{"id":1565,"date":"2019-02-08T15:22:09","date_gmt":"2019-02-08T15:22:09","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2019\/02\/08\/caravana-91-editorial\/"},"modified":"2019-02-08T15:22:09","modified_gmt":"2019-02-08T15:22:09","slug":"caravana-91-editorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/caravana-91-editorial\/","title":{"rendered":"CARAVANA 91 &#8211; EDITORIAL"},"content":{"rendered":"<p><strong>CARAVANA 91 &#8211; EDITORIAL<\/strong><\/p>\n<p><strong>O GRITO DOS POBRES, O GRITO DOS QUE SOFREM INJUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 fal\u00e1mos deste caso no Editorial do n\u00ba 88 da Caravana. Em mar\u00e7o passado, v\u00e1rias fam\u00edlias ciganas, por ordem do Presidente da C\u00e2mara da Vidigueira, foram escorra\u00e7adas pela GNR desta terra onde viviam, uma delas h\u00e1 sete anos, pelo que esta fam\u00edlia \u00e9 mun\u00edcipe da Vidigueira: as crian\u00e7as mais velhas v\u00e3o \u00e0 escola da Vidigueira, \u00e9 no SNS e na SS da Vidigueira que est\u00e1 inscrita. S\u00f3 que, infelizmente n\u00e3o t\u00eam dinheiro para ter uma casa ou um terreno e quando, como h\u00e1 bem pouco tempo aconteceu, tentam alugar uma casa, acertaram o pre\u00e7o e o sinal, quando os donos viram que eram ciganos n\u00e3o lhes alugaram a casa.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Desde mar\u00e7o passado que a GNR da Vidigueira n\u00e3o deixa esta fam\u00edlia em paz, perseguindo-a para onde quer que v\u00e1, na \u00e1rea da sua jurisdi\u00e7\u00e3o. Pouco interessa \u00e0 GNR da Vidigueira, distrito de Beja, a legisla\u00e7\u00e3o sobre os direitos dos portugueses \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, como prontamente o ACM (Alto Comissariado para as Migra\u00e7\u00f5es) recordou em comunicado do passado m\u00eas de mar\u00e7o. &#8220;N\u00e3o podem estar aqui&#8221; e ainda recentemente guardas da GNR lhes rasgaram o toldo em que se abrigavam, no terreno de uma familiar, deixando \u00e0 chuva quatro crian\u00e7as, a mais pequenas das quais seriamente doente. \u00a0Estes portugueses sentem-se na di\u00e1spora, como dizem, na sua pr\u00f3pria terra, desesperados. O Presidente da C\u00e2mara que ainda h\u00e1 pouco tempo teve a distin\u00e7\u00e3o de organizar uma reuni\u00e3o do seu Partido, difundida na TV, diz-lhes sistematicamente: n\u00e3o temos solu\u00e7\u00e3o para voc\u00eas. Finalmente a fam\u00edlia conseguiu alugar uma casa na Vidigueira a um familiar. Pois at\u00e9 a\u00ed a GNR da Vidigueira foi importunar esta fam\u00edlia: bateram no dono da casa, partiram os vidros do carro de um familiar, partiram a lou\u00e7a da casa de jantar e deram cabo do fog\u00e3o de que a fam\u00edlia se serve para se alimentar \u00a0e sujaram a roupa que estavam a lavar num ribeiro perto. A fam\u00edlia foi queixar-se \u00e2 GNR &#8230; da Vidigueira; a resposta que tiveram: &#8220;ainda foi pouco&#8221;. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0De tudo isto tem sido dado conhecimento \u00e0s autoridades deste pa\u00eds; resultado: investiga\u00e7\u00f5es? talvez, n\u00e3o se sabe; puni\u00e7\u00f5es dos culpados? certamente que n\u00e3o, caso contr\u00e1rio n\u00e3o voltavam aos mesmos procedimentos, agravando-os de cada vez, at\u00e9 chegarem aos atos criminosos de vandalismo que acab\u00e1mos de descrever.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entretanto o pa\u00eds adormece tranquilo, n\u00e3o ouvindo os gritos de quem assim \u00e9 tratado. H\u00e1 tantas coisas medi\u00e1ticas que interessam, porqu\u00ea olhar para uns pobres ciganos ignorados por um autarca que seguir\u00e1 o princ\u00edpio do politicamente conveniente, e perseguidos neste pa\u00eds que se diz democr\u00e1tico, por uns elementos de uma for\u00e7a da ordem que supostamente deve fazer precisamente isso mesmo: defender a ordem e cumprir a lei, mas que fazem o contr\u00e1rio em total impunidade, com conhecimento dos respons\u00e1veis deste mesmo pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Esperei ansiosamente pelo Senhor: ele se inclinou para mim e ouviu o meu grito&#8221;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Sl 40, 1).<\/p>\n<p>Francisco Monteiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARAVANA 91 &#8211; EDITORIAL O GRITO DOS POBRES, O GRITO DOS QUE SOFREM INJUSTI\u00c7A J\u00e1 fal\u00e1mos deste caso no Editorial do n\u00ba 88 da Caravana. 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