{"id":1130,"date":"2013-05-07T08:03:10","date_gmt":"2013-05-07T08:03:10","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2013\/05\/07\/comunidades-ciganas-quanto-valem-sete-anos-contra-seculos-de-exclusao\/"},"modified":"2013-05-07T08:03:10","modified_gmt":"2013-05-07T08:03:10","slug":"comunidades-ciganas-quanto-valem-sete-anos-contra-seculos-de-exclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/comunidades-ciganas-quanto-valem-sete-anos-contra-seculos-de-exclusao\/","title":{"rendered":"P\u00fablico (7 abr) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>P\u00fablico <\/strong>(7 abr) &#8211; DIVERSOS<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Comunidades ciganas: quanto valem sete anos contra s\u00e9culos de exclus\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p><em>A estrat\u00e9gia para a inclus\u00e3o pedida pela Comiss\u00e3o Europeia est\u00e1 desenhada e aprovada, mas as expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao sucesso do empreendimento s\u00e3o baixas. O fosso cavado entre ciganos e n\u00e3o-ciganos \u00e9 \u201cimenso\u201d \u2013 artigo de Gra\u00e7a Ribeiro<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Olga Mariano (OM), Presidente da Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas (AMUCIP) refere que basta uma cigana num supermercado mexer em alguma coisa, pondo-a novamente no lugar, que isso desperta de imediato a vigil\u00e2ncia e a desconfian\u00e7a contagia-se a outros clientes. E isso repete-se v\u00e1rias vezes por dia, nas mais diversas circunst\u00e2ncias. Pretende assim, a dirigente da AMUCIP mostrar porque \u00e9 que os sete anos previstos para a Estrat\u00e9gia Nacional para a Integra\u00e7\u00e3o das Comunidades Ciganas (ENICC) n\u00e3o provocou grandes manifesta\u00e7\u00f5es de alegria. \u201cOs sete anos e as muitas medidas previstas na ENICC s\u00e3o insuficientes, tendo em conta o muito que \u00e9 preciso mudar para que se possa falar de integra\u00e7\u00e3o\u201d, corrobora o Presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Ciganas de Portugal (FECALP), Ant\u00f3nio Pinto Nunes (APN).<\/p>\n<p>Os dois dirigentes n\u00e3o questionam o documento produzido com metas e medidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Emprego, Habita\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade e n\u00e3o sobrevalorizam o facto de o financiamento comunit\u00e1rio previsto de mais de 350 milh\u00f5es de euros, n\u00e3o estar garantido. A popula\u00e7\u00e3o cigana calcula-se entre 40 a 60 mil: a etnia n\u00e3o \u00e9 uma vari\u00e1vel nos censos e o primeiro estudo sobre a situa\u00e7\u00e3o social, econ\u00f3mica e cultural das comunidades ciganas n\u00e3o passa, ainda, de uma inten\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que faz parte das medidas previstas pela ENICC.<\/p>\n<p>OM e APN reclamam a participa\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o dos fundos e de alguns dos projetos que venham a ser desenvolvidos, para al\u00e9m da presen\u00e7a, j\u00e1 prevista, no Conselho Consultivo a criar, e ao qual caber\u00e1 monitorizar, adaptar e avaliar a implementa\u00e7\u00e3o a ENICC, como \u201cum meio de envolver as comunidades ciganas e, principalmente, de contribuir para a sua credibiliza\u00e7\u00e3o junto dos n\u00e3o-ciganos\u201d. \u201cSe n\u00e3o for o Estado a mostrar que confia em n\u00f3s para agarrarmos o nosso pr\u00f3prio destino, como \u00e9 que as coisas h\u00e3o-de mudar?\u201d, argumenta Bruno Gon\u00e7alves (BG), Presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Ciganos de Coimbra.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas, OM, APN e BG, sabem, no entanto, que em qualquer caso, as coisas v\u00e3o mudar \u201cmuito devagar\u201d. O mesmo admite o Secret\u00e1rio de Estado Adjunto do Ministro dos Assuntos Parlamentares, Feliciano Barreiras Duarte, que coordenou o desenho da estrat\u00e9gia: \u201cEu diria que o Conselho Europeu foi s\u00e1bio ao n\u00e3o restringir o prazo expect\u00e1vel destes planos \u00e0quele que, normalmente, corresponde ao das legislaturas dos governos (quatro anos). Espero que estes sete anos sejam um marco para os sete anos subsequentes em que, julgo, ainda continuar\u00e3o a ser necess\u00e1rias medidas espec\u00edficas para a inclus\u00e3o destes cidad\u00e3os portugueses\u201d.