{"id":1322,"date":"2015-07-03T07:28:59","date_gmt":"2015-07-03T07:28:59","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2015\/07\/03\/visao-23-abr-cultura-cigana\/"},"modified":"2015-07-03T07:28:59","modified_gmt":"2015-07-03T07:28:59","slug":"visao-23-abr-cultura-cigana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/visao-23-abr-cultura-cigana\/","title":{"rendered":"Vis\u00e3o (23 abr) &#8211; CULTURA CIGANA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Vis\u00e3o (23 abr) &#8211; CULTURA CIGANA<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Ol\u00e9! Ou a m\u00fasica da vida<\/span><\/p>\n<p><em>A comunidade cigana de dois bairros de Matosinhos atua, pela primeira vez, na Casa da M\u00fasica, que celebra dez anos em 2015. <span style=\"text-decoration: underline;\">Romani<\/span> quer esquecer preconceitos e lembrar mem\u00f3rias e ra\u00edzes<\/em><\/p>\n<p>Na sala de ensaio da Casa da M\u00fasica (CdM), no Porto, 44 pessoas de etnia cigana de dois bairros de Matosinhos \u2013 14 da Biquinha e 30 do Seixo, aguardam vez para subir ao palco de <em>Romani<\/em>. 23 alunos finalistas do 3\u00ba ano do curso de dan\u00e7a do Balleteatro, integram o espect\u00e1culo: reproduzem preg\u00f5es a lembrar o ambiente das feiras. Faltam quatro ensaios para Romani chegar \u00e0 sala Suggia e atuar no pr\u00f3ximo dia 29. Isabel Barros, diretora art\u00edstica refere que \u201co espet\u00e1culo ainda n\u00e3o est\u00e1 cosido\u201d: &#8220;temos cenas soltas e vamos tentar uni-las. A Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Integrado de Matosinhos (ADEIMA), financiou o projeto.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em novembro, a CdM desafiou as comunidades a participarem no projeto <em>Ao Alcance de Todos; <\/em>\u201cinicialmente reagiram com desconfian\u00e7a\u201d. Lurdes Queir\u00f3s, vereadora de a\u00e7\u00e3o social de Matosinhos disse-lhes que \u201cera uma oportunidade de mostrarem a sua cultura e tradi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Jorge Prendas, coordenador do servi\u00e7o educativo da CdM, quer, sobretudo, que seja \u201cuma grande festa cigana e de inclus\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O ensaio que estava previsto durar toda a tarde foi interrompido porque Ant\u00f3nio Maria, o Tio Nabarro, patriarca de muitas das fam\u00edlias dos dois bairros, estava ser operado no hospital e era preciso orar por ele. Foi o que bastou, para, aos poucos, o grupo se desfazer.<\/p>\n<p>Entre a comunidade dos dois bairros h\u00e1 diferen\u00e7as. A do Seixo veste-se de cores fortes, camisas vincadas, sapatos de cunha e salto alto, enfeita-se com pulseiras e colares brilhantes: s\u00e3o os \u201cciganos do Culto\u201d. A Biquinha vai de chinelas, casaco de malha, camisola de algod\u00e3o: s\u00e3o \u201cos ciganos do mundo\u201d. Os primeiros pertencem \u00e0 Igreja Evang\u00e9lica Filad\u00e9lfia. Graciano Cardoso, 31 anos, com a sua mulher Tay, de 28, afirma que apenas cantar\u00e1 \u201cpara Deus\u201d, tal como acontece nas quatros sess\u00f5es semanais do Culto e nos encontros que juntam milhares de fi\u00e9is. Apesar do nervosismo, porque \u201cenfrentar o p\u00fablico e as c\u00e2maras de televis\u00e3o n\u00e3o vai ser f\u00e1cil\u201d, mas \u201cvale a pena\u201d. O casal quer romper preconceitos e mostrar que \u201co cigano tem a sua cultura pr\u00f3pria, oposta \u00e0quilo que as pessoas pensam\u201d. E d\u00e1 um exemplo: \u201cN\u00e3o h\u00e1 casamento obrigat\u00f3rio. S\u00f3 casa se gostar, se n\u00e3o gostar n\u00e3o casa. Nenhum pai casa uma filha com 12 anos! Isso \u00e9 crime.\u201d.<\/p>\n<p>Quando Jorge Queijo, diretor musical, iniciou o projecto <em>Romani<\/em>, estava \u00e0 espera que \u201ctrouxessem mais repert\u00f3rio cigano\u201d, mas a globaliza\u00e7\u00e3o chega a todo o lado. \u201cEsta comunidade \u00e9 muito citadina, ouvem quizomba, rumba\u2026 N\u00e3o sabem ler m\u00fasica, nem uma pauta, s\u00e3o m\u00fasicos intuitivos.\u201d<\/p>\n<p>A core\u00f3grafa Isabel Barros tem trabalhado para que o espet\u00e1culo mostre \u201ca alma cigana\u201d: \u201cum projecto deste g\u00e9nero tem dar maior relevo ao que vem de l\u00e1 do que ao que vem de c\u00e1\u201d. \u201cA timidez que encontrou no in\u00edcio entre os ciganos tem-se esbatido\u201d. No ensaio do \u00faltimo domingo \u201cas diferen\u00e7as entre os \u2018ciganos do mundo\u2019 e os \u2018ciganos do culto\u2019, j\u00e1 pouco se notavam\u201d.<\/p>\n<p><em>Romani<\/em> terminar\u00e1 em festa: elas com vestidos compridos de cores fortes, eles de preto e branco. E com uma das m\u00fasicas cantadas nos t\u00edpicos casamentos ciganos, na voz de Concei\u00e7\u00e3o, \u201cm\u00e3e de quatro filhos, destemida na vida mas t\u00edmida no palco, sai da sala dan\u00e7ando e sorrindo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vis\u00e3o (23 abr) &#8211; CULTURA CIGANA Ol\u00e9! Ou a m\u00fasica da vida A comunidade cigana de dois bairros de Matosinhos atua, pela primeira vez, na Casa da M\u00fasica, que celebra dez anos em 2015. 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