{"id":1119,"date":"2013-01-22T09:42:43","date_gmt":"2013-01-22T09:42:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2013\/01\/22\/os-ciganos-no-holocausto\/"},"modified":"2013-01-22T09:42:43","modified_gmt":"2013-01-22T09:42:43","slug":"os-ciganos-no-holocausto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/os-ciganos-no-holocausto\/","title":{"rendered":"OS CIGANOS NO HOLOCAUSTO"},"content":{"rendered":"<p>OS CIGANOS NO HOLOCAUSTO<\/p>\n<p><em>O TCHATCHIPEN (a verdade em Roman\u00f3), Revista Trimestral de Investigaci\u00f3n Gitana, editada pelo Instituto Roman\u00f2 de Servicios Sociales y Culturales, presidido por Juan de Dios Ram\u00edrez-Heredia, no seu n\u00ba 78 (Abr-Jun 2012 )tem um artigo de Ian Hancock \u201cLos rrom\u00e1 en el Holocausto\u201d que pela sua grande import\u00e2ncia a Caravana vai sintetizar neste n\u00ba. O autor \u00e9 prof. na Universidade do Texas (EUA) e director do programa de Estudos Ciganos e do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Cigana da mesma universidade.<\/em><\/p>\n<p>\u201cEm 1933 deu-se in\u00edcio a um processo que pretendia fazer uma diferencia\u00e7\u00e3o racial entre arianos e n\u00e3o arianos. O objectivo que se procurava era a aniquila\u00e7\u00e3o final de todos os judeus e os ciganos da Europa\u201d*.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria alem\u00e3 (<em>como infelizmente ao longo da hist\u00f3ria portuguesa, embora com menos refer\u00eancias ao exterm\u00ednio dos ciganos NR<\/em>), desde 1416, sucederam-se as persegui\u00e7\u00f5es, expuls\u00f5es e medidas de exterm\u00ednio e, j\u00e1 com Hitler, de esteriliza\u00e7\u00e3o dos ciganos que eram considerados como uma ra\u00e7a inferior e geneticamente delinquente a eliminar. Nos jogos ol\u00edmpicos de Berlim, distribu\u00edram-se panfletos a promover o anticiganismo; os ciganos tinham sido tirados da rua e encerrados numa lixeira de res\u00edduos t\u00f3xicos. A Solu\u00e7\u00e3o Final da Quest\u00e3o Cigana foi confirmada por um decreto de Himmler. De 12 a 18 de Junho de 1938 realizou-se a \u201csemana da limpeza cigana\u201d em que centenas de ciganos foram presos na \u00c1ustria e na Alemanha. Seguiram-se diversos decretos que visavam a erradica\u00e7\u00e3o de pessoas ciganas ou com sangue cigano, a sua esteriliza\u00e7\u00e3o e, finalmente, por decreto de Hitler de 27 de Setembro de 1939, a deporta\u00e7\u00e3o de ciganos em vag\u00f5es atrelados aos comboios de judeus. O primeiro genoc\u00eddio deu-se no in\u00edcio de 1940 com 250 crian\u00e7as ciganas, no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Buchenwald, para experimentar o g\u00e1s que mais tarde foi utuilizado em Auschwitz-Birkenau. Seguiu-se a pris\u00e3o e o envio a diversos campos de concentra\u00e7\u00e3o de dezenas de milhares de ciganos, dos quais 5.000 foram assassinados em furg\u00f5es de g\u00e1s m\u00f3veis em Kulmhof, dois ter\u00e7os dos quais eram crian\u00e7as, mil foram fuzilados e enterrados vivos em Smolensk, em 1942,\u00a0 outros foram sujeitos a experi\u00eancias de sobreviv\u00eancia em \u00e1gua do mar. Em 29 de Fevereiro de 1940 Himmler disse: \u201cos ciganos s\u00e3o um problema em si mesmos. Gostaria de poder livrar-me deles por completo durante este ano, se poss\u00edvel\u201d. Os assassinatos de ciganos por nazis estenderam-se \u00e0 Gr\u00e9cia (onde por cada v\u00edtima alem\u00e3 foram assassinados 50 ciganos), S\u00e9rvia (onde o Governador Militar anunciou que \u201ca S\u00e9rvia era o \u00fanico pa\u00eds em que o problema judeu e o problema cigano tinham sido resolvidos\u201d), Cro\u00e1cia (onde entre 80.000 e 100.000 ciganos foram mortos pela pol\u00edcia nazi, a maioria no campo de Jasenovac) e noutros pa\u00edses do Leste. Himmler chegou a pedir dados sobre a popula\u00e7\u00e3o cigana da Gr\u00e3 Bretanha, \u00e0 espera da ocupa\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds. Em 1943 o maior contingente de ciganos polacos foram exterminados em Birkenau. Em 1944 mais de 3.000 ciganos, entre os quais muitas crian\u00e7as, foram assassinados e incinerados ou gaseados em Auschwitz.<\/p>\n<p>Nenhum cigano foi chamado a testemunhar pelo seu pr\u00f3prio povo no Julgamento de Nuremberg que come\u00e7ou em Outubro de 1945. \u201cAs estimativas actuais indicam que entre um milh\u00e3o e um milh\u00e3o e meio de ciganos morreram durante o per\u00edodo de 1933 e 1945. Se esta estimativa \u00e9 correcta, entre 50 e 75% da totalidade da popula\u00e7\u00e3o cigana da Europa nazi ter\u00e1 morrido \u00e0s m\u00e3os dos nazis, v\u00edtimas da pol\u00edtica genocida por motivos raciais.\u201d No Julgamento de Nuremberg, o ex general das SS, Ohlendorf afirmou que \u201cnas campanhas de assassinato \u2018n\u00e3o houve diferen\u00e7a entre ciganos e judeus\u2019.\u201c Em 1988 o Governo da Alemanha de Leste anunciou o pagamento de indemniza\u00e7\u00f5es de 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares aos sobreviventes judeus, mas negou-se a pagar nada aos sobreviventes ciganos. Finalmente em 12 de Abril de 1990 o Governo da Alemanha de Leste pediu desculpas pela \u201cdor incomensur\u00e1vel\u201d que o regime nacional socialista tinha infringido \u00e0s sua v\u00edtimas, incluindo os ciganos.<\/p>\n<p>* Herbert Heuss, <em>De la \u201cciencia racial\u201d a los campos: Los gitanos durante la Segunda Guerra Mundial. <\/em>University of Hertfordshire Press, p. 27.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS CIGANOS NO HOLOCAUSTO O TCHATCHIPEN (a verdade em Roman\u00f3), Revista Trimestral de Investigaci\u00f3n Gitana, editada pelo Instituto Roman\u00f2 de Servicios Sociales y Culturales, presidido por Juan de Dios Ram\u00edrez-Heredia, no seu n\u00ba 78 (Abr-Jun 2012 )tem um artigo de Ian Hancock \u201cLos rrom\u00e1 en el Holocausto\u201d que pela sua grande import\u00e2ncia a Caravana vai [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1119","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-internacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1119\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}