{"id":1310,"date":"2015-04-17T11:10:17","date_gmt":"2015-04-17T11:10:17","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2015\/04\/17\/vergonha\/"},"modified":"2015-04-17T11:10:17","modified_gmt":"2015-04-17T11:10:17","slug":"vergonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/vergonha\/","title":{"rendered":"VERGONHA"},"content":{"rendered":"<p>EDITORIAL<\/p>\n<p>VERGONHA<\/p>\n<p>A not\u00edcia do Expresso de 28 de Mar\u00e7o sobre ciganos n\u00f3madas no Alentejo, not\u00edcia que a Caravana refere na rubrica Ciganos s\u00e3o Not\u00edcia deste n\u00ba, \u00e9 uma vergonha para Portugal, uma vergonha para o Estado Portugu\u00eas, uma vergonha para o Governo Portugu\u00eas, uma vergonha para a Igreja local, uma vergonha para os crist\u00e3os e para os cat\u00f3licos portugueses, todos irmanados na indiferen\u00e7a que o Papa Francisco tanto estigmatiza; \u00e9 ainda, mais explicitamente uma vergonha para o IHRU, para os Munic\u00edpios e para a GNR do Alentejo por onde estas pessoas s\u00e3o for\u00e7adas a deambular, ao abrigo de regulamentos municipais in\u00edquos que limitam a perman\u00eancia destas pessoas a 72 horas no mesmo local, obrigando dezenas de cidad\u00e3os portugueses a moverem-se continuamente de terra em terra, por n\u00e3o lhes ser reconhecido o direito de perten\u00e7a a localidades onde a maior parte deles nasceu e onde vive h\u00e1 longos anos, s\u00f3 porque n\u00e3o t\u00eam dinheiro para comprar a terra que pisam ou uma casa que os albergue.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Onde \u00e9 que est\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia nacional para a integra\u00e7\u00e3o das comunidades ciganas, no eixo da habita\u00e7\u00e3o, que o Governo aprovou em Abril de 2013, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o dois anos? Os Partidos pol\u00edticos a que estas C\u00e2maras municipais pertencem n\u00e3o t\u00eam vergonha de terem \u00e0 frente das C\u00e2maras pessoas insens\u00edveis, desumanas, que exercem este tipo de viol\u00eancia contra os seus mun\u00edcipes, s\u00f3 porque estes n\u00e3o podem auto-sustentar-se? E as multas de 200 euros que os \u201cculpados\u201d por existirem n\u00e3o t\u00eam para comer? E queixamo-nos n\u00f3s de tantas viol\u00eancias que existem por este mundo fora: e esta viol\u00eancia por parte de pessoas que se dizem e consideram civilizadas para com concidad\u00e3os seus? \u00c0s for\u00e7as da ordem n\u00e3o lhes pesa a consci\u00eancia por implementarem leis que nunca pessoa humana digna deste nome deveria ter escrito? \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 N\u00e3o se conseguem arranjar neste pa\u00eds fundos para realojar os estimados cerca de 4000 ciganos n\u00f3madas \u00e0 for\u00e7a? Como corajosamente se lan\u00e7ou h\u00e1 poucas d\u00e9cadas o Plano de Erradica\u00e7\u00e3o de Barracas com t\u00e3o boas consequ\u00eancias para tantos milhares de fam\u00edlias? Um plano de erradica\u00e7\u00e3o do nomadismo for\u00e7ado em que todos os que est\u00e3o nesta situa\u00e7\u00e3o desumana tenham um tecto, uma estabilidade, alguma dignidade na vida?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Governo, a Assembleia da Rep\u00fablica e a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios deveriam decretar de imediato 72 dias de suspens\u00e3o das posturas municipais que obrigam portugueses a mudar constantemente do poiso onde vivem, para depois tratar de revogar definitivamente, como a escravatura foi revogada e o colonialismo desapareceu do mapa, as leis nacionais que permitem \u00e0s C\u00e2maras municipais a elabora\u00e7\u00e3o dessas posturas e as pr\u00f3prias posturas de mobilidade for\u00e7ada, sejam elas quais forem.