{"id":1661,"date":"2021-07-06T12:16:42","date_gmt":"2021-07-06T12:16:42","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2021\/07\/06\/jornal-da-nossa-terra-15-mar\/"},"modified":"2021-07-06T12:16:42","modified_gmt":"2021-07-06T12:16:42","slug":"jornal-da-nossa-terra-15-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/jornal-da-nossa-terra-15-mar\/","title":{"rendered":"Jornal da Nossa Terra (15 mar)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jornal da Nossa Terra <\/strong>(15 mar)<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o dedicada aos<\/em> <em>ciganos de Moura \u2013 continua\u00e7\u00e3o do n\u00ba 100. <\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O JNT conta hist\u00f3rias de ciganos de localidades do Concelho de Moura:<\/p>\n<p>Natanaela Reis (\u201ca menina-mulher\u201d) do Sobral da Adi\u00e7a que afirma: \u201csabe, a ADCMoura* \u00e9 a minha segunda m\u00e3e.\u201d.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Em\u00eddio (\u201co ambulante\u201d), tamb\u00e9m do Sobral, cujo modo de vida de vendedor ambulante n\u00e3o resistiu \u00e0 crise econ\u00f3mica, \u00e0 burocracia, \u00e0s taxas, \u00e0 ASAE e \u00e0 consequente extin\u00e7\u00e3o de feiras.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Ad\u00e9rito Cardas (AC) (\u201co pastor\u201d), nascido em S. Aleixo da Restaura\u00e7\u00e3o, da Igreja Evang\u00e9lica Filad\u00e9lfia de Portugal. Esta Igreja \u201cde matriz protestante\u201d, foi criada em meados do s\u00e9culo passado em Fran\u00e7a, tendo-se expandido rapidamente pelo mundo como um grande movimento de evangeliza\u00e7\u00e3o das comunidades ciganas, tendo chegado a Portugal na d\u00e9cada de 70. A sua forte implanta\u00e7\u00e3o traduz-se hoje em cerca de 80 por cento de devotos entre a popula\u00e7\u00e3o cigana portuguesa, tradicionalmente cat\u00f3lica, figurando o Alentejo e em especial o concelho de Moura como os campe\u00f5es nacionais do proselitismo evang\u00e9lico. Tal como no resto do pa\u00eds, a penetra\u00e7\u00e3o da Igreja Evang\u00e9lica em Moura e a sua influ\u00eancia avassaladora nos modos de vida e nos h\u00e1bitos culturais ciganos tem sido apontada como positiva. AC come\u00e7ou por ser comerciante de autom\u00f3veis pela Internet. Na igreja de Pias, ministrava o \u201cculto\u201d tr\u00eas vezes por semana, que aproveitava para dirimir disputas de \u201ccontr\u00e1rios\u201d, mostrando \u00e0s partes (fam\u00edlias) desavindas o caminho do perd\u00e3o e da reconcilia\u00e7\u00e3o e usava tamb\u00e9m toda a sua autoridade moral na pacifica\u00e7\u00e3o dos \u201cindom\u00e1veis\u201d e \u201cindisciplinados\u201d, censurando, nos seus serm\u00f5es, situa\u00e7\u00f5es de alcoolismo, toxicodepend\u00eancia, tr\u00e1fico de drogas e outras condutas reprov\u00e1veis. De certa forma, o poder do pastor tende a substituir-se \u00e0 kris, o \u201ctribunal\u201d cigano que lida com regras pacificadoras dentro da comunidade. A aplica\u00e7\u00e3o da lei cigana deixa assim de estar circunscrita ao universo laico para passar a estar na \u00f3rbita da esfera religiosa. AC dedica-se a outras causas de amor ao pr\u00f3ximo. Atrav\u00e9s de contactos privilegiados que mant\u00e9m com empres\u00e1rios agr\u00edcolas espanh\u00f3is, chama a si o recrutamento dos ciganos interessados em trabalhar nos campos e pomares de Huelva. Tratalhes ainda da \u00abpapelada\u00bb e do alojamento. Trabalho sazonal, com contrato, descontos e sal\u00e1rios convidativos, que chega a ocupar duas dezenas de fam\u00edlias de Moura (o casal ou o seu elemento masculino), de Mar\u00e7o a Outubro. Nesta primeira campanha de abril e maio de 2021, a m\u00e3o-de-obra destina-se \u00e0 apanha de morango, framboesa e mirtilo. Tamb\u00e9m Ad\u00e9rito costuma fazer, pelo menos, uma campanha destas por ano. \u201cEm Espanha n\u00e3o h\u00e1 racismo como aqui. Estou inscrito no Centro de Emprego de Moura e nunca me chamaram para trabalho.