{"id":1643,"date":"2021-01-07T09:59:25","date_gmt":"2021-01-07T09:59:25","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2021\/01\/07\/a-editorial-caritas-dedica-um-caderno-ao-livro-de-myrna-montenegro\/"},"modified":"2021-01-07T09:59:25","modified_gmt":"2021-01-07T09:59:25","slug":"a-editorial-caritas-dedica-um-caderno-ao-livro-de-myrna-montenegro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/a-editorial-caritas-dedica-um-caderno-ao-livro-de-myrna-montenegro\/","title":{"rendered":"A EDITORIAL C\u00c1RITAS DEDICA UM CADERNO AO LIVRO DE MYRNA MONTENEGRO"},"content":{"rendered":"<p><strong>A EDITORIAL C\u00c1RITAS DEDICA UM CADERNO AO LIVRO DE MYRNA MONTENEGRO<\/strong><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s o lan\u00e7amento dos seus livros, a Editorial C\u00e1ritas tem por h\u00e1bito dedicar um Caderno ao tema do livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado. Isso aconteceu com o livro de Myrna Montenegro (MM) \u201cAprender a ser cigano hoje: empurrando e puxando fronteiras\u00bb, lan\u00e7ado na Feira do Livro em 3 de setembro. Reproduzimos excertos de entrevistas publicadas no Caderno (48 p\u00e1ginas) acess\u00edvel em <\/em><a href=\"https:\/\/caritas.pt\/cadernoseditorial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/caritas.pt\/cadernoseditorial\/<\/a> .<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Entrevista a Mirna Montenegro<\/span> (MM)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Editorial C\u00e1ritas <\/strong>(<strong>EC<\/strong>) <em>Que aspetos gostaria\u00a0de salientar relativamente \u00e0 forma e ao conte\u00fado do seu livro?<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>MM <\/strong>Tratando-se de uma abordagem biogr\u00e1fica \u00a0\u00e0 metodologia de investiga\u00e7\u00e3o\u00a0 qualitativa, requerida pela realidade observada e vivida, diria que se trata se trata de uma tentativa de sintetizar o que fui observando, vivenciando\u00a0 e aprendendo ao longo do tempo,\u00a0 numa permanente reflex\u00e3o interpelativa com o que os acasos da\u00a0realidade me foi brindando. Reveste uma forma muito pessoal\u00a0de escrita recursiva que deambula,\u00a0permanentemente, entre as pr\u00e1ticas e as teorias, entre sendas\u00a0por outros anteriormente trilhadas, quer no nosso pa\u00eds quer no\u00a0estrangeiro. Sobre os conte\u00fados abordados diria que se inserem na metodologia\u00a0 de investiga\u00e7\u00e3o de tipo antropol\u00f3gico, nas v\u00e1rias regras que regem\u00a0 as diversas realidades da Democracia em Portugal, no p\u00f3s 25 de\u00a0 Abril, nomeadamente no que aos\u00a0 direitos sociais diz respeito (com\u00a0 a consequente tomada de consci\u00eancia dos deveres e dos direitos\u00a0 de ser\u2011se considerado cidad\u00e3o de\u00a0 pleno direito) designadamente no\u00a0que respeita ao Sistema Educativo,\u00a0\u00e0 Seguran\u00e7a Social, ao Trabalho, \u00e0\u00a0Sa\u00fade e \u00e0 Habita\u00e7\u00e3o. Realidades\u00a0estas que, por sua vez, interpelaram (e continuam a interpelar) as pr\u00e1ticas culturais das comunidades ciganas em Portugal.<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>O Cardeal Patriarca, na apresenta\u00e7\u00e3o do seu livro, para al\u00e9m de salientar a riqueza da cultura\u00a0cigana que o livro revela, destacou o seu testemunho de vida partilhado com a comunidade cigana.<\/em><em> O que significam para si estas palavras de D. Manuel Clemente?