{"id":1673,"date":"2021-10-12T09:05:17","date_gmt":"2021-10-12T09:05:17","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2021\/10\/12\/jornal-da-nossa-terra-15-mar-2\/"},"modified":"2021-10-12T09:05:17","modified_gmt":"2021-10-12T09:05:17","slug":"jornal-da-nossa-terra-15-mar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/jornal-da-nossa-terra-15-mar-2\/","title":{"rendered":"Jornal da Nossa Terra (15 mar)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jornal da Nossa Terra <\/strong>(15 mar)<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o dedicada aos<\/em> <em>ciganos de Moura \u2013 continua\u00e7\u00e3o do n\u00ba 101. <\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O JNT conta hist\u00f3rias de ciganos de localidades do Concelho de Moura:<\/p>\n<p>Benjamim Bar\u00e3o (BB) (\u201co mediador\u201d), 27 anos, mourense, cigano,\u201d mediador intercultural por convic\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em 2019, foi convidado, por uma Associa\u00e7\u00e3o de Ciganos de Coimbra, para participar numa viagem de estudo \u00e0 Pol\u00f3nia. \u201cVisit\u00e1mos o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau, onde, de 3 para 4 de agosto de 1944, os ciganos que a\u00ed se encontravam se revoltaram contra os guardas, armados com p\u00e1s, paus e pedras. Os nazis deportaram alguns para outros campos e gasearam os restantes, cerca de 4 mil, nessa noite. Foi nessa visita, j\u00e1 em Crac\u00f3via, que conheci o Raymond Gur\u00eame, um dos \u00faltimos ciganos sobreviventes do holocausto nazi. Lembro-me mais ou menos das palavras que nos dirigiu: \u2018N\u00e3o deixem o vosso futuro nas m\u00e3os dos loucos. \u00c9 preciso resistir \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, ao racismo, \u00e0s expuls\u00f5es violentas de ciganos\u2019. Foi um privil\u00e9gio enorme ter conhecido o Raymond, que, infelizmente, j\u00e1 faleceu, em maio do ano passado. \u2026 Raymond tinha 15 anos quando foi enviado para campos de concentra\u00e7\u00e3o, e tem agora 95 anos, e \u00e9 cigano. Conseguiu escapar 12 vezes dos campos de concentra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pessoa incr\u00edvel. \u2026 O mundo est\u00e1 a precisar muito de pessoas como ele.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>BB afirma: \u201ch\u00e1 valores que n\u00e3o se devem perder, por muitas evolu\u00e7\u00f5es e progressos que aconte\u00e7am. E um deles \u00e9 a import\u00e2ncia da fam\u00edlia. Para as comunidades ciganas, a fam\u00edlia \u00e9 nuclear, \u00e9 essencial. E o respeito pelos mais velhos tamb\u00e9m. \u2026 A fam\u00edlia nunca deve perder-se. O respeito pelos pais, pelos mais antigos, \u00e9 uma coisa muito boa que me ensinaram e que eu estou a passar aos meus filhos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No dia 10 de Agosto de 2020, a ADCMoura* celebrou o seu 27\u00ba anivers\u00e1rio a prop\u00f3sito do qual BB escreveu no Facebook: \u201c\u2018E hoje a casa que me recebeu h\u00e1 7 anos, a que me recebeu de bra\u00e7os abertos quando ainda n\u00e3o sabia o que era o mundo laboral, a que ainda faz parte do meu quotidiano, faz 27 anos de vida. Parab\u00e9ns, ADCMoura!\u2019 \u00c9 preciso ter ao nosso lado um grupo de pessoas, mesmo n\u00e3o ciganas, que sejam amigos desta causa. Na ADCMoura encontrei-as, por isso na ADCMoura sinto-me em casa. Aqui aprendi e aprendo todos os dias, aqui fiz amigos. Aqui sinto-me \u00e0 vontade para cumprir com as minhas obriga\u00e7\u00f5es e responsabilidades. \u00c9 bom contar com pessoas que se preocupam com a causa cigana. Aquilo que sou, devo \u00e0 ADCMoura, \u00e0s pessoas com quem tenho aprendido aqui\u201d.<\/p>\n<p>Seguem-se diversos textos cobre os ciganos da autoria do escritor Urbano Tavares Rodrigues, natural de Moura.<\/p>\n<p>A cultura cigana \u00e9 \u00e1grafa: transmite-se entre gera\u00e7\u00f5es apenas pela palavra. Existem assim pouqu\u00edssimos registos hist\u00f3ricos referentes a este povo, e os que existem s\u00e3o relativamente recentes e oriundos da cultura maiorit\u00e1ria. Os poucos elementos de que dispomos para o estudo da hist\u00f3ria do povo cigano s\u00e3o relativos \u00e0 sua l\u00edngua, lendas e h\u00e1bitos. (Delphine ATTALI, Cla\u00fadia GUERRA, Observat\u00f3rio sociodemogr\u00e1fico das comunidades ciganas, ADCMoura, 2013).