{"id":1529,"date":"2018-05-21T07:49:10","date_gmt":"2018-05-21T07:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2018\/05\/21\/caravana-88-editorial\/"},"modified":"2018-05-21T07:49:10","modified_gmt":"2018-05-21T07:49:10","slug":"caravana-88-editorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/caravana-88-editorial\/","title":{"rendered":"CARAVANA 88 &#8211; EDITORIAL"},"content":{"rendered":"<p>CARAVANA 88 &#8211; EDITORIAL<\/p>\n<p><strong>&#8220;Campismo selvagem&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Campismo selvagem&#8221;, assim classificou a GNR de Beja, em comunicado, a ac\u00e7\u00e3o de desalojamento violento, sem alternativa de realojamento, de tr\u00eas fam\u00edlias ciganas que viviam na Vidigueira, por ordem do respectivo Presidente da C\u00e2mara, da CDU, em 16 de fevereiro. O \u00fanico crime destas fam\u00edlias, desalojadas em pleno inverno, foi o de n\u00e3o terem posses para possu\u00edrem uma casa e, no caso de pelo menos uma fam\u00edlia, quando pretendeu alugar uma casa, logo o dono ao ver que eram ciganos, lhes disse que j\u00e1 estava alugada. Posteriormente, o mesmo propriet\u00e1rio haveria de dizer que a casa estava para venda. Esta fam\u00edlia com quatro filhos, o mais novo, na altura com dois meses, vive na Vidigueira h\u00e1 sete anos, sendo, por isso mun\u00edcipe da Vidigueira e foi posteriormente sistematicamente perseguida e desalojada pela GNR, durante a noite, \u00e0 chuva; a m\u00e3e das crian\u00e7as dizia &#8220;n\u00e3o nos querem c\u00e1&#8221; e &#8220;vivemos na di\u00e1spora&#8221;, sendo obviamente portugueses e mun\u00edcipes da Vidigueira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Apesar da boa vontade dos respons\u00e1veis do Governo por situa\u00e7\u00f5es como esta, at\u00e9 ao momento da reda\u00e7\u00e3o deste editorial, ainda n\u00e3o foi encontrada solu\u00e7\u00e3o para esta desumanidade, os respons\u00e1veis da GNR n\u00e3o foram, ao que se saiba, censurados e futuras a\u00e7\u00f5es semelhantes proibidas. Tudo isto no sil\u00eancio dum pa\u00eds governado por um partido teoricamente socialista, numa C\u00e2mara Municipal governada por um partido teoricamente comunista, perante a rea\u00e7\u00e3o inicial da comunica\u00e7\u00e3o social a que se seguiu o interesse por outros assuntos mais aliciantes do que o brutal sofrimento de uma fam\u00edlia cigana desalojada pela sua C\u00e2mara e perseguida pela &#8220;autoridade&#8221; como as v\u00edtimas lhe chamam, como se viv\u00eassemos n\u00e3o no Portugal democr\u00e1tico e europeu onde pensamos que vivemos, mas numa qualquer rep\u00fablica onde impera a lei da viol\u00eancia e o mais absoluto desprezo por quem \u00e9 pobre.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Como seria bom que acord\u00e1ssemos para o que verdadeiramente interessa: o respeito por quem nada tem e por isso nada pode, a n\u00e3o ser sofrer &#8211; silenciosamente. No entanto, o seu sil\u00eancio \u00e9 um grito que chega ao c\u00e9u e o c\u00e9u nos acusar\u00e1 do que fazemos ou do que calamos.<\/p>\n<p align=\"right\">Francisco Monteiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARAVANA 88 &#8211; EDITORIAL &#8220;Campismo selvagem&#8221; &#8220;Campismo selvagem&#8221;, assim classificou a GNR de Beja, em comunicado, a ac\u00e7\u00e3o de desalojamento violento, sem alternativa de realojamento, de tr\u00eas fam\u00edlias ciganas que viviam na Vidigueira, por ordem do respectivo Presidente da C\u00e2mara, da CDU, em 16 de fevereiro. 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