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ada Bar\u00e3o (AB) (\u201ca guia-int\u00e9rprete)<\/p>\n<p>AB \u00e9 cigana, tem 21 anos, \u00e9 solteira, tem o 9\u00ba ano e aspira ao 12\u00ba e \u00e0 universidade; \u00e9 guia-int\u00e9rprete no Museu Municipal de Moura. AB vive entre a surpresa de uns e o espanto de outros, e o apoio e compreens\u00e3o de ambos os mundos, cigano e n\u00e3o-cigano, nunca tendo sentido qualquer assomo de discrimina\u00e7\u00e3o pelas suas escolhas. Refere que os outros \u201cacham que sou uma cigana moderna e que todas n\u00f3s dev\u00edamos ser assim.\u201d Para ela, \u201c\u2019ter maneiras de senhor(a)\u2019 n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de perder o \u2018orgulho de ser cigano(a).\u2019 Pelo contr\u00e1rio, quanto mais aprendermos e conhecermos a cultura do Outro, mais preparados e capacitados estaremos para defender a nossa cultura, numa base de di\u00e1logo, de compreens\u00e3o das diferen\u00e7as e daquilo que nos une. Isso aplica-se a ciganos e n\u00e3o-ciganos. \u2018N\u00f3s, ciganos, tamb\u00e9m temos muitas coisas a ensinar aos n\u00e3o-ciganos\u2019\u201d. \u201cAdoro aquilo que fa\u00e7o! Sinto-me realizada! No futuro, gostava de estudar Hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>Benjamim Bar\u00e3o (BB) (\u201co mediador\u201d), 27 anos, mourense, cigano,\u201d mediador intercultural por convic\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u201d. Frequentou o curso de T\u00e9cnico de Instala\u00e7\u00f5es El\u00e9tricas, na Escola Profissional de Moura, escola onde gostou de estudar \u201cpela sua abertura \u00e0 inclus\u00e3o. Nesta escola encontrei uma grande toler\u00e2ncia face \u00e0 diferen\u00e7a e face a outras culturas. Proporcionou-me conviver com n\u00e3o-ciganos, ciganos, pretos, romenos, ucranianos\u2026e fez de mim aquilo que sou hoje, uma pessoa mais preparada para a vida, para o di\u00e1logo intercultural e para a multiculturalidade. Nesta escola nunca houve preconceitos, nem tabus. Estou grato \u00e0 Escola e a todos os(as) professores(as) que nela trabalham ou que j\u00e1 trabalharam.\u201d<\/p>\n<p>Em 2013 integrou uma comitiva de 30 jovens, ciganos e n\u00e3o ciganos de toda a UE, que participaram num evento do Centro Juvenil Europeu, que se realizou em Budapeste, na Hungria. \u201cLembro-me de ter contactado com mulheres ciganas de outros pa\u00edses que eram professoras universit\u00e1rias, estudantes de medicina, que estavam casadas e n\u00e3o tinham filhos, e que acharam estranho quando lhes disse que na minha regi\u00e3o n\u00e3o havia raparigas ciganas nas universidades e que grande parte delas j\u00e1 tinha filhos. Eu tamb\u00e9m achei uma novidade o caso delas. Conheci pessoas muito diferentes, todas extraordin\u00e1rias e de grande capacidade, casais ciganos, ciganos gays, ciganas l\u00e9sbicas&#8230; A minha realidade, aqui em Moura, nunca me tinha deixado ver um mundo t\u00e3o diferente e rico. Este foi um dos trampolins para ser o que sou hoje. Este foi um dos trampolins para ser o que sou hoje. Outros contactos e outras viagens se seguiram. Acabei por conhecer quase todas as pessoas deste meio. Este mundo da luta pelos direitos das minorias ainda \u00e9 t\u00e3o pequeno que acabamos por nos conhecer todos. Tamb\u00e9m quero dizer que devo esta e outras viagens ao Pedro Calado, ex-Alto-Comiss\u00e1rio das Migra\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do Programa Escolhas, que apostou desde cedo em mim e fez muito pelos jovens ciganos, dando-lhes voz e palco.