{"id":1556,"date":"2019-02-08T15:01:43","date_gmt":"2019-02-08T15:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2019\/02\/08\/publico-14-jan-diversos\/"},"modified":"2019-02-08T15:01:43","modified_gmt":"2019-02-08T15:01:43","slug":"publico-14-jan-diversos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/publico-14-jan-diversos\/","title":{"rendered":"P\u00fablico (14 jan) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>P\u00fablico (14 jan) &#8211; DIVERSOS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">\u201cIndesejados\u201d: um retrato profundo do povo cigano na Europa<\/span><\/p>\n<p><em>Non Grata, de \u00c5ke Ericson, \u00e9 um retrato singular do povo cigano realizado em dez pa\u00edses europeus: \u201cEles sentem-se discriminados em todos os pa\u00edses que visitei\u201d, diz o fot\u00f3grafo sueco.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em agosto de 2009, em Breclav, na Rep\u00fablica Checa, \u00c5ke Ericson (AE), fotojornalista sueco, tomou conhecimento de uma hist\u00f3ria que viria a alterar o rumo da sua vida. \u201cO munic\u00edpio acabava de relocalizar duas fam\u00edlias ciganas, ap\u00f3s t\u00ea-las expulsado das suas casas \u2013 onde viviam h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es \u2013 para que, no mesmo local, pudesse ser constru\u00eddo um centro comercial\u201d. Ericson conheceu as duas fam\u00edlias deslocadas, \u201cpessoas muito gentis, amistosas\u201d, que tiveram que ir \u201cviver a 15 quil\u00f3metros do centro de Breclav, em casas que n\u00e3o dispunham de \u00e1gua canalizada, ou aquecimento\u201d. O desrespeito com que foram tratados sensibilizou este fotojornalista que passou os oito anos seguintes a documentar o quotidiano deste grupo \u00e9tnico minorit\u00e1rio em dez pa\u00edses europeus: Rom\u00e9nia, Kosovo, S\u00e9rvia, Hungria, Eslov\u00e1quia, Rep\u00fablica Checa, Su\u00e9cia, Su\u00ed\u00e7a, Fran\u00e7a e Espanha. Em oito anos, fez 18 viagens por dez pa\u00edses, dando origem ao fotolivro <em>Non Grata<\/em>, publicado em 2018, e onde \u201cpretende desmistificar e deitar por terra os preconceitos que se formaram na Europa, acerca do modo de vida dos ciganos. \u2018Quero revelar a repress\u00e3o e a mis\u00e9ria de que s\u00e3o v\u00edtimas, mas tamb\u00e9m retratar aqueles que vivem integrados no quotidiano europeu\u2019\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEntre o povo mais a ocidente e o mais a oriente onde esteve, \u2026 manifestaram-se grandes diferen\u00e7as em termos de discrimina\u00e7\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o e das condi\u00e7\u00f5es em que vivem\u2019 Em Espanha, por exemplo, governo ap\u00f3s governo tentou integr\u00e1-los\u201d. \u201cTrinta anos depois, j\u00e1 se d\u00e3o casamentos entre <em>roma<\/em> e <em>n\u00e3o-roma<\/em> e a maioria das crian\u00e7as j\u00e1 frequenta a escola p\u00fablica. Tamb\u00e9m existe discrimina\u00e7\u00e3o, mas eles est\u00e3o integrados.\u2019 Na Su\u00e9cia, por exemplo, os ciganos \u2018vivem em muito melhores condi\u00e7\u00f5es\u2019 do que no Kosovo, apesar de ainda l\u00e1 existirem muitos em situa\u00e7\u00f5es de sem abrigo\u201d, afirma AE.<\/p>\n<p>Mas a situa\u00e7\u00e3o a Leste \u00e9 muito diferente: \u201cem Mitrovica (no Kosovo), h\u00e1 ciganos a viver em acampamentos montados sobre solos contaminados por chumbo. Em consequ\u00eancia, nesse local, as crian\u00e7as nascem com malforma\u00e7\u00f5es. O estado kosovar n\u00e3o presta qualquer tipo de aux\u00edlio a esta popula\u00e7\u00e3o\u201d. AE \u00e9 perempt\u00f3rio: \u201c(os ciganos) vivem \u00e0 margem da sociedade, sem quaisquer direitos humanos: sociais, pol\u00edticos, culturais ou econ\u00f3micos\u201d.<\/p>\n<p>Em Fran\u00e7a, em 2010, o presidente franc\u00eas Nicolas Sarkozy expulsou mais de dez mil ciganos, de nacionalidade romena e b\u00falgara. \u201cApesar do esc\u00e2ndalo que estalou no seio da Comiss\u00e3o e do Parlamento europeus, a medida manteve-se \u2013 mesmo que, nos anos seguintes, tenha perdido consistentemente, tempo de antena nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social internacionais\u201d. Em novembro de 2011, AE esteve nos arredores de Paris, em Saint Denis, e \u201cassistiu ao desmantelamento de v\u00e1rios acampamentos &#8211; pr\u00e1tica comum do Governo franc\u00eas para combater a habita\u00e7\u00e3o ilegal.