<\/em> <strong>MM<\/strong> O Cardeal Patriarca fez um\u00a0reconhecimento p\u00fablico de que\u00a0as comunidades ciganas existem\u00a0em Portugal h\u00e1 mais de cinco s\u00e9culos e que s\u00e3o parte integrante\u00a0do mosaico da cultura portuguesa. S\u00e3o concidad\u00e3os portugueses\u00a0e n\u00e3o imigrantes nem refugiados\u00a0fazendo parte da nossa identidade\u00a0portuguesa, embora raramente tenham sido consideradas e tratadas\u00a0com a dignidade que merecem, por\u00a0exemplo, nos livros de Hist\u00f3ria de\u00a0Portugal e nos conte\u00fados transmitidos nas escolas, para j\u00e1 n\u00e3o falar\u00a0dos M\u00eddea, em que s\u00e3o esquecidos\u00a0ou denegridos.\u00a0Demonstrou, um profundo e minucioso conhecimento do extenso e intenso \u201cmiolo\u201d do livro tecendo considera\u00e7\u00f5es muito importantes sobre aspetos de cariz social e de pr\u00e1ticas a desenvolver para facilitar a inclus\u00e3o, efetiva, destas comunidades. Tratando\u2011se de uma figura de grande proemin\u00eancia da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal, a sua presen\u00e7a e interven\u00e7\u00e3o foi muito importante, para emprestar um pouco da sua visibilidade aos invis\u00edveis da nossa sociedade. Ao longo dos anos, nas minhas interven\u00e7\u00f5es, fui\u2011me cruzando com\u00a0v\u00e1rios servi\u00e7os ligados \u00e0 Igreja\u00a0Cat\u00f3lica (a C\u00e1ritas Nacional e as\u00a0C\u00e1ritas Diocesanas de Beja e Set\u00fabal; a Obra Nacional da Pastoral\u00a0dos Ciganos, com o seu jornal \u201cA\u00a0 Caravana\u201d; as Miseric\u00f3rdias e outras IPSS`s de inspira\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica) e com leigos inspirados e animados pelo cristianismo na sua pr\u00e1tica di\u00e1ria. Percebi que, quando as\u00a0v\u00e1rias vontades se unem em torno\u00a0de um bem maior e comum, muitos obst\u00e1culos se desvanecem ou\u00a0at\u00e9 se tornam recursos.<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> Este livro termina com uma \u201cs\u00edntese poss\u00edvel\u201d relativamente ao \u201cAprender a ser cigano hoje\u201d. Que desafios da\u00ed derivam para as rela\u00e7\u00f5es entre a comunidade cigana e a sociedade n\u00e3o cigana nos tempos atuais marcados por algum ressurgir de atitudes conflituais entre comunidades? <strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>MM<\/strong> O racismo, a discrimina\u00e7\u00e3o,\u00a0a xenofobia e o ostracismo em\u00a0Portugal enformam uma realidade\u00a0secular, ainda que sob diversas roupagens. Em tempos de \u2018abastan\u00e7a\u2019,\u00a0parecem adormecidos\u2026 Em tempos de \u2018m\u00edngua\u2019, reacendem\u2011se\u00a0violentamente.\u00a0Paytos contra calons, paytos contra paytos, calons contra calons, estes contra aqueles e outros contra os demais\u2026 \u00a0Trata\u2011se de uma manifesta\u00e7\u00e3o c\u00edclica, historicamente constatada. Estamos numa fase de\u00a0recrudescimento devido \u00e0 turbul\u00eancia e escassez em que vivemos,\u00a0presentemente\u2026 \u201cCasa onde n\u00e3o\u00a0h\u00e1 p\u00e3o, todos ralham e ningu\u00e9m\u00a0tem raz\u00e3o\u201d. O desafio para Portugal \u00e9 o de\u00a0\u201cn\u00e3o deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s\u201d,\u00a0incluindo os mais rejeitados da\u00a0sociedade, os que nos interpelam\u00a0mais\u2026 Aqueles que p\u00f5em em causa as nossas certezas, aqueles que\u00a0nos devolvem o reflexo do que\u00a0somos (e que repudiamos em n\u00f3s\u00a0pr\u00f3prios), aqueles que nos incomodam\u2026<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Entrevista a Francisco Sousa Monteiro<\/span> (FM)<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>Que aspetos gostaria de salientar relativamente \u00e0 forma e ao\u00a0conte\u00fado desta obra?