{"id":1466,"date":"2017-01-20T10:11:40","date_gmt":"2017-01-20T10:11:40","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2017\/01\/20\/convosco-os-habichuela\/"},"modified":"2017-01-20T10:11:40","modified_gmt":"2017-01-20T10:11:40","slug":"convosco-os-habichuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/convosco-os-habichuela\/","title":{"rendered":"FLAMENCO"},"content":{"rendered":"<p><strong>FLAMENCO<\/strong><\/p>\n<p><em>Da revista espanhola Telva (out. 16)<\/em><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Convosco, os Habichuela<\/span><\/p>\n<p><em>Pepe, o patriarca, recorda como seu pai e os seus tios chegavam de madrugada \u00e0 cueva de Albaic\u00edn onde viviam, serviam aguardente e bolos de manteiga e continuavam a festa. O seu filho Josemi e os seus sobrinhos cresceram acostumados a encontrar-se no sal\u00e3o da casa com Enrique Morente, Paco de Luc\u00eda*, Camar\u00f3n*\u2026 . Os Habichuela formam uma das sagas mais virtuosas e respeitadas do flamenco. \u201cEstamos com uma pinha. H\u00e1 algo mais bonito do que tocar em fam\u00edlia?\u201d, diz Pepe. Esta \u00e9 a nossa homenagem a uma arte que \u00e9 um emblema no nosso pa\u00eds e no mundo.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u201cNa can\u00e7\u00e3o <em>Habichuela em \u00e1rvore<\/em> (geneal\u00f3gica) a voz doce e saborosa de Ant\u00f3nio Carmona (AC) canta: \u2018uma vez perguntaram-me de que fam\u00edlia venho\/ eu venho dos Carmona\/ dos Carmona eu venho \u2026\u201d \u201cEsta declara\u00e7\u00e3o t\u00e3o simples e clara\u2026 resume o car\u00e1ter da sua fam\u00edlia. Os Carmona, mais conhecidos como Habichuela\u2026 formam uma das estirpes ciganas mais <em>virtuosas<\/em> e respeitadas do flamenco\u201d. A fam\u00edlia come\u00e7ou no s\u00e9culo XIX. AC tinha tr\u00eas irm\u00e3os e tr\u00eas irm\u00e3s: os homens tocavam guitarra e as mulheres dan\u00e7avam. Viviam numa <em>cueva<\/em> em Albac\u00edn. Na <em>Barberia del Sur<\/em>, fundada por Pepe Luis, toca-se e dan\u00e7a-se o que se chama \u201cnovo flamenco\u201d. Atualmente, no Natal juntam-se mais de 40 pessoas. \u201cOs ciganos mud\u00e1mos muito e o mundo do flamenco tamb\u00e9m, mas a arte da minha ra\u00e7a est\u00e1 no sangue. Uma coisa \u00e9 cantar flamenco e outra \u00e9 cantar cigano e isto n\u00e3o tem que andar junto. O canto, o toque e o baile flamenco necessitam de aprendizagem\u201d, diz Pepe Luis.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o discogr\u00e1fica \u00e9 grande, tal como os concertos incluindo no Audit\u00f3rio Nacional de Madrid. A mulher de Pepe Luis, Amparo \u201cbailava como uma rainha, com os bra\u00e7os muito bonitos\u201d \u2013 \u201c\u00e9 ela que manda\u201d. J\u00e1 est\u00e3o casados h\u00e1 51 anos. \u201cAntes de casarmos levei-a, como \u00e9 h\u00e1bito entre os ciganos. Veio o meu sogro <em>El Bengala<\/em> que era bandarilheiro e cantava muito bem\u2026 e disse-me: \u2018Ouve, tens que te casar\u2019. Eu disse: est\u00e1 bem.\u201d As mais pequenas da fam\u00edlia, com tr\u00eas e quatro anos j\u00e1 come\u00e7am a bater os tacos ao compasso das palmas dos seus pais. Josemi come\u00e7ou a tocar guitarra com tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>As maiores celebridades mundiais passaram pelo restaurante <em>Corral de la Moreria<\/em> (<em>tablao<\/em>) um dos melhores palcos de flamenco de Madrid. Rudolf Nuneyev ia l\u00e1 todas as noites depois de dan\u00e7ar no <em>Teatro Real<\/em>. Na \u201csua \u00faltima noite em Madrid, subiu ao palco e fez uma pirueta\u201d. \u201cInova\u00e7\u00e3o e raiz (tradi\u00e7\u00e3o) continua a ser a premissa dos Habichuela\u201d.