<\/p>\n<p>Francisco Monteiro (FM), Diretor Executivo da ONPC, concorda que este \u201c\u00e9 um trabalho para v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es\u201d, afirmando-se preocupado \u201ccom o fosso imenso que ao longo de s\u00e9culos se cavou entre as comunidades ciganas e os restantes portugueses\u201d. Sandra Ara\u00fajo (SA), Diretora Executiva da representa\u00e7\u00e3o portuguesa da Rede Europeia Anti-Pobreza, concorda. Fala dos \u201calt\u00edssimos muros\u201d que separam uns e outros e do \u201cesfor\u00e7o tremendo\u201d que ser\u00e1 necess\u00e1rio para os derrubar. Por isso, est\u00e3o previstas in\u00fameras ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o e de sensibiliza\u00e7\u00e3o, dirigidas a ciganos e n\u00e3o-ciganos e, em particular, \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a e aos t\u00e9cnicos dos servi\u00e7os de a\u00e7\u00e3o social e de promo\u00e7\u00e3o do emprego que lidam diretamente com as comunidades ciganas. OM e APN consideram que nada ser\u00e1 suficiente para quebrar aquilo que o documento designa de \u201cdesconfian\u00e7a m\u00fatua\u201d. Gabriela, v\u00e1rias vezes escondeu a etnia a que pertence, trocando as roupas de que gosta por outras, mais discretas, para conseguir empregos tempor\u00e1rios. BG s\u00f3 viu a casa que alugaria depois de o contrato ser feito por terceiros, para n\u00e3o assustar mais um senhorio e conseguir ter um teto. Os vizinhos receberam-no fechando as portas e janelas por causa dos roubos.<\/p>\n<p>FM afirma que \u201cmuitos dos que dizem \u2018retire-se o rendimento social de inser\u00e7\u00e3o aos ciganos, que n\u00e3o querem trabalhar\u2019 s\u00e3o os mesmos que lhes negam emprego por serem ciganos\u201d. \u201cSomos o que a sociedade permite que sejamos. H\u00e1 quem se torne agressivo por instinto de autodefesa, h\u00e1 quem roube porque n\u00e3o tem outra maneira de obter meios de sustento\u201d, acrescenta APN. \u201cE se acontecer? Se algu\u00e9m de apelido Sousa roubar, estabelecemos que todos os Sousas roubam?\u201d, acrescenta FM.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo Gabriel Pereira Bastos (GPB), professor da Universidade Nova de Lisboa, tem denunciado a \u201cciganofobia generalizada\u201d. Depois da compila\u00e7\u00e3o de 10 investiga\u00e7\u00f5es relacionadas com as comunidades ciganas, publicada no ano passado, GPB\u00a0 publicou esta semana um texto em que critica o desenho da ENICC, afirmando que se devia prever at\u00e9 2020 a promo\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os representativos e descentralizados, com fun\u00e7\u00e3o consultiva e participante, como seja um Conselho Consultivo dos Portugueses Ciganos, com representa\u00e7\u00e3o nas cinco regi\u00f5es-plano e nos munic\u00edpios com maior concentra\u00e7\u00e3o \u00e9tnica\u201d.GPB admite que os elementos da comunidade cigana t\u00eam dificuldade em organizar-se em associa\u00e7\u00f5es e em conciliar posi\u00e7\u00f5es. APN refere o esp\u00edrito de cl\u00e3 para explicar algum isolamento. Tanto APN como BG e OM concordam com a necessidade, sublinhada na ENICC, de assegurar que as crian\u00e7as e jovens cumpram a escolaridade obrigat\u00f3ria, com destaque para as meninas que segundo a tradi\u00e7\u00e3o, devem ser retiradas da escola quando chega a puberdade; BG e OM cr\u00eaem que tal situa\u00e7\u00e3o pode ser alterada coma generaliza\u00e7\u00e3o das figuras dos mediadores, ciganas e ciganos adultos, nas escolas.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas dirigentes est\u00e3o preocupados com as dificuldades de acesso ao emprego. BG gostava que o Governo apostasse na discrimina\u00e7\u00e3o positiva e na oferta de isen\u00e7\u00f5es fiscais \u00e0s empresas que aceitassem integrar ciganos nos seus quadros. Os tr\u00eas concordam, e tamb\u00e9m SA, FM e GPB, que a prioridade das prioridades \u00e9 tirar das barracas quem nelas vive ainda. Em s\u00edntese, os seis est\u00e3o de acordo num aspeto: sete anos \u00e9 pouco tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00fablico (7 abr) &#8211; DIVERSOS\u00a0 Comunidades ciganas: quanto valem sete anos contra s\u00e9culos de exclus\u00e3o? A estrat\u00e9gia para a inclus\u00e3o pedida pela Comiss\u00e3o Europeia est\u00e1 desenhada e aprovada, mas as expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao sucesso do empreendimento s\u00e3o baixas. 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