{"id":1151,"date":"2013-07-17T08:03:18","date_gmt":"2013-07-17T08:03:18","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2013\/07\/17\/chegar-a-casa\/"},"modified":"2013-07-17T08:03:18","modified_gmt":"2013-07-17T08:03:18","slug":"chegar-a-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/chegar-a-casa\/","title":{"rendered":"Cais (abril) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cais (abril)<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Chegar a casa<\/span><\/p>\n<p><em>Cresceram e viveram sempre em tendas e em acampamentos. Passaram frio e sabem o que d\u00f3i serem expulsos de um lugar, pela pol\u00edcia e pela popula\u00e7\u00e3o. Conhecem de perto a palavra discrimina\u00e7\u00e3o pelo simples facto de pertencerem a uma etnia minorit\u00e1ria, na nossa sociedade. Zuca e M\u00f3nica <\/em>(Z e M)<em> s\u00e3o dois jovens, marido e mulher, residentes numa povoa\u00e7\u00e3o dos arredores de \u00c9vora.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Z e M vivem da cria\u00e7\u00e3o e venda de animais. Andr\u00e9, antrop\u00f3logo que acompanhou de perto esta fam\u00edlia e com quem criou la\u00e7os de amizade, disse \u00e0 Cais que \u201cos ciganos n\u00e3o s\u00e3o uma comunidade mas sim v\u00e1rias. S\u00e3o diversos cl\u00e3s com alguns princ\u00edpios e tradi\u00e7\u00f5es em comum, mas cada um \u00e9 independente dos restantes. Estes cl\u00e3s s\u00e3o quase sempre formados por la\u00e7os de sanguinidade e essa independ\u00eancia acontece quase sempre com o casamento.\u201d<\/p>\n<p>Z e M casaram por amor e quiseram ter filhos, mas n\u00e3o queriam dar-lhes a inf\u00e2ncia dif\u00edcil que ambos tiveram.<\/p>\n<p>A procura de casa foi um processo longo e doloroso, pois ningu\u00e9m os aceitava. Andr\u00e9, que os acompanhou, diz que \u201cas pessoas nunca lhes diziam que era por serem ciganos, mas essas coisas sentem-se.\u201dAcabaram por conseguir alugar uma casa a um senhor que j\u00e1 os conhecia e que confiava neles. Sentem-se bem na terra onde vivem e s\u00e3o bem acolhidos pela popula\u00e7\u00e3o, mas dizem sentir um sabor amargo por terem sido rejeitados de \u00c9vora. Z e M e os seus familiares \u201csempre tiveram problemas com a popula\u00e7\u00e3o de \u00c9vora\u201d.<\/p>\n<p>Os ciganos sentem um apego grande ao lugar onde cresceram. Fala-se muito de nomadismo, mas Andr\u00e9 explica que \u201co termo nem sempre \u00e9 bem aplicado pelo simples facto de que muitas vezes estas comunidades s\u00e3o for\u00e7adas a mudar pelas autoridades.\u201d Este antrop\u00f3logo refere ainda que muitas vezes os ciganos deslocam-se \u201csazonalmente e t\u00eam uma rota bem definida dos s\u00edtios onde t\u00eam de passar e de quanto tempo ir\u00e3o permanecer neles, existindo sempre a vontade ou a certeza do regresso \u00e0 terra que dizem sua.\u201d<\/p>\n<p>Z e M conseguem retirar \u201co melhor dos dois mundos, preservam a maioria das tradi\u00e7\u00f5es da sua etnia, como o respeito pelos mais velhos, o facto de trabalharem juntos, de terem casado segundo os costumes ciganos e de terem tido sempre vontade de terem filhos.\u201d<\/p>\n<p>Ambos t\u00eam amigos ciganos e n\u00e3o ciganos e orgulham-se disso; sempre tiveram como ambi\u00e7\u00e3o \u201cdeixarem de viver em tendas e dar escolaridade \u00e0s filhas\u201d. Vivem numa casa alugada h\u00e1 cerca de 4 anos, passam fome e frio e n\u00e3o sabem se algum dia v\u00e3o voltar a viver em tendas, mas afirmam que:\u00a0 \u201c\u00e9 t\u00e3o bom chegar a casa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cais (abril) Chegar a casa Cresceram e viveram sempre em tendas e em acampamentos. Passaram frio e sabem o que d\u00f3i serem expulsos de um lugar, pela pol\u00edcia e pela popula\u00e7\u00e3o. Conhecem de perto a palavra discrimina\u00e7\u00e3o pelo simples facto de pertencerem a uma etnia minorit\u00e1ria, na nossa sociedade. 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