{"id":1646,"date":"2021-04-29T10:57:11","date_gmt":"2021-04-29T10:57:11","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2021\/04\/29\/juponlinept-6-fev\/"},"modified":"2021-04-29T10:57:11","modified_gmt":"2021-04-29T10:57:11","slug":"juponlinept-6-fev","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/juponlinept-6-fev\/","title":{"rendered":"JUPONLINE.PT &#8211; (6 fev)"},"content":{"rendered":"<p><strong>JUPONLINE.PT &#8211; (6 fev) <\/strong><\/p>\n<p><strong>CIGANOS: UMA HIST\u00d3RIA DE RACISMO <\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong>Os ciganos constru\u00edram, connosco, nacionalidade.\u00a0 Adolpho Coelho, em <em>\u201cOs ciganos de Portugal: com um estudo sobre o cal\u00e3o\u201d <\/em>(1892), evoca os \u201cmais de 250 homens\u00a0 d\u2019essa ra\u00e7a\u201d que \u201calistados no exercito portugu\u00eas, desde a\u00a0 restaura\u00e7\u00e3o do reino\u201d serviram \u201cnas fronteiras \u00abcom zelo\u00a0 e valor com que j\u00e1 foram muito apremeados\u00bb.\u201d Evoca,\u00a0 ainda, no esp\u00edrito de Thom\u00e9 Pinheiro da Veiga, \u201co caso\u00a0 d\u2019aquelle pobre cigano que serviu a sua p\u00e1tria adoptiva\u00a0 \u00abtr\u00eas annos cont\u00ednuos com suas armas e cavallo \u00e1 sua cus ta, sem soldo\u00bb, combatendo at\u00e9 \u00e0 morte por um pa\u00eds que,\u00a0 400 anos depois, ainda persegue a sua etnia.<\/p>\n<p>Desde que penetrou no territ\u00f3rio nacional, em meados do s\u00e9culo XV, o <em>cigano <\/em>foi sempre visto como um <strong>alvo\u00a0 a abater<\/strong>. Variad\u00edssimas foram as tentativas de lhe <strong>expurgar os costumes, a l\u00edngua, a livre vida do seu nomadismo<\/strong>, que sempre foi resposta a uma persegui\u00e7\u00e3o generalizada por parte das popula\u00e7\u00f5es e autoridades.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A <em>comunidade cigana<\/em>, como qualquer outra, \u00e9 sobretudo <strong>mitol\u00f3gica<\/strong>, alimentada por um preconceito que encontra, na Hist\u00f3ria, paralelismos mais ou menos evidentes com o destino de outros povos hist\u00f3ricos. <strong>Cerca de meio milh\u00e3o de ciganos pereceu no Holocausto (<em>Porajmos)<\/em><\/strong><em>. <\/em>Ao longo dos s\u00e9culos, in\u00fameros foram desterritorializados e reterritorializados, desterrados para o Brasil, instrumentalizados na sua coloniza\u00e7\u00e3o, e demais territ\u00f3rios ultramarinos, devido \u00e0 resist\u00eancia que ofereciam face \u00e0s sucessivas tentativas de assimila\u00e7\u00e3o por parte das popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Pequenos furtos, negociatas de jumentos e outras cavalgaduras, a tradicional associa\u00e7\u00e3o \u00e0 cartomancia e lei tura da sina, apelidada pela Inquisi\u00e7\u00e3o de <em>buena dicha, <\/em>contribu\u00edram para a <strong>difus\u00e3o, na cultura popular portuguesa, de uma imagem indissoci\u00e1vel da criminalidade<\/strong>. Em finais do s\u00e9culo XVI, ser cigano era punido com pena\u00a0 de morte.