{"id":1621,"date":"2020-07-15T13:41:29","date_gmt":"2020-07-15T13:41:29","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2020\/07\/15\/expresso-27-jun-discriminacao\/"},"modified":"2020-07-15T13:41:29","modified_gmt":"2020-07-15T13:41:29","slug":"expresso-27-jun-discriminacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/expresso-27-jun-discriminacao\/","title":{"rendered":"Expresso (27 jun) &#8211; DISCRIMINA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><strong>Expresso <\/strong><strong>(27 jun) &#8211; DISCRIMINA\u00c7\u00c3O<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Ciganos \u201ctrai\u00e7oeiros\u201d, jeov\u00e1s \u201cfan\u00e1ticos\u201d: o preconceito nas decis\u00f5es judiciais<\/span><\/p>\n<p><em>Investigadores est\u00e3o a analisar mais de meio milhar de senten\u00e7as para avaliar <strong>como os tribunais portugueses lidam com minorias e conceitos de \u201cra\u00e7a\u201d e \u201cetnia\u201d<\/strong>. Comunidade cigana \u00e9 o maior alvo da discrimina\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Numa pesquisa no arquivo de senten\u00e7as do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a por palavras-chave como \u201cra\u00e7a\u201d, \u201cetnia\u201d, \u201ccigano\u201d ou \u201chomossexual\u201d, em mais de 550 decis\u00f5es proferidas desde 1976, est\u00e3o a ser analisadas por uma equipa de investigadores composta por juristas, antrop\u00f3logos, soci\u00f3logos, psic\u00f3logos e linguistas, para \u201cavaliar o modo como os tribunais portugueses atuam em processos que envolvam minorias \u00e9tnicas, religiosas ou lingu\u00edsticas\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O projeto Inclusive Courts (IC, Tribunais Inclusivos), que resulta de uma parceria entre o Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Justi\u00e7a e Governa\u00e7\u00e3o da Universidade do Minho e o Centro em Rede de Investiga\u00e7\u00e3o em Antropologia, foi criado em 2018, e a an\u00e1lise de muitas das senten\u00e7as de tribunais, como o Supremo Tribunal Administrativo, o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a e o Tribunal Constitucional, foi agora publicada num site de livre acesso online, j\u00e1 dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cDe um modo geral, os tribunais portugueses n\u00e3o se mostram recetivos a estere\u00f3tipos negativos a respeito de grupos ditos minorit\u00e1rios, mas h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es\u201d, refere Patr\u00edcia Jer\u00f3nimo (PJ), coordenadora do projeto e professora na Universidade do Minho. \u201cUm dos problemas identificados tem a ver com os \u2018apartes\u2019 nas senten\u00e7as\u201d. \u201cOs casos \u2018mais frequentes\u2019 s\u00e3o os que envolvem ciganos, diz PJ\u201d.<\/p>\n<p>Por exemplo, \u201ccoitadinhos\u201d, \u201cpouca higiene\u201d, e comunidade \u201ctrai\u00e7oeira\u201d e \u201csubsidiodependente\u201d, para se referir a pessoas de etnia cigana, foram express\u00f5es usadas por uma Ju\u00edza de Felgueiras, em 2008, \u201cPara Ant\u00f3nio Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP), este projeto vai permitir \u2018melhorar algumas pr\u00e1ticas\u2019, j\u00e1 que \u2018s\u00f3 o facto de se abordar o assunto leva \u00e0 reflex\u00e3o sobre o mesmo\u2019\u201d. \u201cOs apartes devem ser evitados, pois s\u00f3 servem para fragilizar as decis\u00f5es judiciais do MP\u201d.\u00a0 PJ diz que \u201c\u00e9 pac\u00edfico que para aplicar a lei de forma igual \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar pessoas e situa\u00e7\u00f5es \u2013 a chamada discrimina\u00e7\u00e3o positiva. Essa dimens\u00e3o do princ\u00edpio da igualdade exige que as pessoas n\u00e3o sejam prejudicadas por fatores suspeitos, mas tamb\u00e9m pode exigir diferencia\u00e7\u00f5es de tratamento para alcan\u00e7ar igualdade efetiva\u201d. \u201c\u00c9 essencial compreender como os tribunais fazem a concilia\u00e7\u00e3o entre o princ\u00edpio da igualdade e os direitos culturais\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o problema, Manuel Soares, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Sindical dos Ju\u00edzes Portugueses, lembra o Compromisso \u00c9tico dos Ju\u00edzes, que determina que \u201co respeito pela diversidade cultural \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o constitucional\u201d que os tribunais t\u00eam \u201cobriga\u00e7\u00e3o\u201d de promover. Em abril deste ano, o Comit\u00e9 de Direitos Humanos na ONU publicou um relat\u00f3rio sobre Portugal que urge o Estado a \u201cfortalecer os esfor\u00e7os para combater intoler\u00e2ncia, estere\u00f3tipos, preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o\u201d contra grupos vulner\u00e1veis, e minorias, entre as quais os ciganos. \u201cPara isso, \u00e9 necess\u00e1rio \u2018aumentar a forma\u00e7\u00e3o dada a pol\u00edcias, procuradores e ju\u00edzes\u2019, salienta o documento\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Expresso (27 jun) &#8211; DISCRIMINA\u00c7\u00c3O Ciganos \u201ctrai\u00e7oeiros\u201d, jeov\u00e1s \u201cfan\u00e1ticos\u201d: o preconceito nas decis\u00f5es judiciais Investigadores est\u00e3o a analisar mais de meio milhar de senten\u00e7as para avaliar como os tribunais portugueses lidam com minorias e conceitos de \u201cra\u00e7a\u201d e \u201cetnia\u201d. 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