<\/em><\/p>\n<p><strong>FM<\/strong> A forma pode resumir-se a empatizar\u00a0\u00a0com as pessoas ciganas, empatia\u00a0 essa que gerou amor; ouvir, escutar, estar pr\u00f3ximo, estar presente \u00e1s formas que a cultura cigana\u00a0 tradicionalmente assumia, como os\u00a0 mercados de rua; interagir, dialogar,\u00a0 inquirir, assumir a maneira de ser e\u00a0 de se situar no espa\u00e7o e no tempo\u00a0 dos portugueses.\u00a0 No conte\u00fado da obra, sintetizado\u00a0 no pref\u00e1cio, salienta\u2011se a metodologia de ouvir e \u2018dar voz\u2019 a pessoas\u00a0 concretas em situa\u00e7\u00f5es reais no encontro ou desencontros da forma de ser cigana \u2018na sua circunst\u00e2ncia\u2019 (Ortega y Gasset), i.\u00e9, no\u00a0 seio da sociedade onde se inserem\u00a0 e no tempo que evolui; por outras\u00a0\u00a0palavras, a obra analisa e evidencia\u00a0 a fidelidade cigana \u00e0 sua cultura na\u00a0 procura constante da adapta\u00e7\u00e3o ao\u00a0 seu meio ambiente, incluindo a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que atualmente\u00a0 se tornou fren\u00e9tica e imperiosa.<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>Na apresenta\u00e7\u00e3o da obra, D. Manuel Clemente real\u00e7ou a necessidade de, atrav\u00e9s do\u00a0encontro de culturas, onde se insere tamb\u00e9m a \u201cciganidade\u201d, se construir \u201ca casa comum que ainda n\u00e3o\u00a0existe\u201d: como v\u00ea estas palavras do Cardeal Patriarca?<\/em><\/p>\n<p><strong>FM<\/strong> Vejo-as como prova da atitude clara do Sr. Patriarca que, na senda\u00a0das palavras do Papa Francisco que\u00a0ali\u00e1s come\u00e7ou por citar, assume os\u00a0diversos aspetos da inser\u00e7\u00e3o das\u00a0comunidades ciganas portuguesas\u00a0na sociedade portuguesa, nos seus\u00a0problemas e nas suas perspetivas,\u00a0tendo para isso feito uma an\u00e1lise\u00a0atenta e profunda ao livro da Doutora Mirna. Nas suas palavras, a\u00a0 Igreja revela todo o seu comprometimento com a justi\u00e7a social, com o\u00a0\u00a0amor que n\u00e3o tem fronteiras, com\u00a0 quem vive nas margens da sociedade, na perspetiva da op\u00e7\u00e3o pelos\u00a0 pobres (Vat II) e na da mais recente\u00a0 express\u00e3o do Papa Francisco que\u00a0 felizmente foi ecoada recentemente\u00a0 sobre a pandemia de que \u2018ningu\u00e9m\u00a0 deve ser deixado para tr\u00e1s\u2019\u201d.<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> A <em>Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) da qual \u00e9 o seu atual Diretor Executivo, pretende estar atenta \u00e0 comunidade cigana e \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade n\u00e3o cigana. Que desafios est\u00e3o subjacentes \u00e0\u00a0 a\u00e7\u00e3o deste Servi\u00e7o da Confer\u00eancia\u00a0 Episcopal Portuguesa (CEP)? <\/em><\/p>\n<p><strong>FM<\/strong> A hist\u00f3ria de\u00a0mais de 40 anos da ONPC, a sua\u00a0miss\u00e3o, a sua maneira de ser e de\u00a0proceder, a sua cria\u00e7\u00e3o pela CEP \u00e0\u00a0qual pertence, como disse, sempre\u00a0foi a de defender os direitos das\u00a0comunidades e das pessoas ciganas,\u00a0historicamente discriminadas e\u00a0socialmente exclu\u00eddas, que vivem\u00a0verdadeiramente nas margens da\u00a0sociedade portuguesa. A Dr\u00aa Fernanda Reis que, entretanto, criou o\u00a0Secretariado Diocesano de Lisboa\u00a0da Pastoral dos Ciganos, come\u00e7ou\u00a0por arranjar identifica\u00e7\u00e3o aos ciganos que nem sequer \u2018existiam\u2019 nos\u00a0registos oficiais. A Irm\u00e3 Zulmira\u00a0calcorreava os caminhos das