{"id":1104,"date":"2013-01-22T09:23:39","date_gmt":"2013-01-22T09:23:39","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2013\/01\/22\/revista-2-do-publico-7-out-escolarizacao\/"},"modified":"2013-01-22T09:23:39","modified_gmt":"2013-01-22T09:23:39","slug":"revista-2-do-publico-7-out-escolarizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/revista-2-do-publico-7-out-escolarizacao\/","title":{"rendered":"Revista 2 do P\u00fablico (7 out) &#8211; ESCOLARIZA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><strong>Revista 2 do P\u00fablico (7 out) &#8211; ESCOLARIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Dar a cara<\/span><\/p>\n<p><em>Mirna Montenegro<\/em><\/p>\n<p><em>Na d\u00e9cada de 1990, criou o projeto N\u00f3mada para levar o ensino \u00e0s crian\u00e7as ciganas. Hoje, critica \u201co sistema\u201d que as torna \u201camargas pelo insucesso\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201cO \u2018<em>sistema<\/em>\u2019est\u00e1 feito para matar as pessoas, est\u00e1 a matar a criatividade, a matar a sensibilidade, a matar os sonhos. \u00c9 um \u2018bulldozer\u2019\u201d.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEducadora de Inf\u00e2ncia h\u00e1 32 anos, 20 deles a navegar entre as ilhas da cultura cigana em Portugal\u201d, Mirna Montenegro (MM) \u201cprepara o doutoramento em Educa\u00e7\u00e3o, com base na experi\u00eancia do projecto N\u00f3mada que lan\u00e7ou em 1994 no \u00e2mbito do Instituto das Comunidades Educativas (ICE).\u201d MM recorda que come\u00e7ou a lidar com os ciganos ainda antes do \u201cRendimento M\u00ednimo Garantido, em que os ciganos \u2018eram invis\u00edveis\u2019\u201d. \u201cA ideia era \u2018trabalhar na margem\u2019 do sistema educativo. Ir aos acampamentos, aos mercados, ao cora\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias ciganas de Set\u00fabal.\u201d MM come\u00e7ou a lidar com os ciganos no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, no Bairro da Boa Vista, em Lisboa. A aus\u00eancia de preconceitos fez com que em 1992, j\u00e1 no Bairro da Bela Vista, em Set\u00fabal, se apaixone pelos mi\u00fados africanos e ciganos que n\u00e3o cabiam todos na mesma sala; MM, acompanhada pelo livro de Ol\u00edmpio Nunes, <em>O Povo Cigano<\/em>, \u201ca b\u00edblia de qualquer antrop\u00f3logo naqueles tempos\u201d, deixou a porta sempre aberta e colocou \u201cl\u00e1 fora um gravador com m\u00fasica e punha as mesas, as cadeiras e os jogos no p\u00e1tio\u201d, para que \u201co aborrecimento n\u00e3o conquistasse a eterna luta contra o interesse e a curiosidade, no \u00e2mbito de um projeto de anima\u00e7\u00e3o infantil e comunit\u00e1rio existente na altura\u201d.<\/p>\n<p>Em 1994 cria o projeto N\u00f3mada, mas 18 anos depois afirma-se revoltada. O projeto N\u00f3mada foi concebido como \u201cum dispositivo e instrumento processual de interven\u00e7\u00e3o social visando concretizar, ao mesmo tempo, princ\u00edpios metodol\u00f3gicos de a\u00e7\u00e3o social e educativa assentes em afetos e conceitos\u201d. MM traduz: \u201cas professoras do projeto N\u00f3mada aprenderam isso quando foram para os mercados, quando trabalharam no n\u00e3o formal e no informal. Quando viram o que \u00e9 uma fam\u00edlia quando n\u00e3o est\u00e1 na escola, quando viram o que \u00e9 educa\u00e7\u00e3o familiar, o que \u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o familiar. Quando viram que os ciganos num mercado s\u00e3o capazes de estar sentados uma hora a ouvir uma hist\u00f3ria sem se chatearem. Numa sala de aula, a gente n\u00e3o os consegue ter dez minutos. Porqu\u00ea?\u201d \u201cA ideia era mergulhar na comunidade cigana e perceber-lhe os contornos. Sair da sala de aula para voltar a entrar nela pelos olhos \u2018do outro\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Agora \u201cs\u00e3o poucas as educadoras que conseguem trabalhar na margem. \u201c\u2026Lidamos com os sentimentos, com pessoas, com tabus e \u00e0s vezes uma palavra pode desmanchar um trabalho de dois ou tr\u00eas anos\u201d. \u201cMadrinha de dois ciganos, convidada para 18 casamentos\u201d, MM diz que o segredo \u00e9 \u201c\u2018n\u00e3o mostrar medo\u2019 e n\u00e3o fechar a fronteira\u201d. MM \u201choje colabora com o ICE, no \u00e2mbito do processo N\u00f3mada, como consultora e metod\u00f3loga, e espera que a chamem para defender o doutoramento\u2026 sobre as mudan\u00e7as na comunidade cigana desde o 25 de abril de 1974. Dos 20 anos de conviv\u00eancia, fica-lhe uma certeza, que \u00e9 tamb\u00e9m uma cr\u00edtica: \u2018N\u00f3s n\u00e3o sabemos valorizar a parte positiva da cultura deles. (\u2026) Eles sabem mais de n\u00f3s do que n\u00f3s deles e n\u00f3s n\u00e3o queremos saber deles porque n\u00e3o sabemos ler nas entrelinhas.\u2019\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista 2 do P\u00fablico (7 out) &#8211; ESCOLARIZA\u00c7\u00c3O Dar a cara Mirna Montenegro Na d\u00e9cada de 1990, criou o projeto N\u00f3mada para levar o ensino \u00e0s crian\u00e7as ciganas. 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