{"id":1629,"date":"2020-07-31T10:11:18","date_gmt":"2020-07-31T10:11:18","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2020\/07\/31\/caravana-97-editorial\/"},"modified":"2022-09-08T09:49:07","modified_gmt":"2022-09-08T09:49:07","slug":"caravana-97-editorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/caravana-97-editorial\/","title":{"rendered":"CARAVANA 97 \u2013 EDITORIAL"},"content":{"rendered":"<p>A OP\u00c7\u00c3O PELOS POBRES<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o da Igreja pelos pobres (Papa Francisco, <em>A Alegria do Evangelho<\/em>, n\u00ba 198) tornou-se real, vis\u00edvel e paradigm\u00e1tica nas not\u00edcias a que damos relevo neste n\u00famero, protagonizadas pelo Cardeal Turkson, um dos colaboradores mais pr\u00f3ximos do Papa Francisco e portanto mais em comunh\u00e3o com os anseios do seu cora\u00e7\u00e3o, movidos pelo Esp\u00edrito que o inspira. Nem sempre esta op\u00e7\u00e3o \u00e9 tornada realidade, pelo menos em todas as suas vertentes culturais. Entretanto h\u00e1 exemplos not\u00e1veis das sinergias que podem ser geradas pela colabora\u00e7\u00e3o entre uma entidade oficial, uma grande institui\u00e7\u00e3o de desenvolvimento social, uma importante institui\u00e7\u00e3o de apoio social e uma associa\u00e7\u00e3o cigana, como foi o caso de Beja. Este \u00e9 um exemplo dos resultados que uma associa\u00e7\u00e3o cigana pode obter na pr\u00e1tica e no terreno quando sabe solicitar e congregar apoios e financiamento. Importa ainda real\u00e7ar a not\u00e1vel not\u00edcia de como uma C\u00e2mara municipal, a de Almeirim, soube atuar para dar emprego a ciganos contrariando fantasmas e\u00a0 in\u00e9rcias, mas em vez disso atuando, fazendo, realizando.<\/p>\n<p>Numa segunda face da realidade cigana, temos ainda o triste e hist\u00f3rico fanatismo que as conveni\u00eancias pol\u00edticas e econ\u00f3micas tendem a calar e a esquecer e que resultou no mart\u00edrio de 7000 ciganos, h\u00e1 pouco mais de um s\u00e9culo, na Arm\u00e9nia. E os preconceitos que quando s\u00e3o investigados deveriam fazer corar de vergonha os seus autores e que infelizmente tendem cada vez mais a ser moeda de troca de votos e de popularidades.<\/p>\n<p>Finalmente quer\u00edamos focar um tema recorrente nos dois \u00faltimos n\u00fameros da Caravana e que persiste em eternizar-se. Ao abrigo de normas e disposi\u00e7\u00f5es camar\u00e1rias de h\u00e1 muitas dezenas de anos e que s\u00e3o zelosamente invocadas e cumpridas por autoridades para quem o conceito de autoridade e as conveni\u00eancias pol\u00edticas apagam completamente ao ponto de ignorarem o conceito de compaix\u00e3o, para n\u00e3o dizer de coes\u00e3o social, os ciganos compulsivamente n\u00f3madas continuam a ser uma triste, lament\u00e1vel e vergonhosa realidade. Expulsos de terra para terra porque n\u00e3o pertencem a nenhuma terra ou nenhuma terra quer aceitar que nasceram l\u00e1, estes ciganos que importa identificar, com nomes e logo com n\u00fameros, mas primeiro com nomes, porque os t\u00eam e s\u00e3o pessoas, que muitos gostariam que n\u00e3o fossem, mas s\u00e3o-no, gostariam de deixar de ser n\u00f3madas, anseiam por ter um poiso como qualquer cidad\u00e3o que o s\u00e3o. Mas o passa responsabilidades \u00e9 sist\u00e9mico, tudo na mais estrita legalidade. Mas existe legalidade quando a pessoas lhes est\u00e1 a ser negada a legalidade da cidadania? Importa olhar de frente para este problema e resolv\u00ea-lo de uma vez por todas, de modo que brevemente e n\u00e3o no pr\u00f3ximo s\u00e9culo se possa dizer n\u00e3o h\u00e1 mais n\u00f3madas compulsivos em Portugal. Como pessoas bem intencionadas e determinadas um dia disseram: vamos acabar com as barracas. E muitas barracas acabaram. Se as barracas s\u00e3o importantes e n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que o s\u00e3o, as pessoas que nem barracas t\u00eam, n\u00e3o s\u00e3o ainda mais importantes?<\/p>\n<p>Francisco Monteiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A OP\u00c7\u00c3O PELOS POBRES<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1813,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1629","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1629","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1629"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1629\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1826,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1629\/revisions\/1826"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1629"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1629"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1629"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}