<\/p>\n<p>No ano de 1538, a denominada Lei XXIV das Cortes\u00a0 havia punido os ciganos naturais do Reino, com a ida por\u00a0 dois anos, para cada um dos lugares de \u00c1frica. A cent\u00faria de Quinhentos n\u00e3o iria findar sem antes ganhar for ma a lei de 28 de Agosto de 1592, que, al\u00e9m de impor\u00a0 a pena de morte (puni\u00e7\u00e3o renovada mais uma vez, em\u00a0 1694) aos ciganos que infringissem as medidas integra doras nela contidas, ou em alternativa, n\u00e3o abandonas sem o pa\u00eds num m\u00e1ximo de quatro meses, estipulava que: \u201c(\u2026) as mulheres dos ciganos que estiverem presos\u00a0 nas gal\u00e9s que est\u00e3o no porto desta cidade [Lisboa], ou em\u00a0 qualquer outro deste Reino em que estiverem, se sair\u00e3o\u00a0 dele dentro dos ditos quatro meses, ou se avizinhar\u00e3o no\u00a0 Reino pela maneira acima declarada, deixando o dito h\u00e1bito e l\u00edngua dos ciganos: e n\u00e3o o fazendo assim ser\u00e3o publicamente a\u00e7oitadas com bara\u00e7o e preg\u00e3o, e degredadas\u00a0 para sempre para o Brasil (\u2026)\u201d (Costa, 2005).<\/p>\n<p><strong>O curto alcance das iniciativas com vista \u00e0 sua integra\u00e7\u00e3o na sociedade portuguesa<\/strong>, levou a que tenham\u00a0 sido sucessivamente usados como arma de arremesso nos\u00a0 meandros pol\u00edticos, sobretudo naqueles que empregam\u00a0 uma ret\u00f3rica marcadamente populista para reclamar\u00a0 franjas de eleitorado suscet\u00edvel a um discurso extremado\u00a0 e inflamat\u00f3rio do tecido social portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A incapacidade de os ciganos operarem, quanto mais\u00a0 sobreviverem, numa sociedade contempor\u00e2nea que os\u00a0 demoniza resultou na sua exclus\u00e3o social e econ\u00f3mica.\u00a0 Essa exclus\u00e3o tem ocorrido em parte porque os ciganos\u00a0 criaram, ao longo dos s\u00e9culos, barreiras protetoras em\u00a0 torno das suas comunidades e cultura como resposta ao\u00a0 racismo que experienciaram, e como parte integrante da sua cultura n\u00f3mada. (James, 2020).<\/p>\n<p>Em <em>The Harms of Hate for Gypsies and Travellers <\/em>(2020), Zo\u00eb James discorre sobre a cultura de \u00f3dio instalada em rela\u00e7\u00e3o aos ciganos e viajantes irlandeses, sobretudo no Reino Unido, mas que traduz perfeitamente o racismo sist\u00e9mico presente um pouco por toda a Europa. A autora evidencia a responsabilidade em que incorrem os\u00a0<em>media<\/em>, com particular destaque para a televis\u00e3o, como instigadora de manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de \u00f3dio contra os ciganos.<\/p>\n<p>Em 2014, o Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas estimou que dos indiv\u00edduos da etnia cigana inquiridos, 27,1% n\u00e3o sabia ler nem escrever. Dos entrevistados, apenas 2,3% atingiu o Ensino Secund\u00e1rio. No que diz respeito a presta\u00e7\u00f5es sociais, 34,8% era benefici\u00e1ria do Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o. Cerca de 48% admitiu j\u00e1 ter passado fome. No que concerne a habita\u00e7\u00e3o, 27,5% vivia em casas rudimentares, como barracas ou tendas. 38,5% relata a insufici\u00eancia de transportes p\u00fablicos na sua zona habitacional.