barracas e j\u00e1 no fim da sua vida correu\u00a0a uma terra do Alentejo onde tinha\u00a0havido um despejo dos ciganos. O\u00a0P. Filipe de Figueiredo dedicou a\u00a0sua vida aos ciganos, tendo sido Diretor da ONPC e da Pastoral Diocesana de \u00c9vora durante longos\u00a0anos. E seria necess\u00e1rio enumerar\u00a0tantos outros e outras para quem\u00a0os ciganos sempre foram pessoas\u00a0e que, entre sucessos e insucessos,\u00a0sempre ao lado das pessoas ciganas\u00a0e presentes nas suas comunidades,\u00a0lutaram pela justi\u00e7a relativamente\u00a0aos ciganos, pela sua inclus\u00e3o social\u00a0e pelo seu pr\u00f3prio desenvolvimento.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o desafio da ONPC: que\u00a0sejam os pr\u00f3prios ciganos a assumir a defesa dos seus direitos, a sua\u00a0inser\u00e7\u00e3o na cidadania do pa\u00eds que\u00a0\u00e9 o seu, a fidelidade \u00e0 sua cultura,\u00a0evoluindo nos aspetos em que esta\u00a0tem que evoluir, o que j\u00e1 come\u00e7ou\u00a0a acontecer, como o livro da Doutora Mirna real\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Entrevista a Manuel Dinis Seabra Abreu<\/span> (DA)<span style=\"text-decoration: underline;\"> <\/span><\/p>\n<p>(Membro da Dire\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Calhim\u00a0 Portuguesa (FECALP) e Presidente da Associa\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0Cigana de Leiria (CIGLEI))<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>O livro da Dr\u00aa Mirna centra-se sobre a cultura cigana e sobre as suas rela\u00e7\u00f5es com a sociedade n\u00e3o cigana. Enquanto membro da comunidade cigana, o que\u00a0lhe parece mais importante real\u00e7ar\u00a0neste livro?<\/em><\/p>\n<p><strong>DA<\/strong> A import\u00e2ncia que \u00e9 dada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u2013 tudo come\u00e7a pela educa\u00e7\u00e3o\u00a0\u2011, \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, como necessidade\u00a0b\u00e1sica sem a qual n\u00e3o pode haver\u00a0dignidade humana, e ao trabalho,\u00a0como contributos para a igualdade\u00a0de circunst\u00e2ncias entre as v\u00e1rias\u00a0culturas. Deve aprender\u2011se com as\u00a0outras culturas, tal como devemos\u00a0todos respeitar\u2011nos uns aos outros\u00a0para que haja igualdade de oportunidades\u00a0e n\u00e3o haja racismo nem \u00f3dio.<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>O Cardeal Patriarca, na apresenta\u00e7\u00e3o do livro, salientou \u201ca\u00a0necessidade de partilhar espa\u00e7os\u00a0comuns, a come\u00e7ar pela Escola,\u00a0para afirmar a riqueza da cultura\u00a0cigana\u201d.<\/em> <em>Como v\u00ea estas palavras de D. Manuel Clemente?<\/em><\/p>\n<p><strong>DA<\/strong> Concordo e tal como disse na resposta anterior, a igualdade\u00a0exige respeito. O que estraga tudo\u00a0\u00e9 a gan\u00e2ncia do poder que resulta na gan\u00e2ncia do poder econ\u00f3mico. Pessoas ricas e pobres sempre as h\u00e1 de\u00a0haver, mas o que n\u00e3o deve haver \u00e9 a\u00a0gan\u00e2ncia que leva \u00e0s desigualdades,\u00a0especialmente entre culturas.<\/p>\n<p><strong>EC <\/strong><em>Enquanto Membro da Dire\u00e7\u00e3o da FECAL) e Presidente da CIGLEI, quais s\u00e3o os principais desafios destas organiza\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p><strong>DA<\/strong> As federa\u00e7\u00f5es e as associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma mais valia para\u00a0fazerem o elo de liga\u00e7\u00e3o entre a\u00a0sociedade e a comunidade. Dev\u00edamos comparticipar mais com\u00a0o Estado e as ONGs, por forma a\u00a0termos mais poder para podermos\u00a0resolver os problemas, participar\u00a0mais nas iniciativas do Governo de modo a termos assim maior capacidade para intervir nos problemas\u00a0pontuais ou gerais quando eles\u00a0surgem.