptando as Igrejas e o imperador Teod\u00f3sio acabou por tornar o Cristianismo a religi\u00e3o oficial do imp\u00e9rio (em 395). A tend\u00eancia natural dos pastores e das comunidades foi acomodar-se aos costumes do imp\u00e9rio. Por isso, muitos dos primeiros monges crist\u00e3os faziam voto de itiner\u00e2ncia e tamb\u00e9m se colocavam como ap\u00e1tridas, rejeitando qualquer cidadania terrena\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Como atitude prof\u00e9tica\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Nesse sentido, no s\u00e9culo XXI os \u00edndios e comunidades de cultura n\u00f3mada na Am\u00e9rica Latina, assim como os rom\u00a0 e ciganos na Europa exercem um papel prof\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade acomodada e \u00e0 pr\u00f3pria Igreja de tipo Cristandade, hoje ainda dominante como modelo de Igreja e pastoral existente\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Sem d\u00favida, a pastoral dos n\u00f3madas pode retomar nas nossas Igrejas, \u00e0s vezes, por demais sedent\u00e1rias e acomodadas, uma m\u00edstica da itiner\u00e2ncia. Em diversos pa\u00edses, temos a gra\u00e7a de contar com mission\u00e1rios e mission\u00e1rias que se t\u00eam inserido nas comunidades n\u00f3madas, tornando-se eles mesmos n\u00f3madas e morando com esses irm\u00e3os n\u00f3madas em seus acampamentos. Entretanto, parece-me que sua experi\u00eancia de vida e de miss\u00e3o ainda \u00e9 pouco conhecida e pouco assumida pelas comunidades eclesiais. Seria importante que essa m\u00edstica ou espiritualidade n\u00f3mada pudesse contagiar toda a Igreja para que ent\u00e3o toda a comunidade eclesial pudesse hoje ser com Jesus, a dizer novamente ao mundo: \u201ceu era n\u00f3mada, peregrino ou estrangeiro e voc\u00eas me acolheram\u201d(Mt 25, 31 ss)\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>\u25ba Do discurso da Dr\u00aa Ros\u00e1rio Farmhouse, Alta Comis\u00e1ria para a Imigra\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logo Intercultural<\/strong><\/p>\n<p><em>\u2026 Numa altura em que o mundo est\u00e1 a ser abalado por conflitos, desigualdades gritantes e incompreens\u00f5es, este ser\u00e1 o momento apaziguador e de reflex\u00e3o profunda sobre os que nos rodeiam e que merecem a nossa solidariedade e respeito.<\/em><\/p>\n<p><em>Este encontro, cuja partilha com\u00a0 ciganos t\u00e3o diversos, mas t\u00e3o semelhantes nos seus anseios, nas suas fragilidades e for\u00e7as, trar\u00e1 um enriquecimento e uma nova luz para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e solid\u00e1ria.<\/em><\/p>\n<p><em>A Igreja tem um papel de destaque nesta constru\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m da comunh\u00e3o espiritual, junta quem est\u00e1 empenhado no processo de socializa\u00e7\u00e3o e na cria\u00e7\u00e3o de novos caminhos para os ciganos, em que todos e cada um, sejam acolhidos e apreciados \u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>\u25ba Da Homilia do Senhor Bispo Auxiliar do Patriarcado D. Joaquim Mendes, S.D.B., vogal da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201c\u2026 Jesus, com a sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o gerou o Povo da nova Alian\u00e7a, a Igreja\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 O p\u00e3o que consagramos sobre os altares \u00e9 fruto do gr\u00e3o ca\u00eddo \u00e0 terra, brota da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Este P\u00e3o, que nos alimenta e transforma, leva-nos a ser no quotidiano p\u00e3o para os outros, sangue derramado, vida doada, \u2026 para que a vida se manifeste em n\u00f3s\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026Que a Eucaristia fecunde as nossas vidas para que elas produzam o fruto que Deus, a Igreja, o mundo e os Ciganos esperam de n\u00f3s\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>\u25ba Da Homilia do Senhor Bispo D. Jorge Ortiga, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201c\u2026 Mois\u00e9s edificara uma serpente de ouro de tal modo que todos os que olhassem para ela ficavam curados do veneno. N\u00e3o era o bronze da est\u00e1tua que curava, mas o elevar o olhar para Deus\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026ao olharmos para a beleza da cruz de Cristo, na qual contemplamos a verdadeira identidade (ser) de Deus e do Homem (ontologia), ela obriga-nos a olhar para o outro que nos circunda. Em\u00a0 pleno encontro Anual do \u201cComit\u00e9 Catholique International pour les Tsiganes\u201d (CCIT), esta imposi\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica impela assim o nosso olhar a deter-se agora nas pessoas de etnia cigana.