{"id":1483,"date":"2017-05-11T09:11:30","date_gmt":"2017-05-11T09:11:30","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2017\/05\/11\/aprofundamento-do-estudo-sobre-as-comunidades-ciganas\/"},"modified":"2017-05-11T09:11:30","modified_gmt":"2017-05-11T09:11:30","slug":"aprofundamento-do-estudo-sobre-as-comunidades-ciganas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/aprofundamento-do-estudo-sobre-as-comunidades-ciganas\/","title":{"rendered":"APROFUNDAMENTO DO ESTUDO SOBRE AS COMUNIDADES CIGANAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>APROFUNDAMENTO DO ESTUDO SOBRE AS COMUNIDADES CIGANAS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Observat\u00f3rio das Comunidades Ciganas<\/span> \u2013 OBCIG<\/p>\n<p><strong>ACM \u2013 revista, n\u00ba 5 &#8211; Especial Comunidades Ciganas<\/strong><\/p>\n<p><em>Por Carlos Jorge dos Santos (Coordenador do OBCIG) e Liliana Jos\u00e9 Alves Moreira (Investigadora do OBCIG)<\/em><\/p>\n<p>O aprofundamento do Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas apresenta uma estimativa do n\u00famero de residentes ciganos e da sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, alicer\u00e7ada em dados fornecidos pelos 308 munic\u00edpios portugueses (taxa de resposta ao inqu\u00e9rito enviado de 100%), o que viabilizou a cobertura de todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Existem 37089 mulheres e homens ciganos residentes em Portugal, o que significa 0,4% da popula\u00e7\u00e3o portuguesa. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o portuguesa cigana verifica-se que a mesma se encontra distribu\u00edda de um modo espacialmente desigual: 101 munic\u00edpios portugueses revelaram n\u00e3o ter conhecimento da exist\u00eancia de pessoas ciganas no seu territ\u00f3rio, estando assim a popula\u00e7\u00e3o cigana distribu\u00edda por 207 munic\u00edpios (67,2%).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O artigo apresenta um conjunto de mapas onde se v\u00ea a distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o cigana portuguesa, verificando-se uma fraca insularidade, bem como contrastes not\u00f3rios entre o meio rural e o meio urbano. Destaca-se uma elevada express\u00e3o de ciganos residentes no litoral, mas por outro lado tamb\u00e9m se verifica um elevado peso da popula\u00e7\u00e3o cigana no interior e em zonas fronteiri\u00e7as (quando comparada com o total da popula\u00e7\u00e3o residente). A popula\u00e7\u00e3o cigana portuguesa concentra-se sobretudo nas zonas metropolitanas de Lisboa (9051), Porto (3654), no Alentejo (5651) e no Algarve (2614); os distritos com maior popula\u00e7\u00e3o cigana s\u00e3o os de Lisboa (5950), Set\u00fabal (3687), Porto (3304), Aveiro (2654), Faro (2614) e Beja (2418). O artigo analisa as condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o: 32% s\u00e3o arrendamento social, sobretudo em Lisboa (23%), Porto (17%) e Faro (10%). O arrendamento informal avulta em Set\u00fabal (19%), Porto e Beja (13%); a ocupa\u00e7\u00e3o ilegal situa-se maioritariamente em Faro (17%), Beja (13%), Lisboa e Santar\u00e9m (9%). Outras situa\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00f5es em tendas ou acampamentos n\u00e3o s\u00e3o quantificadas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O aprofundamento do Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas, investiga\u00e7\u00e3o do ObCig, constituiu uma excelente oportunidade para se avan\u00e7ar em termos cient\u00edficos, no conhecimento da dimens\u00e3o, localiza\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da popula\u00e7\u00e3o portuguesa cigana residente em Portugal. No entanto, o ObCig reconhece que \u201ceste \u00e9 um trabalho que est\u00e1 incompleto\u201d. Embora se trate \u201cde uma aproxima\u00e7\u00e3o fi\u00e1vel \u00e0 realidade portuguesa, (a investiga\u00e7\u00e3o) n\u00e3o traduz a real express\u00e3o da dimens\u00e3o das comunidades ciganas existentes em Portugal.\u201d O conhecimento das comunidades ciganas \u00e9 imprescind\u00edvel para se conhecerem os \u201cimpactos ao n\u00edvel da conce\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas inclusivas e ajustadas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o concreta das pessoas e fam\u00edlias ciganas, que se traduzam numa efetiva igualdade de oportunidades e na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida, sobretudo das que est\u00e3o expostas a fen\u00f3menos de pobreza e exclus\u00e3o social e, consequentemente, a uma maior vulnerabilidade; para potenciar interven\u00e7\u00f5es mais contextualizadas\/ territorializadas, nos campos da educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, emprego e forma\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, entre outros, atendendo \u00e0s especificidades geogr\u00e1ficas, culturais, sociais, econ\u00f3micas, entre outras; e, para incentivar o desenvolvimento de novas investiga\u00e7\u00f5es, particularmente das ci\u00eancias sociais e humanas\u201d, que \u201cconstruam propostas cred\u00edveis \/exequ\u00edveis capazes de apontar solu\u00e7\u00f5es para a multiplicidade de problemas existentes.