{"id":1651,"date":"2021-04-29T12:13:56","date_gmt":"2021-04-29T12:13:56","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2021\/04\/29\/ciganos-em-tempo-de-pandemia\/"},"modified":"2021-04-29T12:13:56","modified_gmt":"2021-04-29T12:13:56","slug":"ciganos-em-tempo-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/ciganos-em-tempo-de-pandemia\/","title":{"rendered":"CIGANOS EM TEMPO DE PANDEMIA"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>CIGANOS EM TEMPO DE PANDEMIA<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>O OBCIG de dez 20, na sua rubrica \u201cVozes Ciganas\u201d, <\/em><em>dedicou uma sec\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201cVozes Ciganas sobre os Direitos Humanos em Contexto de Pandemia\u201d. Sintetizamos a primeira entrevista, a C\u00e1tia Montes.<\/em><em> <\/em><\/p>\n<p>C\u00e1tia Montes (CM) \u00e9 cigana, educadora social e frequenta o 2.\u00ba ano do mestrado em educa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong><em>OBCIG <\/em><\/strong><em>A pandemia de COVID-19 tornou mais vis\u00edvel e aprofundou fragilidades socioecon\u00f3micas que j\u00e1 existiam e que agora se tornaram ainda mais evidentes? <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><strong>CM <\/strong>Todas as dificuldades e fragilidades socioecon\u00f3micas que j\u00e1 existiam aprofundaram-se e muito, no entanto, a visibilidade eu n\u00e3o sei se realmente existiu pelo lado positivo, no sentido de os pol\u00edticos e a sociedade em geral perceberem que \u00e9 uma comunidade que sofre de fragilidades que necessitam de ser colmatadas. Portanto, eu n\u00e3o sei se a visibilidade que houve, se foi produtiva, a n\u00edvel de conseguirmos solu\u00e7\u00f5es, em vez de cr\u00edticas e apontar dos dedos.<\/p>\n<p><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong><em>OBCIG <\/em><\/strong><em>Tendo em aten\u00e7\u00e3o a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, que impacto considera que a pandemia teve no acesso aos Direitos, principalmente no que diz respeito ao direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, Habita\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade e ao Trabalho.<\/em><em> <\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>CM <\/strong>Relativamente ao impacto da pandemia nos acessos aos Direitos Humanos b\u00e1sicos, a comunidade cigana, como todo o nosso pa\u00eds, sofreu bastante. Mas a comunidade cigana teve algumas especificidades. Na quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, houve muitas crian\u00e7as ciganas que n\u00e3o tiveram acesso, porque simplesmente n\u00e3o t\u00eam internet em casa ou porque moram num acampamento ou numa barraca onde n\u00e3o t\u00eam saneamento, nem luz, nem eletricidade para p\u00f4r internet ou computadores. E ent\u00e3o perderam muitas aulas e o retomar tamb\u00e9m n\u00e3o foi tarefa simples.<\/p>\n<p>A n\u00edvel de sa\u00fade, muita da comunidade cigana ainda vive em habita\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias e n\u00e3o se consegue proteger deste v\u00edrus maldito. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ter acesso a \u00e1gua para poder lavar as m\u00e3os, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ter acesso a materiais de desinfe\u00e7\u00e3o, nem a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A n\u00edvel do trabalho, com o encerramento das feiras, e algumas medidas que foram tidas nos estados de emerg\u00eancia e conting\u00eancia, que se compreende\u2026 No entanto, muita da economia da popula\u00e7\u00e3o cigana \u00e9 feita atrav\u00e9s da venda, do mercado, da roupa ou da fruta. Houve um grande abalo e, como s\u00e3o profissionais que trabalham muito por conta pr\u00f3pria, eu n\u00e3o sei se tiveram, se conseguiram ter ajuda do Estado ou outros tipos de ajuda. Muitas das coisas a tratar, eram todas atrav\u00e9s da internet e muita da comunidade cigana, na literacia digital, ainda n\u00e3o \u00e9 muito fluente e houve mui tas pessoas que n\u00e3o conseguiram tratar dos pap\u00e9is a tempo, para conseguir algum tipo de ajuda, e outras que nem sequer sabiam como o fazer. Portanto, houve aqui uma grande falha.<\/p>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m aconteceu que, em pleno estado de emerg\u00eancia, houve munic\u00edpios que quiseram despejar pessoas ciganas portuguesas das suas casas, onde havia crian\u00e7as, idosos\u2026<\/p>\n<p><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>OBCIG <\/em><\/strong><em>No contexto atual, o que acha que pode e deve ser feito para se proteger e consolidar o acesso da<\/em><em> popula\u00e7\u00e3o cigana aos Direitos Humanos?<\/em><\/p>\n<p><strong>CM <\/strong>Eu sinto que a comunidade est\u00e1 sempre um pouco como a \u00faltima e, quando se fala da comunidade cigana, tudo o que se faz \u00e9 no sentido de tentar prevenir alguma coisa que eu n\u00e3o sei bem o que \u00e9 que \u00e9. Porque as pessoas continuam a viver nas barracas, continuam a n\u00e3o ter pleno acesso a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, trabalho e habita\u00e7\u00e3o. Portanto, eu nestas quest\u00f5es, eu fico sempre sem saber muito bem o que dizer mais, para al\u00e9m daquilo o que toda a gente j\u00e1 sabe, que \u00e9\u2026 tem que haver mais pol\u00edticas p\u00fablicas e tem que se pensar numa inclus\u00e3o muito mais a s\u00e9rio. E espero que todos n\u00f3s possamos ter aprendido com este per\u00edodo que atravessou todo o mundo e o nosso pa\u00eds, e que daqui para a frente possa haver uma considera\u00e7\u00e3o por todos, por ciganos, n\u00e3o ciganos, a n\u00edvel dos Direitos Humanos, muito mais a s\u00e9rio. E quando eu digo a s\u00e9rio \u00e9 no sentido de perceber realmente as dificuldades e fragilidades que as pessoas est\u00e3o a passar. Para al\u00e9m da fome, para al\u00e9m do frio, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es como falta de informa\u00e7\u00e3o ou pessoas a serem despejadas em pleno estado de pandemia, e \u00e9 necess\u00e1rio n\u00f3s olharmos a isso.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CIGANOS EM TEMPO DE PANDEMIA O OBCIG de dez 20, na sua rubrica \u201cVozes Ciganas\u201d, dedicou uma sec\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201cVozes Ciganas sobre os Direitos Humanos em Contexto de Pandemia\u201d. Sintetizamos a primeira entrevista, a C\u00e1tia Montes. C\u00e1tia Montes (CM) \u00e9 cigana, educadora social e frequenta o 2.\u00ba ano do mestrado em educa\u00e7\u00e3o social. OBCIG A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-1651","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1651\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}