{"id":1558,"date":"2019-02-08T15:04:59","date_gmt":"2019-02-08T15:04:59","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2019\/02\/08\/coloquio-internacionalmil-anos-de-nomadizacao-passado-patrimonio-e-problemas-dos-ciganos-um-milenio-apos-a-sua-deportacao-da-india-1018-2018\/"},"modified":"2019-02-08T15:04:59","modified_gmt":"2019-02-08T15:04:59","slug":"coloquio-internacionalmil-anos-de-nomadizacao-passado-patrimonio-e-problemas-dos-ciganos-um-milenio-apos-a-sua-deportacao-da-india-1018-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/coloquio-internacionalmil-anos-de-nomadizacao-passado-patrimonio-e-problemas-dos-ciganos-um-milenio-apos-a-sua-deportacao-da-india-1018-2018\/","title":{"rendered":"COL\u00d3QUIO INTERNACIONAL\u201cMIL ANOS DE NOMADIZA\u00c7\u00c3O. PASSADO, PATRIM\u00d3NIO E PROBLEMAS DOS CIGANOS UM MIL\u00c9NIO AP\u00d3S A SUA DEPORTA\u00c7\u00c3O DA \u00cdNDIA (1018-2018)\u201d"},"content":{"rendered":"<p>COL\u00d3QUIO INTERNACIONAL\u201cMIL ANOS DE NOMADIZA\u00c7\u00c3O. PASSADO, PATRIM\u00d3NIO E PROBLEMAS DOS CIGANOS UM MIL\u00c9NIO AP\u00d3S A SUA DEPORTA\u00c7\u00c3O DA \u00cdNDIA (1018-2018)\u201d<\/p>\n<p>Em 24 de novembro, a Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, atrav\u00e9s do centro de Estudos de Povos e Culturas de Express\u00e3o Portuguesa (CEPCEP) e do Instituto Correia de Lacerda de Estudos Orientais (ICLEO) organizaram um col\u00f3quio com a participa\u00e7\u00e3o da Diretora do CEPCEP, Mar\u00edlia Lopes, e a interven\u00e7\u00e3o do presidente do ICLEO, Lu\u00eds Filipe Thomaz.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Desde a sua apari\u00e7\u00e3o na Europa ocidental, em come\u00e7os do s\u00e9culo XV, que as origens dos ciganos despertaram grande curiosidade. \u201cA variedade dos nomes por que foram designados, como Rom, pareciam apontar para o Imp\u00e9rio Bizantino, outros como Gitano e Gipsy para o Egito, ao passo que Bo\u00e9mio apontava para a Bo\u00e9mia, no cora\u00e7\u00e3o da Europa, e outros, como Tsigan\u00f3s, Z\u00ecngaro, Manuche, etc., n\u00e3o apontavam para parte nenhuma, j\u00e1 que o \u00faltimo significa genericamente &#8220;gente&#8221; e os dois primeiros, que parecem remontar ao persa chaug\u00e2n, &#8220;jogo da choca, polo&#8221;, aludiam aos empurr\u00f5es que de c\u00e1 para l\u00e1 e de l\u00e1 para c\u00e1 ao longo dos s\u00e9culos sofreram.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Foi apenas em 1782 que o fil\u00f3logo alem\u00e3o Johann Christian R\u00fcdiger\u2026 notou o parentesco entre a l\u00edngua que falavam e o hindustani falado no norte da \u00cdndia, provando assim a sua origem indiana. A partir da\u00ed desenvolveram-se variadas teorias para explicar a sua migra\u00e7\u00e3o. A maior parte das vezes considerou-se \u201cque seriam n\u00f3madas, cuja nomadiza\u00e7\u00e3o incessante os trouxera, grupo a grupo, ao Ocidente\u201d, teoria que \u201cenfermava de duas pechas: \u2026 n\u00e3o existem praticamente n\u00f3madas na quase totalidade da \u00cdndia e\u2026 se tivessem migrado para ocidente gota a gota, n\u00e3o se explicaria como puderam durante tantos s\u00e9culos manter uma l\u00edngua comum\u201d. Foi s\u00f3 muito recentemente que, folheando as cr\u00f3nicas indo-mu\u00e7ulmanas, se descobriu uma explica\u00e7\u00e3o aceit\u00e1vel: os ciganos s\u00e3o, em \u00faltima an\u00e1lise, os descendentes da popula\u00e7\u00e3o da Kanauj, a sueste da atual Delhi, que em 1018 foi aprisionada, reduzida \u00e0 escravid\u00e3o e trazida para o Afeganist\u00e3o pelas tropas de Mahmud de Ghazni (971-1030), o caudilho mu\u00e7ulmano que lan\u00e7ou as primeiras incurs\u00f5es de pilhagem sobre a \u00cdndia, arrebanhando 53.000 prisioneiros. Vendidos a seguir aos Turcos Selj\u00facidas e utilizados como escravos militares, participaram na conquista turca do Imp\u00e9rio Bizantino, sendo em grande n\u00famero sediados pelos Otomanos no vale do Dan\u00fabio, para guardarem a fronteira do imp\u00e9rio\u201d. Essa teoria \u00e9 testemunhada pela \u201can\u00e1lise do vocabul\u00e1rio da sua l\u00edngua \u2013 em que abundam os empr\u00e9stimos persas, arm\u00e9nios e gregos\u201d.<\/p>\n<p>Mal integrados, em geral, nas sociedades em cujo seio viviam, foram alvo de diversas persegui\u00e7\u00f5es, a \u00faltima das quais por parte do regime nazi da Alemanha. Em Portugal a sua presen\u00e7a est\u00e1 atestada desde a \u00e9poca de D. Jo\u00e3o II. Bastas vezes denunciados como indesej\u00e1veis, foram alvo de diversos projetos de deporta\u00e7\u00e3o, mormente para o Brasil, para onde, de facto, logo D. Jo\u00e3o III enviou alguns\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do presidente do ICLEO, intervieram no Col\u00f3quio Elisabeth Lamanit, de Fran\u00e7a, Maria do Ros\u00e1rio Carneiro, Maria Jos\u00e9 Casa-Nova, Universidade do Minho, Braga \/ Coordenadora do Observat\u00f3rio das Comunidades Ciganas, que falou sobre<em>\u201cDesnaturalizando desigualdades: educa\u00e7\u00e3o escolar e integra\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria\u201d<\/em>, e Ana Oliveira da UCP que falou sobre \u201cComunidades Ciganas e Di\u00e1logo Intercultural: as pontes para a inclus\u00e3o\u201d, tendo desenvolvido o projeto que leva a cabo junto das comunidades ciganas e outras, no Bairro das Murtas (Campo Grande, Lisboa).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COL\u00d3QUIO INTERNACIONAL\u201cMIL ANOS DE NOMADIZA\u00c7\u00c3O. 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