\u201d Este estudo revela-se como uma obra imprescind\u00edvel para atestar as condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de comunidades compostas por indiv\u00edduos de etnia cigana, mas que s\u00e3o, por vezes,\u00a0<strong>transversais a outras minorias. <\/strong>Quando 29,1% dos entrevistados responde que n\u00e3o procura trabalho porque\u00a0<strong>&#8220;ningu\u00e9m\u00a0<strong>d\u00e1\u00a0trabalho\u00a0a\u00a0um\u00a0cigano\u201d<\/strong><\/strong>, \u00e9 sinal mais que evidente que existe racismo sist\u00e9mico na sociedade portuguesa. A pobreza extrema em que, n\u00e3o raras vezes, alguns agregados se encontram, chega a comportar uma barreira \u00e0 sua\u00a0<strong>sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica<\/strong>, quanto mais \u00e0 sua integra\u00e7\u00e3o. O\u00a0<strong>Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o <\/strong>\u00e9, frequentemente, uma presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria que, mais do que a integra\u00e7\u00e3o, visa\u00a0<strong>garantir a sobreviv\u00eancia <\/strong>de indiv\u00edduos reiteradamente flagelados por ciclos de pobreza inquebr\u00e1veis.<\/p>\n<p>Francisco Gomes da Silva, no 2.\u00ba Volume do seu\u00a0<em>Mysterios da Inquisi\u00e7\u00e3o <\/em>(1900), tem uma passagem curiosa a respeito dos ciganos: \u00abSe n\u00e3o os deixavam trabalhar, como n\u00e3o queriam ser roubados? Se os enxotavam como faziam aos c\u00e3es, como n\u00e3o queriam que elles mordessem?<\/p>\n<p>E elles viviam alli, nas trevas, amontoa- dos, com frio e fome, se durante muito tem- po n\u00e3o podiam agenciar a vida, as mulheres e os filhos! A moral christ\u00e3 prohibia o roubo, mas antes d\u2019isso mandava dar de comer aos famintos e matar a sede aos sequiosos!\u00bb<\/p>\n<p>Atormenta-nos o esp\u00edrito que, volvidos 120 anos, desde a publica\u00e7\u00e3o desta obra, a situa\u00e7\u00e3o das\u00a0<em>comunidades ciganas <\/em>pouco ou nada tenha mudado. Incorrem, novamente, numa nova onda de extremismos, que promete, a troco de um punhado de votos, cortar-lhes as amarras que os prendem a terras que s\u00e3o t\u00e3o ou mais suas do que daqueles que os ostracizam.<\/p>\n<p>Filipe Nunes assina, na\u00a0<em>Revista Alambique <\/em>(IV, 2012), um artigo que contraria esta portugalidade t\u00f3xica: \u201cO andar\u00a0<em>de terra em\u00a0terra <\/em>n\u00e3o exclui a perten\u00e7a \u00e0 terra familiar, perten\u00e7a que \u00e9 em muitos casos\u00a0<strong>t\u00e3o ou mais antiga da perten\u00e7a do alentejano <\/strong>(vizinho) que n\u00e3o hesita usar das idiotices sem\u00e2nticas da extrema-direita em mand\u00e1-los para a\u00a0<em>terra deles<\/em>.<\/p>\n<p>Muitos de n\u00f3s fic\u00e1mos revoltados com ideias nacionalistas de muros fronteiri\u00e7os com o M\u00e9xi- co ou com campos de trabalhos for\u00e7ados e de reeduca\u00e7\u00e3o das minorias isl\u00e2micas na China, mas s\u00e3o poucas as vozes cr\u00edticas quanto ao tratamento desumano dado, n\u00e3o apenas, mas sobretudo, \u00e0s comunidades ciganas em territ\u00f3rio nacional. Frequentemente, ouvi da boca de pessoas assumidamente de esquerda e a favor do progresso social as maiores barbaridades quanto a esta quest\u00e3o. O touro \u00e9 visto em maior considera\u00e7\u00e3o do que o cigano. O cigano \u00e9 ladr\u00e3o, vive da economia paralela, do tr\u00e1fico de droga e armas, destr\u00f3i a habita\u00e7\u00e3o social que lhe \u00e9 atribu\u00edda pelas autarquias. Chega, inclusive, a desmontar elevadores para, de seguida, os vender.