{"id":1275,"date":"2015-01-16T14:59:53","date_gmt":"2015-01-16T14:59:53","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2015\/01\/16\/pode-o-combate-ao-insucesso-justificar-a-separacao-de-alunos-por-etnia\/"},"modified":"2015-01-16T14:59:53","modified_gmt":"2015-01-16T14:59:53","slug":"pode-o-combate-ao-insucesso-justificar-a-separacao-de-alunos-por-etnia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/pode-o-combate-ao-insucesso-justificar-a-separacao-de-alunos-por-etnia\/","title":{"rendered":"P\u00fablico (25 set) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>P\u00fablico (25 set)<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Pode o combate ao insucesso justificar a separa\u00e7\u00e3o de alunos por etnia?<\/span><\/p>\n<p><em>O caso da turma de ciganos, em Tomar, \u00e9 de duvidosa constitucionalidade, diz alto-comiss\u00e1rio para as Migra\u00e7\u00f5es. Fomos conhecer outros. Mas h\u00e1 quem fale de experi\u00eancias bem-sucedidas (ver CARAVANA 74 \u2013 Ciganos s\u00e3o not\u00edcia)<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A Escola B\u00e1sica do 1\u00ba ciclo dos Templ\u00e1rios, em Tomar, constituiu uma turma com 14 alunos de etnia cigana, entre os 7 e os 14 anos. As fam\u00edlias revoltaram-se. Mas a pergunta surge: \u201c\u00e9 ou n\u00e3o leg\u00edtimo criar turmas com alunos de uma \u00fanica etnia?\u201d<\/p>\n<p>Pedro Calado (PC), alto-comiss\u00e1rio para as Migra\u00e7\u00f5es, que ainda aguarda explica\u00e7\u00f5es da escola, diz que a separa\u00e7\u00e3o, tal como ela aconteceu em Tomar, \u00e9, \u201c\u00e0 luz da Constitui\u00e7\u00e3o Portuguesa, francamente question\u00e1vel.\u201d Contudo, um relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o de \u00c9tica do Parlamento, de 2009, dava conta de que alguns estabelecimentos que ensaiaram experi\u00eancias do g\u00e9nero e conseguiram uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do abandono escolar\u201d. Maria do Ros\u00e1rio Carneiro, que redigiu o Relat\u00f3rio do Parlamento sobre os portugueses ciganos, fala de um dilema e diz que deve ser algo que se trata de uma \u201cexperi\u00eancia transit\u00f3ria\u201d, muito bem fundamentada, caso contr\u00e1rio, corre o risco de ser inconstitucional; acrescenta que para haver uma turma destas, ela tem que ser \u201cexcelente em recursos, em acompanhamento, em avalia\u00e7\u00e3o, em tudo! A discrimina\u00e7\u00e3o positiva tem de ser sempre de excel\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>PC considera que \u201cem situa\u00e7\u00f5es extremas, quando tudo o resto falhou, para evitar o abandono ou o insucesso repetido, a separa\u00e7\u00e3o de alunos pode aceitar-se.\u201d Mas tamb\u00e9m estabelece condi\u00e7\u00f5es tais como todas as partes estarem de acordo, incluindo as fam\u00edlias. E acrescenta: \u201cn\u00e3o podem ser solu\u00e7\u00f5es que se perpetuam no tempo, t\u00eam de ser tempor\u00e1rias e o objectivo tem de ser a integra\u00e7\u00e3o do grupo minorit\u00e1rio [os alunos ciganos] no grupo maiorit\u00e1rio\u201d. PC diz que \u201ch\u00e1 boas pr\u00e1ticas\u201d em turmas de programas alternativos para jovens adultos.<\/p>\n<p>O P\u00fablico procurou algumas escolas com projetos espec\u00edficos para alunos ciganos; \u201cos dirigentes escolares enaltecem-lhes as virtudes\u201d. Luiza Cortes\u00e3o (LC), professora em\u00e9rita da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto, especialista em problem\u00e1ticas interculturais, afirma que \u201c\u00e9 bastante frequente as escolas separarem os meninos por etnia, ou s\u00f3 os repetentes ou s\u00f3 os que perturbam mais. Mas \u00e9 preciso abolir isto, porque \u00e9 uma discrimina\u00e7\u00e3o\u201d. E defende que \u201c\u00e9 preciso dar forma\u00e7\u00e3o aos professores para atenderem \u00e0 diversidade\u201d.<\/p>\n<p>A <em>Estrat\u00e9gia Nacional para a integra\u00e7\u00e3o das Comunidades Ciganas<\/em> (publicada em 2013) prev\u00ea a produ\u00e7\u00e3o anual de um relat\u00f3rio sobre a situa\u00e7\u00e3o escolar dos alunos de etnia cigana. Sabe-se que o insucesso destas crian\u00e7as \u00e9 elevado por fatores v\u00e1rios. Nalguns casos, as turmas \u00e9tnicas tiveram como resultado a \u201credu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do abandono, do absentismo, da conflitualidade, o progressivo sucesso escolar e alguma integra\u00e7\u00e3o na restante comunidade escolar. Muitos pais de etnia cigana sentem que os filhos est\u00e3o mais protegidos assim. \u201cOutros contestam a separa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Ant\u00f3nio Pinto Nunes, membro do Grupo Consultivo para a Integra\u00e7\u00e3o das Comunidades Ciganas, que funciona junto do Alto Comissariado, estes argumentos n\u00e3o convencem. \u00c9 contra a separa\u00e7\u00e3o. E acusa a escola de Tomar de discriminar os ciganos.\u201d<\/p>\n<p>PC n\u00e3o acredita que tenha existido um intuito discriminat\u00f3rio na escola de Tomar. Pedro Ribeiro disse ao P\u00fablico que \u201ca ideia \u00e9 apostar\u201d nestes alunos.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia j\u00e1 pediu mais informa\u00e7\u00f5es \u00e0 escola. PC diz que \u201cse uma das partes n\u00e3o est\u00e1 satisfeita como \u00e9 o caso, ainda temos de ser mais cr\u00edticos\u201d. \u201cH\u00e1 princ\u00edpios que n\u00e3o se podem perder de vista\u201d: as comunidades t\u00eam direito \u00e0 sua identidade cultural, mas a sociedade maiorit\u00e1ria tem o dever de promover a mistura cultural\u201d.<\/p>\n<p>LC acredita que se n\u00e3o h\u00e1 mais queixas \u00e9 porque a discrimina\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o entranhada que as pessoas n\u00e3o reivindicam mais igualdade\u201d.<\/p>\n<p>Recorda uma escola que acompanhou onde havia uma turma s\u00f3 de alunos que tinha um hor\u00e1rio distinto dos outros para fazer as refei\u00e7\u00f5es no refeit\u00f3rio. A escola dizia que assim se sentiam mais \u00e0 vontade. N\u00e3o houve um \u00fanico pai desses alunos que protestasse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00fablico (25 set) Pode o combate ao insucesso justificar a separa\u00e7\u00e3o de alunos por etnia? 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