<\/p>\n<p>Um dos pilares da Uni\u00e3o Europeia \u00e9 a livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas e bens: em Portugal, neste Portugal que se diz europeu e crist\u00e3o, permitem-se e implacavelmente se cumprem leis que <span style=\"text-decoration: underline;\">obrigam<\/span> concidad\u00e3os a circularem contra a sua vontade! Os sites das C\u00e2maras municipais que mostram tudo o que \u00e9 atractivo e moderno nos seus munic\u00edpios deviam fazer corar de vergonha quem os fez e os mant\u00e9m ao ignorarem intencionalmente os cancros sociais com os quais os mesmos munic\u00edpios convivem e que longe de tentar resolver,\u00a0 fomentam \u2013\u00a0 (i)legalmente!<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 tempo de dizermos todos n\u00e3o \u00e0 vergonha de tanto sofrimento humano, escusado, que causamos \/ aceitamos \/ ignoramos?<\/p>\n<p>Por momentos esque\u00e7amos os partidos, as ideologias que para tantos s\u00e3o apenas nominais, na pr\u00e1tica faz-se o contr\u00e1rio; esque\u00e7amos os votos e as ambi\u00e7\u00f5es de poder aos quais os procedimentos que levam ao voto est\u00e3o subordinados; foquemo-nos, apenas por momentos, nas pessoas que sofrem ao nosso lado, cujo sofrimento ignoramos ou causamos conforme as nossas conveni\u00eancias: vamos tratar delas, por momentos, aliviar-lhes a dor de viverem sem saber porqu\u00ea nem para qu\u00ea; vamos evitar feri-las, exclu\u00ed-las, rejeit\u00e1-las, s\u00f3 por momentos, s\u00f3 por 72 minutos. E talvez estejamos a contribuir para um mundo novo para n\u00f3s pr\u00f3prios e para quem nos rodeia.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Almeirim<\/span><\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, numa controversa sess\u00e3o da Assembleia Municipal de Almeirim foi aprovado um loteamento industrial na Quinta da Alorna, onde viviam fam\u00edlias ciganas. Segundo a not\u00edcia sobre esta reuni\u00e3o, nem sequer se falou na exist\u00eancia de fam\u00edlias ciganas naquele local, e muito menos na import\u00e2ncia de realojar, ou pelo menos de re-situar estas fam\u00edlias \u2013 n\u00e3o eram um problema para a C\u00e2mara. Seguiram-se reuni\u00f5es em que, h\u00e1 tr\u00eas anos, a pedido da ent\u00e3o Governadora Civil de Lisboa, Dr\u00aa Dalila Ara\u00fajo, interveio o Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos que fez um levantamento da popula\u00e7\u00e3o cigana residente em Almeirim. A C\u00e2mara de Almeirim passou a conhecer todos os pormenores das fam\u00edlias ciganas l\u00e1 residentes.<\/p>\n<p>Em 8 de Abril de 1971, em Orphington, perto de Londres, teve lugar o 1\u00ba Congresso Mundial dos Ciganos. A\u00ed, os ciganos decidiram passar a chamar-se Roma e decidiram ter uma bandeira e um hino. A partir da\u00ed, o dia 8 de Abril passou a ser o Dia Internacional dos Ciganos. Pois foi precisamente no dia 8 de Abril de 2015 que a C\u00e2mara Municipal de Almeirim decidiu destruir as barracas das fam\u00edlias ciganas que viviam na Quinta da Alorna e que inclu\u00edam crian\u00e7as, uma das quais deficiente, sem lhes dar uma alternativa para se abrigarem: as fam\u00edlias tiveram que ir comprar um pl\u00e1stico para lhes servir de tecto.<\/p>\n<p>Como qualificar esta brutal desumanidade? Como repar\u00e1-la? Querer\u00e3o os respons\u00e1veis pol\u00edticos locais e nacionais e os do aparelho do Estado tomar esta atrocidade nas suas m\u00e3os e resolv\u00ea-la?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EDITORIAL VERGONHA A not\u00edcia do Expresso de 28 de Mar\u00e7o sobre ciganos n\u00f3madas no Alentejo, not\u00edcia que a Caravana refere na rubrica Ciganos s\u00e3o Not\u00edcia deste n\u00ba, \u00e9 uma vergonha para Portugal, uma vergonha para o Estado Portugu\u00eas, uma vergonha para o Governo Portugu\u00eas, uma vergonha para a Igreja local, uma vergonha para os crist\u00e3os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1310","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1310","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1310"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1310\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}