<\/p>\n<p>Aquilo que Zo\u00eb James nos relata \u00e9 bem diferente: \u201cNa mesma medida que o seu trabalho tradicional diminuiu,\u00a0 a terra em que tradicionalmente vivia fechou-lhe as por tas devido \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. A sua exclus\u00e3o social e econ\u00f3mica, agravada atrav\u00e9s de processos de racismo, discrimina\u00e7\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o, levou a que os ciganos ficassem cada vez mais pobres e as suas vidas se de finam pela precaridade e inseguran\u00e7a. A sua posi\u00e7\u00e3o nas\u00a0 margens da sociedade significa que est\u00e3o a competir por\u00a0 recursos limitados e pelo reconhecimento das suas necessidades humanas com o restante precariado. (\u2026) [Estas]\u00a0 pessoas est\u00e3o a sofrer viol\u00eancia estrutural massiva a partir de cima que os consigna a bairros de ex\u00edlio\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSem trabalho a vida que qualquer pessoa \u00e9 feita de in\u00fameros expedientes e esquemas de sobreviv\u00eancia, que no caso dos ciganos se institucionalizaram. (\u2026) Nesta esfera de empobrecimento ascendente, surge a sa\u00edda para tr\u00e1ficos \u00e0 margem da lei, selando o preconceito que j\u00e1 existia. H\u00e1, claro, uma economia paralela da droga, assim como crimes violentos, tal como o h\u00e1 entre os \u00ablocais\u00bb, mas ningu\u00e9m julga o grupo de locais como um todo ou a sua fam\u00edlia por inteiro.<em> <\/em>Depois, mesmo que tal derive de uma equa\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de pobreza \u00e0 criminalidade, o perigo de aceitar sem mais esse racioc\u00ednio, significa perpetuarmos o estigma de que a cultura de pobreza \u00e9 criminosa, ou de que qualquer marginal da sociedade \u2013 como se assume e \u00e9 definido aqui o cigano \u2013 \u00e9 \u201cnaturalmente\u201d um delinquente, omitindo da quest\u00e3o quem definiu essa equa\u00e7\u00e3o, quem determinou essas situa\u00e7\u00f5es, quem determina as condi\u00e7\u00f5es da economia e as possibilidades da subsist\u00eancia do dia-a-dia.\u201d (Alambique, IV, 2012)<\/p>\n<p>A par deste confinamento for\u00e7ado em zonas indesej\u00e1veis das cidades e demais localidades, que refletem pol\u00edticas sociais irrespons\u00e1veis, que visaram primeiro a\u00a0guetiza\u00e7\u00e3o\u00a0da pobreza\u00a0em detrimento da resposta a flagelos sociais evidentes, o\u00a0cigano\u00a0\u00e9 v\u00edtima de\u00a0din\u00e2micas de poder, de vigil\u00e2ncia e coa\u00e7\u00e3o\u00a0que apenas contribuem para refor\u00e7ar o seu lugar na margem. James aponta para o\u00a0policiamento extremo\u00a0de que s\u00e3o alvo, n\u00e3o apenas por for\u00e7as de seguran\u00e7a\u00a0que est\u00e3o frequentemente suscet\u00edveis a um extremar ideol\u00f3gico nocivo,\u00a0mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s das institui\u00e7\u00f5es sociais, educativas ou de sa\u00fade, que, ao inv\u00e9s de cumprirem o seu papel, agem como for\u00e7as policiais, recolhendo e partilhando dados que comprometem estas comunidades.