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Entrevista \u00e0 Alta Comiss\u00e1ria para as Migra\u00e7\u00f5es, S\u00f3nia Pereira<\/span> (SP)<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"> <\/span><\/p>\n<p><strong>EC <\/strong><em>O livro debru\u00e7a\u2011se sobre a comunidade cigana, com uma marca muito forte de itiner\u00e2ncia, na sua intera\u00e7\u00e3o com a sociedade n\u00e3o cigana. Neste processo de intera\u00e7\u00e3o onde todos temos um lugar e que desafia a (re)configura\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias, que aspetos considera mais pertinentes real\u00e7ar?<strong> <\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>SP<\/strong> Apesar da evidente redu\u00e7\u00e3o de desigualdades,\u00a0nos \u00faltimos anos, continuam a\u00a0verificar\u2011se n\u00edveis elevados de discrimina\u00e7\u00e3o, pobreza e exclus\u00e3o\u00a0social que afetam as comunidades\u00a0ciganas. Persiste ainda um forte desconhecimento e desconfian\u00e7a entre pessoas ciganas e n\u00e3o\u00a0ciganas. Tal se deve em grande parte, \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o e conhecimento\u00a0que geram estigma e a cria\u00e7\u00e3o de\u00a0atributos depreciativos. Promover\u00a0sistematicamente, e por diversos\u00a0meios, o conhecimento e a valoriza\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es culturais\u00a0e viv\u00eancias das pessoas e fam\u00edlias\u00a0ciganas em Portugal \u00e9 fundamental para a promo\u00e7\u00e3o de uma sociedade plural, que reconhece e valoriza os contributos de todos os seus membros. A cria\u00e7\u00e3o de instrumentos diversificados e adequados,\u00a0assentes numa interven\u00e7\u00e3o sustentada, contribui para reverter a situa\u00e7\u00e3o de desvantagem social estrutural, em que parte da popula\u00e7\u00e3o portuguesa cigana ainda vive. \u00a0Aprofundar o conhecimento\u00a0e o entendimento sobre estas\u00a0\u00a0realidades para atuar em consequ\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m um dos objetivos do Observat\u00f3rio das Comunidades Ciganas do ACM I.P. (www.obcig.acm.gov.pt).<\/p>\n<p>A pandemia que vivemos colocou\u00a0em evid\u00eancia as desigualdades estruturais que persistem e afetam\u00a0nomeadamente os portugueses\u00a0ciganos. Neste sentido, o contributo deste livro \u00e9 mais um elemento\u00a0fundamental no sentido do refor\u00e7o do combate a estas desigualdades.<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>No \u00e2mbito do ACM, quais as principais preocupa\u00e7\u00f5es e desafios atuais relativamente \u00e0 comunidade cigana?<\/em><\/p>\n<p><strong>SP<\/strong> O ACM que trabalha h\u00e1 v\u00e1rios anos na integra\u00e7\u00e3o das comunidades ciganas, criou em 2007 o gabinete que corresponde ao atual N\u00facleo de Apoio \u00e0s Comunidades Ciganas, com o intuito de oferecer uma resposta espec\u00edfica e direcionada \u00e0s quest\u00f5es relacionadas com a integra\u00e7\u00e3o das comunidades ciganas. Os desafios e preocupa\u00e7\u00f5es\u00a0\u00a0atuais est\u00e3o espelhados na Estrat\u00e9gia Nacional para a Integra\u00e7\u00e3o das\u00a0 Comunidades Ciganas (ENICC)\u00a0 e relacionam\u2011se com as \u00e1reas da\u00a0 Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Emprego, Habita\u00e7\u00e3o, Igualdade de G\u00e9nero e N\u00e3o\u00a0 Discrimina\u00e7\u00e3o. Nestas