<\/p>\n<p>Em 2016 andou por Serpa, Reguengos, Beja, Moura e Sobral da Adi\u00e7a,\u00a0 com o jornalista Tiago Carrasco, o Daniel Costa Neves, um fot\u00f3grafo reconhecido que j\u00e1 ganhou pr\u00e9mios internacionais e o actor e escritor norte-americano Jeff Wood, que vive em Berlim, e que \u00e9 o editor da revista (Berlin Quarterly), onde sairia a reportagem com o t\u00edtulo Ciganos of Alentejo. Fomos \u201cde bairro em bairro, de acampamento em acampamento &#8211; at\u00e9 acompanh\u00e1mos uma fam\u00edlia n\u00f3mada! -, saber mais sobre a vida e as dificuldades das fam\u00edlias ciganas. Foi muito importante ter dado a conhecer a realidade da comunidade cigana desta regi\u00e3o numa revista internacional de cultura, t\u00e3o prestigiada. Para mim foi um privil\u00e9gio acompanhar estas pessoas t\u00e3o amigas e t\u00e3o simples.<\/p>\n<p>Em 2017 esteve no Pal\u00e1cio de Bel\u00e9m, com o grupo de estudantes universit\u00e1rios e bolseiros ciganos do projecto Opr\u00e9 Chaval\u00e9, num encontro com o Presidente da Rep\u00fablica. \u201cDiante do Presidente, cada um falou do seu percurso e da sua experi\u00eancia. Foi um dia importante para n\u00f3s ciganos. Destaco a oportunidade de se falar dos ciganos num espa\u00e7o democr\u00e1tico. E ter o Presidente da Rep\u00fablica a receber-nos e ouvir-nos \u00e9 um reconhecimento brutal daquilo que os ciganos s\u00e3o e fazem e tamb\u00e9m do Programa Opr\u00e9 Chaval\u00e9. Representou uma motiva\u00e7\u00e3o extra para os ciganos que apostam nos estudos para melhorarem as suas vidas. Eu como cigano estudante tive essa oportunidade, esse privil\u00e9gio, de ter estado com o Presidente. Quando eu lhe disse que vinha de Moura, respondeu: \u00abMoura!? A\u00ed bebe-se bom vinho.\u00bb \u201c<\/p>\n<p>Em 2019, foi convidado, por uma Associa\u00e7\u00e3o de Ciganos de Coimbra, para participar numa viagem de estudo \u00e0 Pol\u00f3nia. \u201cVisit\u00e1mos o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau, onde, de 3 para 4 de agosto de 1944, os ciganos que a\u00ed se encontravam se revoltaram contra os guardas, armados com p\u00e1s, paus e pedras. Os nazis deportaram alguns para outros campos e gasearam os restantes, cerca de 4 mil, nessa noite. Foi nessa visita, j\u00e1 em Crac\u00f3via, que conheci o Raymond Gur\u00eame, um dos \u00faltimos ciganos sobreviventes do holocausto nazi. Lembro-me mais ou menos das palavras que nos dirigiu: \u2018N\u00e3o deixem o vosso futuro nas m\u00e3os dos loucos. \u00c9 preciso resistir \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, ao racismo, \u00e0s expuls\u00f5es violentas de ciganos\u2019. Foi um privil\u00e9gio enorme ter conhecido o Raymond, que, infelizmente, j\u00e1 faleceu, em maio do ano passado. \u2026 Raymond tinha 15 anos quando foi enviado para campos de concentra\u00e7\u00e3o, e tem agora 95 anos, e \u00e9 cigano. Conseguiu escapar 12 vezes dos campos de concentra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pessoa incr\u00edvel. \u2026 O mundo est\u00e1 a precisar muito de pessoas como ele.