\u201d<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Breve coment\u00e1rio anal\u00edtico ao \u201cEstudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas<\/span>\u201d,<\/p>\n<p>por Jo\u00e3o Teixeira Lopes (JTL)<\/p>\n<p>JTL considera que o estudo ajuda a colocar algumas quest\u00f5es que podem estimular a pesquisa sociol\u00f3gica. O estudo revela \u201cum elevado grau de dissemina\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es ciganas por todo o territ\u00f3rio nacional, uma vez que est\u00e3o presentes em cerca de \u00bc das freguesias do pa\u00eds. N\u00e3o admira pois, que o cigano seja o outro por excel\u00eancia\u201d. Sobretudo em popula\u00e7\u00f5es mais isoladas das din\u00e2micas migrat\u00f3rias, \u201ca diferen\u00e7a \u00e9 o cigano\u201d. Por\u00e9m, \u201ca dispers\u00e3o territorial e a concentra\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de maior urbaniza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m pode favorecer, ao inv\u00e9s, estrat\u00e9gias de evitamento de confronto, de acultura\u00e7\u00e3o e de alguma miscigena\u00e7\u00e3o. \u201cO grau de demarca\u00e7\u00e3o territorial, social, cultural e simb\u00f3lica, permitir\u00e1 aquilatar da homogeneidade das \u2018comunidades\u2019\u201d. \u201cA exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o, o contacto com refer\u00eancias globalizadas e estilos de vida urbanos, h\u00e1bitos de consumo de massas e ind\u00fastrias culturais, favorecer\u00e3o a pr\u00e1tica e o reconhecimento de distin\u00e7\u00f5es\u201d. \u201cA destradicionaliza\u00e7\u00e3o revela a desadequa\u00e7\u00e3o de ideia de comunidade como todo est\u00e1vel, coerente, com um forte primado de consci\u00eancia coletiva\u201d.<\/p>\n<p>O estudo revela ainda \u201cgraus de concentra\u00e7\u00e3o distintos das popula\u00e7\u00f5es ciganas por concelho e popula\u00e7\u00e3o residente. Este dado \u00e9 de maior import\u00e2ncia para, juntamente com outros indicadores, se identificarem zonas de potencial maior conflito entre diferentes grupos e etnias\u201d. Atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o preventiva, antes de o conflito eclodir, os mediadores dever\u00e3o estar integrados nos territ\u00f3rios de maior vulnerabilidade, para a\u00ed fazerem \u201cum trabalho estruturado e sistem\u00e1tico, entrosado no sistema de rela\u00e7\u00f5es sociais locais. \u201c<\/p>\n<p>O estudo mostra igualmente \u201cque os modos de habita\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o cigana s\u00e3o diversificados e est\u00e3o longe de comprovar estere\u00f3tipos de ilegalidade. A ocupa\u00e7\u00e3o ilegal abarca apenas 17% e o arrendamento informal 8%. \u201cAs popula\u00e7\u00f5es ciganas est\u00e3o estabilizadas no territ\u00f3rio e j\u00e1 n\u00e3o partilham trajet\u00f3rias n\u00f3madas\u201d. JTL salienta o consider\u00e1vel n\u00famero de ciganos que vive em bairros de habita\u00e7\u00e3o social, \u201conde seria importante montar uma rede de mediadores, provenientes quer das associa\u00e7\u00f5es representativas das popula\u00e7\u00f5es ciganas, quer das institui\u00e7\u00f5es com trabalho no terreno\u201d. JTL conclui que \u201cmesmo que se perca a ideia de \u2018comunidade\u2019, ganha-se na compreens\u00e3o da diversidade e da porosidade\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Especial Comunidades Ciganas<\/span><\/p>\n<p>O artigo esclarece que a presente publica\u00e7\u00e3o visa promover o conhecimento das comunidades ciganas portuguesas atrav\u00e9s da apresenta\u00e7\u00e3o e partilha de dados essenciais sobre a comunidade cigana, que foram recolhidos pelo ObCig, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Carlos Jorge Sousa, com a colabora\u00e7\u00e3o da investigadora Liliana Jos\u00e9 Moreira, em conson\u00e2ncia com as propostas delineadas pelo Alto-comiss\u00e1rio para as Migra\u00e7\u00f5es, Pedro Calado.<\/p>\n<p>Em 2015, o OBCIG assumiu o desafio de aprofundamento dos resultados obtidos a partir do inqu\u00e9rito aos munic\u00edpios portugueses, no \u00e2mbito do \u201cEstudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas\u201d. O trabalho no terreno do ObCig incidiu sobre os 129 munic\u00edpios que anteriormente n\u00e3o deram uma resposta, mais os 30 munic\u00edpios das Regi\u00f5es Aut\u00f3nomas da Madeira e dos A\u00e7ores, entre mar\u00e7o de 2015 e mar\u00e7o de 2016, tendo-se apurado a exist\u00eancia de mais 12879 portugueses ciganos. Deste modo, a investiga\u00e7\u00e3o tem o m\u00e9rito de se debru\u00e7ar sobre as respostas dos 308 munic\u00edpios portugueses, conseguindo-se, pela primeira vez, representar todo o territ\u00f3rio atrav\u00e9s do recurso a uma metodologia de recolha e tratamento de dados homog\u00e9nea, o que permitiu identificar 37089 mulheres e homens portugueses ciganos residentes em Portugal.<\/p>\n<p>Real\u00e7am-se as limita\u00e7\u00f5es do estudo, \u201cmesmo tratando-se de uma aproxima\u00e7\u00e3o fi\u00e1vel \u00e0 realidade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>APROFUNDAMENTO DO ESTUDO SOBRE AS COMUNIDADES CIGANAS Observat\u00f3rio das Comunidades Ciganas \u2013 OBCIG ACM \u2013 revista, n\u00ba 5 &#8211; Especial Comunidades Ciganas Por Carlos Jorge dos Santos (Coordenador do OBCIG) e Liliana Jos\u00e9 Alves Moreira (Investigadora do OBCIG) O aprofundamento do Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas apresenta uma estimativa do n\u00famero de residentes ciganos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-1483","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1483"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1483\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}