{"id":1096,"date":"2013-01-22T09:13:17","date_gmt":"2013-01-22T09:13:17","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2013\/01\/22\/tabu-do-sol-12-out-diversos\/"},"modified":"2013-01-22T09:13:17","modified_gmt":"2013-01-22T09:13:17","slug":"tabu-do-sol-12-out-diversos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/tabu-do-sol-12-out-diversos\/","title":{"rendered":"Tabu do SOL (12 out) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Tabu do SOL (12 out) &#8211; DIVERSOS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Dar a volta \u00e0 sina<\/span><\/p>\n<p><em>Criada por ciganas do concelho de Sintra, a etiqueta Roma Trend revela, mais do que uma cole\u00e7\u00e3o de moda, uma arma no combate \u00e0 exclus\u00e3o social. Para travar com a ajuda de Cig, o primeiro her\u00f3i ciganos dos desenhos animados portugueses<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No \u00e1trio da Igreja Paroquial de Mira Sintra realizou-se, no dia 6 de outubro, um desfile de moda, onde num dos momentos desfilaram roupas confecionadas em Portugal por um grupo de mulheres ciganas residentes na freguesia, s\u00e3o elas: C\u00e9u de 28 anos, Diana de 24, T\u00e2nia de 23 e Marilene de 20. Todas mulheres casadas, elaboraram as roupas com a assinatura criada para fazer a diferen\u00e7a: a Roma Trend. Esta iniciativa resulta do projeto da UE \u201cI am Roma: Changing mindsets\u201d (\u201cEu sou Cigano: para mudar mentalidades\u201d) e segue-se a meses de forma\u00e7\u00e3o, moldados \u00e0 medida da desconstru\u00e7\u00e3o de velhos preconceitos. \u201cPor um lado temos o estere\u00f3tipo da mulher cigana de luto, que veste integralmente preto. Por outro lado temos o estere\u00f3tipo das gera\u00e7\u00f5es mais jovens que vestem cores muito alegres\u201d.<\/p>\n<p>Paula Sim\u00f5es, vereadora da C\u00e2mara Municipal de Sintra, entidade que, atrav\u00e9s de uma rede de parcerias, agarrou o desafiou europeu de mudar mentalidades, diz ter-se pretendido n\u00e3o apenas \u201cque a restante popula\u00e7\u00e3o possa encarar a comunidade cigana com outros olhos, mas tamb\u00e9m favorecer a auto-valoriza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios ciganos\u201d.<\/p>\n<p>A designer e formadora do grupo, Rita Afonso, diz que \u201capesar de os tra\u00e7os da etnia cigana surgirem dilu\u00eddos nas cria\u00e7\u00f5es do quarteto, as roupas s\u00e3o mais ou menos o nosso estilo, s\u00f3 que com poucos enfeites para adaptar ao gosto do resto das pessoas\u201d; e acrescenta que na reuni\u00e3o com as comerciantes envolvidas no desfile, estas estavam no gozo sobre aquilo que as ciganas tinham produzido, mas depois gostaram. Jorge Miranda, parceiro do \u2018I am Roma\u2019 atrav\u00e9s da empresa Etno Ideia diz: \u201c\u00c9 isto. Reparem no efeito em termos de conota\u00e7\u00e3o racial. As meninas da freguesia s\u00e3o cuidadosamente preparadas para vestir roupa feita pelas ciganas. Este \u00e9 o clique que se pretende\u201d e acrescenta: \u201cem comunica\u00e7\u00e3o funciona tudo contra a etnia. H\u00e1 que encontrar os pontos fortes da comunidade e valoriz\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<p>Nelson e Samuel tiveram a seu cargo a banda sonora na noite do desfile: \u201cacham que os ciganos s\u00f3 sabem fazer confus\u00e3o, bater nos outros e roubar\u201d, enumeram a duas vozes os m\u00fasicos da ocasi\u00e3o e personagens-chave das <strong>Aventuras do Cig<\/strong>\u201d. Toz\u00e9 Salom\u00e3o, guineense, ensaiou Nelson e Samuel e os tr\u00eas desmentem a ideia de rivalidade entre africanos e ciganos. \u201cO Toz\u00e9 aprendeu connosco e n\u00f3s aprendemos com ele\u201d, afirmam. Nelson declara mesmo que os seus melhores amigos s\u00e3o cabo-verdianos.<\/p>\n<p>Jorge Miranda, criador do conceito do her\u00f3i animado, falando sobre o her\u00f3i animado Cig, refere que uma das conclus\u00f5es \u00e9 que esta figura tinha que ser bonita como \u201cforma de contrariar a imagem de mau aspeto que a comunidade diz que os outros t\u00eam a seu respeito\u201d. Helena Torres, coordenadora do Gabinete de Apoio \u00e0s Comunidades Ciganas do Alto Comissariado para a Imigra\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logo Intercultural (ACIDI) afirma que \u201co desafio principal \u00e9 fazer com que as comunidades maiorit\u00e1rias e as minorias se conhe\u00e7am\u201d. E refere que s\u00e3o os mediadores municipais ciganos \u201cque fazem a ponte entre a comunidade e as institui\u00e7\u00f5es\u201d. \u201cA ideia de que a educa\u00e7\u00e3o d\u00e1 ferramentas para o resto da vida ainda n\u00e3o est\u00e1 generalizada\u201d; lamenta Jo\u00e3o Montes, mediador (<em>em Sintra NR<\/em>) e refere a dificuldade tradicional de as meninas de 14 e 15 anos continuarem a estudar; afirma que \u201co meu trabalho tamb\u00e9m \u00e9 esse: mostrar as vantagens da forma\u00e7\u00e3o\u201d. Rui Pinto, presidente da freguesia de Mira-Sintra, afirma que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a mudar: \u201ctemos duas ciganas a trabalhar na creche do centro de dia, e na pr\u00f3pria junta h\u00e1 um colaborador cigano\u201d. Agora p\u00f5e-se a quest\u00e3o de comercializar as cria\u00e7\u00f5es da Roma Trend. Mas, refere a vereadora \u201cquem acreditava que conseguir\u00edamos fazer tudo isto?\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tabu do SOL (12 out) &#8211; DIVERSOS Dar a volta \u00e0 sina Criada por ciganas do concelho de Sintra, a etiqueta Roma Trend revela, mais do que uma cole\u00e7\u00e3o de moda, uma arma no combate \u00e0 exclus\u00e3o social. 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