diferentes\u00a0 \u00e1reas s\u00e3o j\u00e1 v\u00e1rios os programas\u00a0 promovidos pelo ACM no sentido de minimizar a exclus\u00e3o social,\u00a0 entre eles destacamos:\u00a0o Programa OPRE e o Roma Educa que atribuem bolsas de apoio\u00a0 escolar para o ensino superior e\u00a0\u00a0secund\u00e1rio, respetivamente;\u00a0o Programa Escolhas, muito focado\u00a0 na promo\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o social\u00a0 e escolar das crian\u00e7as e jovens em\u00a0 contextos vulner\u00e1veis, nos quais\u00a0 71 projetos da 7\u00aa Gera\u00e7\u00e3o (cerca\u00a0 de 70% do total de projetos a n\u00edvel\u00a0 nacional) interv\u00eam na promo\u00e7\u00e3o\u00a0 da integra\u00e7\u00e3o social e escolar de\u00a0 crian\u00e7as, jovens e fam\u00edlias ciganas;\u00a0o programa ROMED e o Programa\u00a0 Mediadores Municipais Interculturais com uma forte componente de\u00a0 media\u00e7\u00e3o, envolvendo atualmente\u00a0 22 mediadores ciganos integrados\u00a0 em v\u00e1rios munic\u00edpios do pa\u00eds;\u00a0o Programa de Inser\u00e7\u00e3o Socioprofissional da Comunidade Cigana que\u00a0 procura, atrav\u00e9s de organiza\u00e7\u00f5es da\u00a0 sociedade civil, formar pessoas ciganas em diferentes \u00e1reas e sensibilizar as entidades empregadoras para\u00a0 a sua contrata\u00e7\u00e3o; e a disponibiliza\u00e7\u00e3o de fundos para a promo\u00e7\u00e3o\u00a0 do associativismo cigano e para a\u00a0 interven\u00e7\u00e3o direta com as comunidades ciganas (FAPE2020\u20112021 e\u00a0\u00a0PAAC2020, respetivamente).<\/p>\n<p>Com o intuito de promover uma\u00a0 cultura de n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o, o\u00a0 ACM tem facultado e promovido\u00a0 a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o sobre hist\u00f3ria e cultura cigana, com formadores\/as ciganos\/as, a diferentes\u00a0\u00a0entidades, nomeadamente: DGRSP\u00a0 \u2013 Dire\u00e7\u00e3o Geral de Reinser\u00e7\u00e3o e\u00a0 Servi\u00e7os Prisionais; ISS\u2011Instituto de\u00a0 Seguran\u00e7a Social; IEFP \u2013 Instituto\u00a0 de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional; ARS\u2011Administra\u00e7\u00e3o Regional de Sa\u00fade; Escolas, Munic\u00edpios,\u00a0 ONG\u2019s e Associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Acreditando que a integra\u00e7\u00e3o se concretiza atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es de proximidade, iremos promover, em articula\u00e7\u00e3o com os munic\u00edpios, e com base num regime de participa\u00e7\u00e3o das comunidades, a continuidade do Projeto dos Planos Locais para a Integra\u00e7\u00e3o das Comunidades Ciganas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Entrevista a Carlos Miguel (CM), Secret\u00e1rio de Estado Ajunto e do Desenvolvimento Regional <\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"> <\/span><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>O livro revela\u2011se como um contributo fundamental para ajudar a perceber a cultura cigana \u2011 com m\u00faltiplos testemunhos de vida, e a perspetivar estrat\u00e9gias de rela\u00e7\u00e3o com a sociedade n\u00e3o cigana. Nesse sentido, que aspetos gostaria de salientar a partir da forma e do conte\u00fado desta obra?<\/em><\/p>\n<p><strong>CM<\/strong> A obra da Myrna assenta num saber de experi\u00eancia feito, de quem foi pioneira\u00a0no trabalho com as comunidades\u00a0ciganas, em que os testemunhos e\u00a0relatos de vida s\u00e3o uma evid\u00eancia\u00a0desse trabalho e da sua envolv\u00eancia com a comunidade.