\u201d<\/p>\n<p>BB afirma: \u201ch\u00e1 valores que n\u00e3o se devem perder, por muitas evolu\u00e7\u00f5es e progressos que aconte\u00e7am. E um deles \u00e9 a import\u00e2ncia da fam\u00edlia. Para as comunidades ciganas, a fam\u00edlia \u00e9 nuclear, \u00e9 essencial. E o respeito pelos mais velhos tamb\u00e9m. \u2026 A fam\u00edlia nunca deve perder-se. O respeito pelos pais, pelos mais antigos, \u00e9 uma coisa muito boa que me ensinaram e que eu estou a passar aos meus filhos.<\/p>\n<p>No dia 10 de Agosto de 2020, a ADCMoura celebrou o seu 27\u00ba anivers\u00e1rio a prop\u00f3sito do qual BB escreveu no Facebook: \u201c\u2018E hoje a casa que me recebeu h\u00e1 7 anos, a que me recebeu de bra\u00e7os abertos quando ainda n\u00e3o sabia o que era o mundo laboral, a que ainda faz parte do meu quotidiano, faz 27 anos de vida. Parab\u00e9ns, ADCMoura!\u2019 \u00c9 preciso ter ao nosso lado um grupo de pessoas, mesmo n\u00e3o ciganas, que sejam amigos desta causa. Na ADCMoura encontrei-as, por isso na ADCMoura sinto-me em casa. Aqui aprendi e aprendo todos os dias, aqui fiz amigos. Aqui sinto-me \u00e0 vontade para cumprir com as minhas obriga\u00e7\u00f5es e responsabilidades. \u00c9 bom contar com pessoas que se preocupam com a causa cigana. Aquilo que sou, devo \u00e0 ADCMoura, \u00e0s pessoas com quem tenho aprendido aqui\u201d.<\/p>\n<p>Seguem-se diversos textos cobre os ciganos da autoria do escritor Urbano Tavares Rodrigues, natural de Moura.<\/p>\n<p>A cultura cigana \u00e9 \u00e1grafa: transmite-se entre gera\u00e7\u00f5es apenas pela palavra. Existem assim pouqu\u00edssimos registos hist\u00f3ricos referentes a este povo, e os que existem s\u00e3o relativamente recentes e oriundos da cultura maiorit\u00e1ria. Os poucos elementos de que dispomos para o estudo da hist\u00f3ria do povo cigano s\u00e3o relativos \u00e0 sua l\u00edngua, lendas e h\u00e1bitos. (Delphine ATTALI, Cla\u00fadia GUERRA, Observat\u00f3rio sociodemogr\u00e1fico das comunidades ciganas, ADCMoura, 2013).<\/p>\n<p>Sob a designa\u00e7\u00e3o: <em>Ciganos: Abeced\u00e1rio<\/em> seguem-se de A a Z explica\u00e7\u00f5es \/ ilustra\u00e7\u00f5es sobre diversas palavras significativas para a cultura cigana: <strong>barraca<\/strong>; <strong>(dar) Caba\u00e7as<\/strong> (terminar um relacionamento, namoro ou casamento, entre um homem e uma mulher); <strong>discrimina\u00e7\u00e3o<\/strong>; <strong>escola<\/strong>; <strong>fam\u00edlia<\/strong>; <strong>gadj\u00e9 \/ gadjo<\/strong> (n\u00e3o cigana \/ n\u00e3o cigano); <strong>holocausto<\/strong>; <strong>Igreja Filad\u00e9lfia<\/strong>; <strong>jardim-de-inf\u00e2ncia<\/strong>; <strong>lei (cigana)<\/strong>; <strong>mediador(a)<\/strong> (o concelho de Moura conta com 4 mediadores interculturais, 3 dos quais de etnia cigana, no \u00e2mbito do projecto Mediadores Municipais e Interculturais (POISE), promovido pela CMMoura em parceria com a ADCMoura, que asseguram o desenvolvimento de actividades relacionadas com a capacita\u00e7\u00e3o de pessoas desfavorecidas, cria\u00e7\u00e3o de pontes entre cidad\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es, promo\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo intercultural e constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es mutuamente satisfat\u00f3rias); <strong>n\u00f3mada<\/strong>; <strong>Opr\u00e9 Chaval\u00e9<\/strong> (express\u00e3o em romani que significa \u201cErguei-vos jovens (ciganos)\u201de que deu nome a um projecto promovido, entre 2014 e 2016, pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Letras