{"id":124,"date":"2004-04-23T00:00:00","date_gmt":"2004-04-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2004\/04\/23\/bi-boletim-informativo-13-acime-dez-diversos\/"},"modified":"2004-04-23T00:00:00","modified_gmt":"2004-04-23T00:00:00","slug":"bi-boletim-informativo-13-acime-dez-diversos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/bi-boletim-informativo-13-acime-dez-diversos\/","title":{"rendered":"BI &#8211; Boletim Informativo #13 &#8211; ACIME (Dez) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p>Um di\u00e1logo a v\u00e1rias vozes: Desconstruindo alguns estere\u00f3tipos acerca dos ciganos<br \/>\n<!--more--><br \/>\nBI &#8211; Boletim Informativo #13 &#8211; ACIME (Dez)<br \/>\nUm di\u00e1logo a v\u00e1rias vozes:<br \/>\nDesconstruindo alguns estere\u00f3tipos acerca dos ciganos<br \/>\nCompletamos a not\u00edcia iniciada no n\u00ba 31.<br \/>\nA autora, Maria Jos\u00e9 Casa-Nova, come\u00e7a por apresentar o estere\u00f3tipo de que &#8220;os ciganos n\u00e3o trabalham, vivem de expedientes&#8221;, sublinhando, contudo, que &#8220;os ciganos exercem actividade profissional, mas apresentam uma rela\u00e7\u00e3o com o trabalho que difere da forma de o perspectivar pela sociedade maiorit\u00e1ria&#8221;. N\u00e3o \u00e9, na maior parte dos casos, um trabalho assalariado, mas &#8220;\u00e9 um tipo de actividade que podem desenvolver de forma intermitente, com uma possibilidade de escolha relativa quanto a hor\u00e1rios e dias de trabalho (&#8230;) mas tamb\u00e9m de alguma imprevisibilidade econ\u00f3mica, que por sua vez gera alguma incerteza quotidiana no que concerne \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades de (sobre)viv\u00eancia&#8221;.<br \/>\n&#8220;Os ciganos fazem o que querem, n\u00e3o t\u00eam regras nem valores&#8221;, \u00e9 o segundo estereotipo apresentado por esta investigadora do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o da Universidade do Minho, onde salienta o facto de os ciganos n\u00e3o estarem &#8220;condicionados pelas normas e valores prevalecentes na cultura socialmente dominante&#8221;. E justifica o mesmo por os ciganos possu\u00edrem &#8220;o seu pr\u00f3prio sistema de valores expresso na chamada &#8220;Lei Cigana&#8221;.<br \/>\n&#8220;Os ciganos n\u00e3o gostam da escola&#8221;, \u00e9 um estereotipo que n\u00e3o \u00e9 totalmente verdade, j\u00e1 que segundo Maria Jos\u00e9 Casa-Nova, o que se passa na realidade \u00e9 &#8220;que uma parte significativa das comunidades ciganas n\u00e3o se interessam pela escola&#8221;, motiva\u00e7\u00e3o essa que n\u00e3o existe &#8220;por ainda n\u00e3o lhe ter encontrado o necess\u00e1rio significado e interesse dentro do seu sistema de valores e modos de vida&#8221;. Mas esta falta de interesse tamb\u00e9m se deve ao facto de a Escola, enquanto institui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o se interessar por eles. Este estereotipo leva a outro que \u00e9: &#8220;as crian\u00e7as ciganas apresentam um elevado insucesso escolar&#8221;. Mas este estereotipo s\u00f3 seria verdadeiro se as crian\u00e7as ciganas frequentassem a escola com os n\u00edveis de assiduidade das restantes crian\u00e7as. Todavia, sabemos que isso n\u00e3o \u00e9 verdade.<br \/>\nO \u00faltimo estereotipo apresentado \u00e9 o da constru\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o entre diferentes, que s\u00f3 poder\u00e1 acontecer &#8220;numa compreens\u00e3o do sistema de valores que informa e enforma os comportamentos desse &#8216;Outro&#8217;, que s\u00f3 pode ser compreendido se tiver subjacente o seu conhecimento e n\u00e3o se conhece com base em estere\u00f3tipos, nem mantendo o &#8216;Outro&#8217; \u00e0 dist\u00e2ncia do medo, da inseguran\u00e7a, da superioridade ou&#8230;&#8221; E conclui sublinhando que &#8220;o processo de integra\u00e7\u00e3o, para ser real, n\u00e3o pode ser considerado &#8216;sin\u00f3nimo de subordina\u00e7\u00e3o a um grupo social e cultural maiorit\u00e1rio, [mas] como um processo horizontal de influ\u00eancias rec\u00edprocas entre todos os grupos socioculturais. Caber\u00e1 a cada um de n\u00f3s transformar &#8216;as utopias, enquanto lugares de constru\u00e7\u00e3o&#8217;, em realidades intercambiantes, produtoras de uma igualdade praticada&#8221;. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um di\u00e1logo a v\u00e1rias vozes: Desconstruindo alguns estere\u00f3tipos acerca dos ciganos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-124","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciganos-sao-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}