<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>No \u00e2mbito da Secretaria de\u00a0Estado das Autarquias Locais, que\u00a0preocupa\u00e7\u00f5es e desafios est\u00e3o subjacentes atualmente \u00e0 comunidade\u00a0cigana e \u00e0s suas rela\u00e7\u00f5es com a sociedade n\u00e3o cigana? <\/em><em> <\/em><\/p>\n<p><strong>CM <\/strong>A problem\u00e1tica da integra\u00e7\u00e3o\u00a0das comunidades ciganas em cada\u00a0territ\u00f3rio \u00e9 uma quest\u00e3o de ontem\u00a0e de amanh\u00e3. A sua resposta passar\u00e1 por um maior protagonismo\u00a0 das autarquias e a cria\u00e7\u00e3o de uma\u00a0 rede de mediadores socioculturais\u00a0 que trabalhem proficuamente nessa tarefa t\u00e3o importante de termos\u00a0 uma sociedade multicultural saud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Entrevista a Eug\u00e9nio Fonseca (EF), Presidente da Dire\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas Portuguesa<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>A Editorial C\u00e1ritas, no \u00e2mbito da sua miss\u00e3o, v\u00ea a apresenta\u00e7\u00e3o de cada obra como uma oportunidade de reflex\u00e3o conjunta sobre o t\u00edtulo do livro dado a conhecer. No \u00e2mbito desta oportunidade ocorrida na 90.\u00aa Feira do Livro de Lisboa, que aspetos gostaria de salientar relativamente \u00e0 forma e, sobretudo, ao conte\u00fado da obra apresentada? <\/em><\/p>\n<p><strong>EF<\/strong> Folheei o livro, enquanto decorria a apresenta\u00e7\u00e3o do mesmo. Bastaram\u2011me as refer\u00eancias a alguns trechos mencionados, expressamente, pelo senhor Cardeal Patriarca para me aperceber da profundidade do pensamento da autora. Pude, entretanto, verificar, atrav\u00e9s do \u00edndice, que os subtemas abordam assuntos que permitem conhecer mais e melhor as diferentes facetas da vida e cultura do povo cigano. Interessa\u2011me, sobremaneira, a componente muito forte de\u00a0inova\u00e7\u00e3o numa \u00e1rea com elevado\u00a0interesse para a etnia objeto do\u00a0estudo e para a sociedade em geral.\u00a0 \u201cAprender a ser cigano hoje\u201d \u00e9 a\u00a0 constata\u00e7\u00e3o de que as transforma\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a acontecer na\u00a0 cultura predominante, dever\u00e3o\u00a0 levar esta etnia, a rever atitudes e\u00a0 tradi\u00e7\u00f5es que facilitem a sua desejada inclus\u00e3o social, sem que isso\u00a0 represente menosprezo por valores j\u00e1, alguns deles, desprezados\u00a0 pela atual civiliza\u00e7\u00e3o, nem a negar\u00a0 segmentos culturais determinantes\u00a0\u00a0para a afirma\u00e7\u00e3o de um povo que\u00a0 tem na fam\u00edlia o seu apoio fundamental e nos momentos marcantes\u00a0 da vida a sua valoriza\u00e7\u00e3o com gestos de festa ou de tristeza.<\/p>\n<p>Assim, a Obra agora assumida pela\u00a0EC \u00e9 mais uma oportunidade para conhecer o povo cigano e este saber como se deve\u00a0 adaptar as normas de convivialidade\u00a0 que o ajudar\u00e3o a uma mais adequada inclus\u00e3o social. Apercebo\u2011me, tamb\u00e9m, que a leitura ser\u00e1\u00a0 atraente por conciliar conte\u00fados\u00a0 te\u00f3ricos alicer\u00e7ados em conhecimentos emp\u00edricos como texto\u00a0 acad\u00e9mico que \u00e9. Mas a minha\u00a0curiosidade maior est\u00e1 no subt\u00edtulo do livro que refere um \u201cempurrando e puxando fronteiras\u201d.\u00a0 A intui\u00e7\u00e3o diz\u2011me que, tendo em\u00a0conta a ostraciza\u00e7\u00e3o secular desta\u00a0etnia, o procedimento tem de ser\u00a0o empurrar de tudo o que possa\u00a0impedir contato personalizado ou\u00a0fazer separa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios. Ora, o que se pretende \u00e9 empurrar e n\u00e3o puxar fronteiras. O esclarecimento deste meu enigma \u00e9 mais uma motiva\u00e7\u00e3o para ler, em breve, a publica\u00e7\u00e3o que a C\u00e1ritas assumiu.