<\/em><\/p>\n<p><em>Neste contexto, trago \u00e0 mem\u00f3ria aquelas palavras proferidas pelo Papa Paulo VI num encontro com os ciganos aquando de uma peregrina\u00e7\u00e3o a Pomezia em 1965, das quais emergem alguns princ\u00edpios para a nossa a\u00e7\u00e3o pastoral:<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c\u2026 V\u00f3s na Igreja n\u00e3o estais nas margens, mas, sob alguns aspectos, v\u00f3s estais no centro. V\u00f3s estais no cora\u00e7\u00e3o. V\u00f3s estais no cora\u00e7\u00e3o da Igreja, porque estais s\u00f3s: ningu\u00e9m est\u00e1 s\u00f3 na Igreja; v\u00f3s estais no cora\u00e7\u00e3o da Igreja porque sois pobres e necessitados de assist\u00eancia, de instru\u00e7\u00e3o, de ajuda; a Igreja ama os pobres, os que sofrem, os pequenos, os deserdados, os abandonados\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026e \u00e9 aqui, na Igreja que vos sentis chamados filhos. Sim, filhos car\u00edssimos, v\u00f3s pertenceis a esta grande fam\u00edlia de Deus\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Os irm\u00e3os de etnia cigana, na verdade, tamb\u00e9m pertencem a esta grande fam\u00edlia de Deus! Perante esta certeza, importa que sejamos capazes de descortinar valores muito concretos numa cultura diferente, que a sociedade deveria harmonizar, atrav\u00e9s dum trabalho que proporcione conviv\u00eancia sadia sempre alicer\u00e7ada na justi\u00e7a e na paz.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Por seu turno, a Igreja deve trabalhar para que sejam superadas as descrimina\u00e7\u00f5es e intoler\u00e2ncias que, sempre no respeito pela justi\u00e7a, podem violar o princ\u00edpio da dignidade humana e impedir o seu crescimento verdadeiro. Com o acolhimento, mesmo dif\u00edcil, poderemos reconhecer as riquezas que nos proporcionam\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026A f\u00e9, ao longo da hist\u00f3ria, soube acolher todas as diferen\u00e7as. Hoje precisamos de ter os sentimentos dum Deus que v\u00ea no fundo dos cora\u00e7\u00f5es e que acredita em todos os homens, para edificar uma casa comum no respeito pelas diferen\u00e7as. N\u00e3o basta hostilizar ou ignorar!&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026Por isso, se o Estado oferece esporadicamente condi\u00e7\u00f5es habitacionais, n\u00f3s oferecemos permanentemente um sentido, um projeto de vida e uma prova de amor! E se o Estado olha para a obra, n\u00f3s olhamos para as pessoas\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026 Para terminar, deixemos ent\u00e3o que a Cruz de Cristo eduque o nosso olhar para a ontologia do diferente, pois nele se revela tamb\u00e9m a presen\u00e7a salv\u00edfica de Deus. \u00c9 o que constata Paulo na Carta aos Ef\u00e9sios: \u201ca salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem de n\u00f3s: \u00e9 dom de Deus\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>Lisboa, 2012. Junho 13<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIA NACIONAL DO CIGANO: CARTA ENVIADA PELO SECRETARIADO DE LISBOA AOS P\u00c1ROCOS A Dr\u00aa Fernanda Reis, Presidente do Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos (SDL), enviou, como habitualmente, uma carta aos P\u00e1rocos do Patriarcado de Lisboa, por ocasi\u00e3o do Dia Nacional do Cigano (24 de Junho). Reverendo P\u00e1roco Aproximando-se o Dia Nacional do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-1079","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1079"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1079\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}