{"id":1601,"date":"2020-01-24T09:58:20","date_gmt":"2020-01-24T09:58:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2020\/01\/24\/os-ciganos-um-invisivel-imperativo-de-liberdade-7-margens\/"},"modified":"2020-01-24T09:58:20","modified_gmt":"2020-01-24T09:58:20","slug":"os-ciganos-um-invisivel-imperativo-de-liberdade-7-margens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/os-ciganos-um-invisivel-imperativo-de-liberdade-7-margens\/","title":{"rendered":"\u201cOS CIGANOS\u201d: UM INVIS\u00cdVEL IMPERATIVO DE LIBERDADE (7 Margens)"},"content":{"rendered":"<p>\u201cOS CIGANOS\u201d: UM INVIS\u00cdVEL IMPERATIVO DE LIBERDADE (7 Margens)<\/p>\n<h1><em><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: #000000;\">Por Maria Manuela Carneiro de Sousa (29 dez 19)<\/span><\/span><\/em><\/h1>\n<p>\u00c0 medida que crescia, Ruy considerava pequeno o espa\u00e7o que o rodeava, tendo em conta o desejo que o habitava, de ser inteiramente livre. Um mundo de horas certas para tudo, de regras e leis, aliado \u00e0 inquietante ternura da sua fam\u00edlia, n\u00e3o lhe permitia ser livre. Certo dia, o tambor dos ciganos despertou-o para a possibilidade de dominar o tempo, o espa\u00e7o e a for\u00e7a e Ruy n\u00e3o s\u00f3 saltou o muro da sua casa como saltou tamb\u00e9m o dos preconceitos, que eram como uma voz obscura, vinda do passado, que lhe dizia \u201cfoge\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Decidido a seguir os ciganos, Ruy escondeu-se na carro\u00e7a, mas foi descoberto por um gato chamado Pol\u00edcia. Gela, a rapariga cigana que andava no arame, iniciou-o na cultura dos calons, pertencentes ao povo Rom: costumes, tradi\u00e7\u00f5es e l\u00edngua. Gela tamb\u00e9m o apresentou ao seu pai, que lhe disse ser Tom\u00e1s Sabba, o chefe do cl\u00e3, que lhe explicou que os segredos dos calon s\u00e3o \u201ct\u00e3o antigos como o pr\u00f3prio tempo\u201d. Ruy ficou desse modo a saber que, apesar de serem poucos, os calons transportavam uma grande riqueza.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para perceber quem era aquele rapaz, o chefe dos ciganos procurou a ajuda de Tshilabba, uma velha, muito velha. Esta velha, com poderes que n\u00e3o s\u00e3o deste mundo e muito escutada pelos chefes ciganos antes de tomarem decis\u00f5es, limitou-se a afirmar que Ruy \u201cpossu\u00eda os dons necess\u00e1rios para concretizar os seus sonhos, al\u00e9m de ser capaz de percorrer muitas estradas sem nunca esquecer o caminho para casa\u201d. Ent\u00e3o, Tom\u00e1s Sabba decidiu enviar o rapaz para casa, mas, antes, permitiu que ele aprendesse a arte dos ciganos e experimentasse a sua liberdade.<\/p>\n<p>Tom\u00e1s Sabba, que n\u00e3o esperava receber uma li\u00e7\u00e3o de liberdade de um gadj\u00f3, compreendeu que, ao contr\u00e1rio do que ele pensava, calons e gadj\u00f3s juntavam-se. Gela, o seu irm\u00e3o e Ruy nem precisaram de falar muito para perceberem que, a partir daquele dia, seriam amigos para sempre. Agora que Ruy \u201caprendera a respeitar o tempo e o espa\u00e7o das coisas\u201d fazia o que antes lhe parecia imposs\u00edvel. Por sua vez, Gela absorvia os n\u00fameros e as letras que ele lhe ensinava. Na despedida, Tom\u00e1s Sabba, o chefe do cl\u00e3, disse-lhe: \u201cN\u00e3o \u00e9s um calon\u2026 mas podias ser\u201d.<\/p>\n<p>Desde sempre, que Ruy achava que \u201calgures no vasto mundo se estava a preparar uma festa incr\u00edvel \u00e0 qual ele estava impedido de assistir.\u201d Mas, naquele momento, Ruy n\u00e3o s\u00f3 assistia como participava nessa festa.<\/p>\n<p>Percebe-se, nesta hist\u00f3ria, que temos de agradecer aos ciganos guardarem na sua cultura a autenticidade, a liberdade e o amor \u00e0 natureza, que tanto faltam \u00e0 humanidade. Mas a concretiza\u00e7\u00e3o do sonho da uni\u00e3o entre gadj\u00f3s e calons ainda mal come\u00e7ou. Este sonho corresponde a um apelo antigo de ir mais al\u00e9m, alargando horizontes e ultrapassando as barreiras do quotidiano, feitas de regras e horas certas. No entanto, permanece a esperan\u00e7a de ser poss\u00edvel caminharmos unidos, sem que ningu\u00e9m perca o caminho para casa.<\/p>\n<p>Fica feito o convite a seguir um invis\u00edvel imperativo de verdade e de liberdade, de forma a sermos capazes de saltar os muros dos preconceitos, que nos separam e impedem de participar na festa da fraternidade, preparada pelo di\u00e1logo respeitador e amistoso entre diferentes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em>Os Ciganos<\/em><\/strong><em>, conto in\u00e9dito de Sophia de Mello Breyner Andresen, completado pelo neto, Pedro Sousa Tavares<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOS CIGANOS\u201d: UM INVIS\u00cdVEL IMPERATIVO DE LIBERDADE (7 Margens) Por Maria Manuela Carneiro de Sousa (29 dez 19) \u00c0 medida que crescia, Ruy considerava pequeno o espa\u00e7o que o rodeava, tendo em conta o desejo que o habitava, de ser inteiramente livre. 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