N\u00f3madas, co-financiado pelo Programa Cidadania Activa \u2013 EEA Grants gerido pela Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian e com o apoio do Programa Escolhas e a Funda\u00e7\u00e3o Montepio, destinado a capacitar e acompanhar estudantes ciganos no acesso e frequ\u00eancia do ensino superior. Este projecto deu lugar ao actual programa <strong>OPRE<\/strong> (Programa Operacional de Promo\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o), promovido em parceria pelo Alto-Comissariado para as Migra\u00e7\u00f5es e pela Associa\u00e7\u00e3o Letras N\u00f3madas. Dirige-se a estudantes das comunidades ciganas que pretendem ingressar ou que estejam a frequentar o ensino superior); <strong>participa\u00e7\u00e3o<\/strong> (o associativismo cigano carece de ser reanimado, n\u00e3o s\u00f3 como factor mobilizador da comunidade, mas como representante e advogado dos interesses que congrega); <strong>quarentena<\/strong>; <strong>RSI<\/strong> (o Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o \u201crevelou-se uma medida da maior import\u00e2ncia face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pobreza extrema em que se encontra parte da comunidade cigana. Permitiu enfrentar situa\u00e7\u00f5es de total incapacidade material para suprir as necessidades b\u00e1sicas, mas foi tamb\u00e9m factor importante para estabelecer algumas pontes entre o Estado e a comunidade cigana. Permitiu ainda estabelecer contratualiza\u00e7\u00f5es com as fam\u00edlias ciganas atrav\u00e9s das quais as crian\u00e7as passaram a frequentar a escola, as mulheres e as crian\u00e7as a serem cobertas pela sa\u00fade materno-infantil, os(as) adultos (as) a terem acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o recorrente e profissional, etc.\u201d AR;<\/p>\n<p>\u201ca par da redu\u00e7\u00e3o dos nichos de trabalho tradicionais (feiras, mercados e trabalhos agr\u00edcolas sazonais), (o RSI) arrastou consigo expectativas frustradas face \u00e0 inser\u00e7\u00e3o laboral e social na sociedade maiorit\u00e1ria, introduzindo uma nova postura de passividade, contr\u00e1ria ao que era comummente reconhecida como uma for\u00e7a nas comunidades ciganas, como o empreendedorismo, ainda que fosse mais vis\u00edvel na economia informal. Nesse sentido, esta medida \u00e9 tamb\u00e9m vista negativamente pelas comunidades ciganas, se n\u00e3o forem introduzidas, a par, medidas efectivas de inser\u00e7\u00e3o laboral, uma vez que contribui para alimentar o estigma de parasitismo social (Mirna Montenegro)); <strong>sastipen<\/strong> (boa sa\u00fade em Romani); <strong>TIC <\/strong>(Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o; <strong>uni\u00e3o de facto<\/strong>; <strong>viagem<\/strong>;<strong> xenofobia<\/strong>; <strong>z\u00edngaro <\/strong>(cigano).<\/p>\n<p>Segue-se uma pequena bibliografia sobre ciganos e um passatempo com perguntas, remetendo as solu\u00e7\u00f5es para o pr\u00f3ximo n\u00ba.<\/p>\n<p>* <em>Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento do Concelho de Moura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornal da Nossa Terra (15 mar) Edi\u00e7\u00e3o dedicada aos ciganos de Moura \u2013 continua\u00e7\u00e3o do n\u00ba 100. \u00a0 O JNT conta hist\u00f3rias de ciganos de localidades do Concelho de Moura: Natanaela Reis (\u201ca menina-mulher\u201d) do Sobral da Adi\u00e7a que afirma: \u201csabe, a ADCMoura* \u00e9 a minha segunda m\u00e3e.\u201d. 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