<\/p>\n<p><strong>EC<\/strong> <em>Na apresenta\u00e7\u00e3o do livro estavam representadas v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es, seja de car\u00e1ter p\u00fablico, seja de car\u00e1ter eclesial, seja da sociedade civil. Enquanto Presidente da C\u00e1ritas Portuguesa, que import\u00e2ncia atribui a estas m\u00faltiplas presen\u00e7as numa Sess\u00e3o desta natureza? <\/em><\/p>\n<p><strong>EF<\/strong> O n\u00famero de participantes presenciais e on\u2011line foi muito estimulante. O perfil dos que estiveram na sess\u00e3o \u00e9 a garantia de que mensagem n\u00e3o ficou confinada. As institui\u00e7\u00f5es oficiais e particulares representadas foram incentivadoras. Esta participa\u00e7\u00e3o t\u00e3o significativa fez\u2011me refor\u00e7ar a convic\u00e7\u00e3o j\u00e1 determinada em mim de que, por mais simples que possa ser uma situa\u00e7\u00e3o a resolver, ningu\u00e9m sozinho, pessoa ou organiza\u00e7\u00e3o, o poder\u00e1 fazer com a efic\u00e1cia desej\u00e1vel e com efici\u00eancia de meios. A multifacetada natureza dos problemas exige um s\u00e9rio, \u00e1gil e competente trabalho em rede. H\u00e1 realidades humanas em que, se isso n\u00e3o acontecer, qualquer iniciativa correr\u00e1 o risco de ser v\u00e3. \u00c9 o caso da rela\u00e7\u00e3o com a etnia cigana. Os preconceitos e, nalguns casos, at\u00e9 a total rejei\u00e7\u00e3o implicam o compromisso persistente de v\u00e1rios atores e institui\u00e7\u00f5es, sem excluir as pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es representativas dos ciganos, para que, atrav\u00e9s do conhecimento do <em>modus vivendi<\/em>, da cultura e das tradi\u00e7\u00f5es deste povo se possam perder os medos; para que, sem receios estereotipados, se abram portas nas organiza\u00e7\u00f5es empresariais, c\u00edvicas e religiosas para a inclus\u00e3o de ciganos e ciganas em tarefas remuneradas e de cidadania; para que, se posam criar condi\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas, no sentido de vencer a tenta\u00e7\u00e3o de colocar os ciganos a habitar em guetos.<\/p>\n<p>Foi muito esclarecedora a interven\u00e7\u00e3o do senhor Patriarca no que respeita \u00e0 miss\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica quanto \u00e0 inclus\u00e3o social do povo cigano. N\u00e3o se compreende o pouco investimento pastoral feito, at\u00e9 agora, nesta \u00e1rea. \u00c9 residual o n\u00famero de cat\u00f3licos que, em nome da Igreja, se compromete com o apoio \u00e0s comunidades ciganas. Limita\u2011se \u00e0 d\u00e1diva de alimentos, roupas e pouco mais. \u00c9 imperioso que se olhe para estes irm\u00e3os como tamb\u00e9m os mais pobres dos pobres e se fa\u00e7a a op\u00e7\u00e3o preferencial por eles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A EDITORIAL C\u00c1RITAS DEDICA UM CADERNO AO LIVRO DE MYRNA MONTENEGRO Ap\u00f3s o lan\u00e7amento dos seus livros, a Editorial C\u00e1ritas tem por h\u00e1bito dedicar um Caderno ao tema do livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado. Isso aconteceu com o livro de Myrna Montenegro (MM) \u201cAprender a ser cigano hoje: empurrando e puxando fronteiras\u00bb, lan\u00e7ado na Feira do Livro em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-1643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1643\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}