\u201d<\/p>\n<p>Em Zurique, Su\u00ed\u00e7a, \u201co \u00fanico retrato que incluiu em <em>Non Grata<\/em> \u00e9 referente a uma mulher <em>roma<\/em> v\u00edtima de tr\u00e1fico humano para explora\u00e7\u00e3o sexual. \u2018Li sobre o assunto e decidi ir at\u00e9 l\u00e1. Tive sorte, porque o bordel que encontrei, onde trabalhavam mulheres ciganas, pertencia \u00e0 m\u00e1fia kosovar\u2019\u201d. Em Belgrado, na S\u00e9rvia, membros da comunidade cigana \u201c\u2018vivem numa floresta, dormem, por vezes, sob temperaturas de 20 graus Celsius negativos\u2019. Os <em>roma<\/em> que vivem na S\u00e9rvia foram expulsos do Kosovo pela comunidade albanesa, por terem tomado partido no conflito que marcou o pa\u00eds entre 1998 e 1999\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO foco de <em>Non Grata<\/em> est\u00e1, sem d\u00favida, na regi\u00e3o da Europa Central, e de Leste: AE passou uma parte significativa do seu tempo na Eslov\u00e1quia e na Rom\u00e9nia, onde testemunhou os epis\u00f3dios mais cr\u00edticos e onde a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 mais evidente.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNa Eslov\u00e1quia, AE encontrou o maior gueto cigano da Europa: Lunik IX, em Kosice. Um conjunto de edif\u00edcios constru\u00eddos pelo Governo eslovaco para albergar 2500 pessoas de classe m\u00e9dia e que \u00e9 agora a resid\u00eancia de 7500 indiv\u00edduos de etnia cigana\u2026. \u2018Ao longo dos anos Lunik IX deteriorou-se e transformou-se num bairro de lata onde existe um escoamento de res\u00edduos urbanos deficit\u00e1rio. As condi\u00e7\u00f5es de vida s\u00e3o muito prec\u00e1rias, as casas n\u00e3o t\u00eam g\u00e1s, \u00e1gua ou eletricidade\u2019. Na Eslov\u00e1quia, ter um sobrenome cigano ou viver em Lunik IX \u2018\u00e9 um passaporte para a pobreza e para a marginaliza\u00e7\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>AE procura entender o motivo pelo qual a comunidade cigana \u00e9 discriminada na Europa e acredita que a g\u00e9nese est\u00e1 nas conversas que se geram no ser\u00e3o dos lares europeus, \u2018de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o\u2019\u201d. \u201cE \u00e9 verdade que, quando as crian\u00e7as saem \u00e0 rua, tamb\u00e9m veem pessoas ciganas a mendigar, o que vem confirmar a tese que lhes foi imputada; mas \u00e9 um fen\u00f3meno circular\u201d.<\/p>\n<p>80% dos ciganos \u201cque deambulam, sem rumo, pelas ruas de Estocolmo, s\u00e3o provenientes da Rom\u00e9nia e emigraram para escapar \u00e0s duras condi\u00e7\u00f5es que enfrentavam no seu pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>\u2018Em janeiro de 2015, a ministra do Trabalho, Fam\u00edlia, Prote\u00e7\u00e3o Social e do Idoso do Governo da Rom\u00e9nia, Rovana Plumb, visitou Estocolmo\u2019 e \u2018durante o encontro a ministra recusou-se a admitir que existe discrimina\u00e7\u00e3o (contra a etnia cigana) na Rom\u00e9nia. N\u00e3o foi capaz de assumi-lo\u2019. Estava um dia muito frio, \u201cPlumb recusou encontrar-se com os compatriotas ciganos no exterior\u2019\u201d. Para AE existe uma \u201crela\u00e7\u00e3o de mal-estar estabelecida entre ciganos e n\u00e3o-ciganos nos v\u00e1rios pa\u00edses de Leste, onde a tens\u00e3o \u00e9 palp\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u2018A UE tem fundos direcionados para a causa da integra\u00e7\u00e3o desta minoria que n\u00e3o s\u00e3o usados por estes pa\u00edses, onde a exclus\u00e3o continua a ser solu\u00e7\u00e3o\u2019\u201d.<\/p>\n<p>AE acredita que o seu trabalho tem \u201co poder de mudar o rumo dos acontecimentos\u201d e considera que a obra <em>Non Grata<\/em> \u201cdeveria ser vista pelo m\u00e1ximo n\u00famero de pessoas\u201d. \u201cEu n\u00e3o fiz este trabalho para mim ou por mim. Fi-lo com o cora\u00e7\u00e3o, sim, mas pensando nas pessoas que retratei\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00fablico (14 jan) &#8211; DIVERSOS \u201cIndesejados\u201d: um retrato profundo do povo cigano na Europa Non Grata, de \u00c5ke Ericson, \u00e9 um retrato singular do povo cigano realizado em dez pa\u00edses europeus: \u201cEles sentem-se discriminados em todos os pa\u00edses que visitei\u201d, diz o fot\u00f3grafo sueco. \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1556","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciganos-sao-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1556"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1556\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}