<\/p>\n<p>O flamenco precisa da arte da descri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Grande parte do mist\u00e9rio do flamenco \u00e9 que a sua m\u00fasica \u201cn\u00e3o se escreve\u201d. Transmite-se de pais a filhos, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Os cantores aprendiam a escutar os outros nas festas. O guitarrista flamenco, geralmente ignora muitas das leis elementares da m\u00fasica, mas a sua prodigiosa intui\u00e7\u00e3o criadora vale por todas as teorias que possa ter aprendido. Por isso, os bons cantores tendem a conservar as formas originais e costumam citar os mestres cujo canto aprenderam. As letras do flamenco falam de como se vivia, do que se comia e se colhia, de como se amava, como se sofria e como se divertiram as pessoas de outras \u00e9pocas. \u201cNem com a voz, nem com o movimento se expressava nada que n\u00e3o correspondesse textualmente \u00e0s suas vidas. Criavam assim algo biologicamente submergido na sua pr\u00f3pria cultura e no seu pr\u00f3prio sangue\u201d.<\/p>\n<p>O flamenco n\u00e3o tem escolas; o seu \u00fanico meio de aprendizagem era e continua a ser nas casas onde se transmita. As casas dos Habichuela, dos Cort\u00e9s, dos Montoya, dos Amaya, dos Pe\u00f1a, dos Carbonell, dos M\u00e9ndez, dos Zambos, dos Agujetas, dos Moraos, dos Sordera, uma imensa teia consangu\u00ednea que se estende de Barcelona a C\u00e1diz.<\/p>\n<p><em>* famosos m\u00fasicos de flamenco<\/em><\/p>\n<p>Foto 2: \u201cAlguns p\u00f5em-se muito emproados para tocar e cantar. Eu n\u00e3o sinto isso. N\u00f3s somos naturais. Sabemos tocar na <em>cueva<\/em>, nos palcos e no Audit\u00f3rio Nacional (Pepe Habichuela)<\/p>\n<p>Foto 3: \u201cSegue-me. Lu\u00eds. Aprendeu a guitarra com o seu tio Pepe e continuar\u00e1 a saga de grandes guitarristas da sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Foto 4: \u201cEssas m\u00e3os como catos\u201d, aplaude a Sole\u00e1 o seu tio Pepe, enquanto sorri com gosto a olhar para os seus. A menina, al\u00e9m do mais, estuda piano no Conservat\u00f3rio de Granada.\u201d <em>A pr\u00f3xima faraona<\/em>. Sole\u00e1 aprendeu a bailar com sua m\u00e3e, Ant\u00f3nia Heredia e gravou um videoclip com o seu pai e outro do novo disco do seu tio, Ant\u00f3nio Carmona.\u201d<\/p>\n<p>Foto 5: \u201cQuem sai aos seus n\u00e3o degenera\u201d. Em 2010 a UNESCO declarou o flamenco Patrim\u00f3nio Cultural Imaterial da Humanidade.<\/p>\n<p>Foto 6: O enigma Cal\u00e9<\/p>\n<p>Embora a sua origem seja incerta, o flamenco forma-se com base nas ramifica\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas andaluzas (cantos moz\u00e1rabes, cantigas de C\u00e1diz e da \u00e9poca romana, melodias \u00e1rabes) que se misturaram com a tradi\u00e7\u00e3o de ciganos e mouros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FLAMENCO Da revista espanhola Telva (out. 16) Convosco, os Habichuela Pepe, o patriarca, recorda como seu pai e os seus tios chegavam de madrugada \u00e0 cueva de Albaic\u00edn onde viviam, serviam aguardente e bolos de manteiga e continuavam a festa. 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