<\/p>\n<p>\u201cNa atualidade, os portugueses da Vidigueira n\u00e3o ficam nem mais ricos nem menos pobres por perseguirem os ciganos que a\u00ed vivem. Os bejenses n\u00e3o ficam mais seguros por erguerem um muro \u00e0 volta de mais um gueto cigano, nem t\u00e3o pouco os pais e professores que os metem em turmas s\u00f3 para ciganos, ou os tentam enviar para outras escolas. Nem quem os insultam nos supermercados ganha mais ao fim do m\u00eas por essa raiva. Mas todos eles certamente sentem-se \u201cmais portugueses, mais patri\u00f3ticos, mais cultos, mais limpos, mais certos da sua \u00absuperioridade\u00bb identir\u00e1ria.\u201d\u00a0(Alambique, IV, 2012)<\/p>\n<p>\u00c9, por isso, ap\u00f3s um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o, o mais intelectualmente honesto poss\u00edvel, necess\u00e1rio repudiar toda e qualquer narrativa que assente sobre a premissa do\u00a0<strong>\u201cportugu\u00eas de bem\u201d<\/strong>, que procura incutir um tom moralizador \u00e0 pobreza, apontando dedos \u00e0queles que, ano ap\u00f3s ano, d\u00e9cada ap\u00f3s d\u00e9cada, t\u00eam suportado, est\u00e1ticos, a inoper\u00e2ncia de um Estado que, para camuflar a gest\u00e3o danosa dos sucessivos governos, nunca se coibiu de a instrumentalizar.<\/p>\n<p>Os ciganos constru\u00edram, connosco, nacionalidade.\u00a0Adolpho Coelho, em\u00a0<em>Os ciganos de Portugal: com um estudo sobre o cal\u00e3o <\/em>(1892), evoca os\u00a0\u201cmais de 250 homens d\u2019essa ra\u00e7a\u201d\u00a0que\u00a0\u201calistados no ex\u00e9rcito portugu\u00eas, desde a restaura\u00e7\u00e3o do reino\u201d serviram \u201cnas fronteiras \u00abcom zelo e valor com que j\u00e1 foram muito apremeados\u00bb.\u201d\u00a0Evoca, ainda, no esp\u00edrito de Thom\u00e9 Pinheiro da Veiga, \u201co caso d\u2019aquelle pobre cigano que serviu a sua p\u00e1tria adoptiva \u00abtr\u00eas annos cont\u00ednuos com suas armas e cavallo \u00e1 sua custa, sem soldo\u00bb, combatendo at\u00e9 \u00e0 morte por uma p\u00e1tria que, 400 anos depois, ainda persegue a sua etnia.<\/p>\n<p>Para finalizar, diz o autor que\u00a0<strong>\u201cesse facto basta para resgatar a ra\u00e7a cigana do opprobio de mais de quatro seculos e para nos fazer pensar em chamar os seus actuaes descendentes, por uma politica mais racional e humana que a dos nossos antepassados, ao conv\u00edvio da civilisa\u00e7\u00e3o.\u201d <\/strong>Contudo, e como comprova a franca ades\u00e3o a uma linha ret\u00f3rica que tem como porta-estandarte o \u00f3dio a esta minoria, em abono de uma ideia de nacionalidade baseada na ignor\u00e2ncia, n\u00e3o podemos abster-nos de lutar pelo reconhecimento dos ciganos enquanto portugueses, legitimados por um legado de s\u00e9culos que nem reis conseguiram vergar.<\/p>\n<p><strong>Rafael Jesus<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JUPONLINE.PT &#8211; (6 fev) CIGANOS: UMA HIST\u00d3RIA DE RACISMO Os ciganos constru\u00edram, connosco, nacionalidade.\u00a0 Adolpho Coelho, em \u201cOs ciganos de Portugal: com um estudo sobre o cal\u00e3o\u201d (1892), evoca os \u201cmais de 250 homens\u00a0 d\u2019essa ra\u00e7a\u201d que \u201calistados no exercito portugu\u00eas, desde a\u00a0 restaura\u00e7\u00e3o do reino\u201d serviram \u201cnas fronteiras \u00abcom zelo\u00a0 e valor com que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1646","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciganos-sao-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1646\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}