{"id":1220,"date":"2014-07-10T08:09:05","date_gmt":"2014-07-10T08:09:05","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2014\/07\/10\/como-obrigar-criancas-ciganas-a-ir-a-escola\/"},"modified":"2014-07-10T08:09:05","modified_gmt":"2014-07-10T08:09:05","slug":"como-obrigar-criancas-ciganas-a-ir-a-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/como-obrigar-criancas-ciganas-a-ir-a-escola\/","title":{"rendered":"P\u00fablico (12 mai) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>P\u00fablico <\/strong>(12 mai)<strong><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Como obrigar crian\u00e7as ciganas a ir \u00e0 escola?<\/span><\/p>\n<p><em>Centro de Estudos Judici\u00e1rios incluiu o tema nas a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua deste ano<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9 Casa-Nova (MCN), professora da Universidade do Minho, afirma que \u201calgo est\u00e1 a mudar no ponto de vista dos magistrados portugueses sobre a possibilidade de conciliar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e o direito \u00e0 identidade cultural das crian\u00e7as e jovens das comunidades ciganas, como h\u00e1 pouco reclamou o Grupo Consultivo para a Integra\u00e7\u00e3o das Comunidades Ciganas\u201d (CONCIG do ACIDI).<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, o P\u00fablico contou a hist\u00f3ria de uma rapariga de 13 anos que engravidou e deixou de aparecer na Escola 2, 3 de Carteado Mena, Viana do Castelo. O diretor alertou a Comiss\u00e3o da Prote\u00e7\u00e3o de Crian\u00e7as e Jovens, mas a menina recusou a interven\u00e7\u00e3o. O processo seguiu para tribunal, mas \u201ca procuradora decidiu arquiv\u00e1-lo argumentando: \u2018Atento o meio cultural em que esta menor se insere, n\u00e3o existe qualquer medida de promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o que se adeq\u00fae\u2019\u201d. Na altura, MCN indignou-se, considerando que \u201co ac\u00f3rd\u00e3o revelava uma total desresponsabiliza\u00e7\u00e3o judicial e social\u201d, que tinha \u201csubjacente uma discrimina\u00e7\u00e3o negativa\u201d decorrente de um \u201cracismo paternalista n\u00e3o assertivo\u201d que MCN considera ser um \u201cracismo subtil\u201d que lhe parece fazer parte do quotidiano.\u201d<\/p>\n<p>A Procuradoria-Geral de Lisboa suscitou exemplos concretos aos magistrados, \u201cpara iniciar uma reflex\u00e3o sobre o modo como o Minist\u00e9rio P\u00fablico lida com meninas de etnia cigana que abandonam a escola.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Centro de Estudos Judici\u00e1rios incluiu o tema nas ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua deste ano. Na sess\u00e3o, transmitida para diversas partes do pa\u00eds,\u201d e em que \u201cparticiparam magistrados, psic\u00f3logos e assistentes sociais,\u201d alguns argumentaram que \u201cde nada serve aplicar uma medida que nunca seria cumprida.\u201d A \u00fanica forma de uma rapariga cigana ir \u00e0 escola seria, \u201cna opini\u00e3o de alguns, retir\u00e1-la \u00e0 fam\u00edlia e coloc\u00e1-la num lar de inf\u00e2ncia e juventude o que seria ainda mais penoso.\u201d<\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9 Magalh\u00e3es (MJM), formadora, explicou que nas comunidades ciganas, as raparigas dizem ter \u201cvontade de estudar e s\u00e3o mais cedo \u201corientadas\u201d para o abandono. As fam\u00edlias receiam que elas percam a virgindade, o que as desonraria e as deixaria sem marido.\u201d Assim, MJM considera que \u00e9 preciso diversificar o acesso ao ensino, como por exemplo, \u201catrav\u00e9s do ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, do ensino em casa ou em centros de explica\u00e7\u00f5es.\u201d \u201cUma outra hip\u00f3tese seria criar turmas de raparigas ciganas e n\u00e3o-ciganas, com n\u00edvel de exig\u00eancia igual ao de qualquer outra turma.\u201d \u201cEm Lisboa j\u00e1 houve um procurador que decidiu for\u00e7ar a ida de uma crian\u00e7a cigana \u00e1 escola. Os pais puseram-na num centro de explica\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00fablico (12 mai) Como obrigar crian\u00e7as ciganas a ir \u00e0 escola? 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