<\/p>\n<p>Sob a designa\u00e7\u00e3o: <em>Ciganos: Abeced\u00e1rio<\/em> seguem-se de A a Z explica\u00e7\u00f5es \/ ilustra\u00e7\u00f5es sobre diversas palavras significativas para a cultura cigana: <strong>barraca<\/strong>; <strong>(dar) Caba\u00e7as<\/strong> (terminar um relacionamento, namoro ou casamento, entre um homem e uma mulher); <strong>discrimina\u00e7\u00e3o<\/strong>; <strong>escola<\/strong>; <strong>fam\u00edlia<\/strong>; <strong>gadj\u00e9 \/ gadjo<\/strong> (n\u00e3o cigana \/ n\u00e3o cigano); <strong>holocausto<\/strong>; <strong>Igreja Filad\u00e9lfia<\/strong>; <strong>jardim-de-inf\u00e2ncia<\/strong>; <strong>lei (cigana)<\/strong>; <strong>mediador(a)<\/strong> (o concelho de Moura conta com 4 mediadores interculturais, 3 dos quais de etnia cigana, no \u00e2mbito do projecto Mediadores Municipais e Interculturais (POISE), promovido pela CMMoura em parceria com a ADCMoura, que asseguram o desenvolvimento de actividades relacionadas com a capacita\u00e7\u00e3o de pessoas desfavorecidas, cria\u00e7\u00e3o de pontes entre cidad\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es, promo\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo intercultural e constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es mutuamente satisfat\u00f3rias); <strong>n\u00f3mada<\/strong>; <strong>Opr\u00e9 Chaval\u00e9<\/strong> (express\u00e3o em romani que significa \u201cErguei-vos jovens (ciganos)\u201de que deu nome a um projecto promovido, entre 2014 e 2016, pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Letras N\u00f3madas, co-financiado pelo Programa Cidadania Activa \u2013 EEA Grants gerido pela Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian e com o apoio do Programa Escolhas e a Funda\u00e7\u00e3o Montepio, destinado a capacitar e acompanhar estudantes ciganos no acesso e frequ\u00eancia do ensino superior. Este projecto deu lugar ao actual programa <strong>OPRE<\/strong> (Programa Operacional de Promo\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o), promovido em parceria pelo Alto-Comissariado para as Migra\u00e7\u00f5es e pela Associa\u00e7\u00e3o Letras N\u00f3madas. Dirige-se a estudantes das comunidades ciganas que pretendem ingressar ou que estejam a frequentar o ensino superior); <strong>participa\u00e7\u00e3o<\/strong> (o associativismo cigano carece de ser reanimado, n\u00e3o s\u00f3 como factor mobilizador da comunidade, mas como representante e advogado dos interesses que congrega); <strong>quarentena<\/strong>; <strong>RSI<\/strong> (o Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o \u201crevelou-se uma medida da maior import\u00e2ncia face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pobreza extrema em que se encontra parte da comunidade cigana. Permitiu enfrentar situa\u00e7\u00f5es de total incapacidade material para suprir as necessidades b\u00e1sicas, mas foi tamb\u00e9m factor importante para estabelecer algumas pontes entre o Estado e a comunidade cigana. Permitiu ainda estabelecer contratualiza\u00e7\u00f5es com as fam\u00edlias ciganas atrav\u00e9s das quais as crian\u00e7as passaram a frequentar a escola, as mulheres e as crian\u00e7as a serem cobertas pela sa\u00fade materno-infantil, os(as) adultos (as) a terem acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o recorrente e profissional, etc.\u201d AR;<\/p>\n<p>\u201ca par da redu\u00e7\u00e3o dos nichos de trabalho tradicionais (feiras, mercados e trabalhos agr\u00edcolas sazonais), (o RSI) arrastou consigo expectativas frustradas face \u00e0 inser\u00e7\u00e3o laboral e social na sociedade maiorit\u00e1ria, introduzindo uma nova postura de passividade, contr\u00e1ria ao que era comummente reconhecida como uma for\u00e7a nas comunidades ciganas, como o empreendedorismo, ainda que fosse mais vis\u00edvel na economia informal. Nesse sentido, esta medida \u00e9 tamb\u00e9m vista negativamente pelas comunidades ciganas, se n\u00e3o forem introduzidas, a par, medidas efectivas de inser\u00e7\u00e3o laboral, uma vez que contribui para alimentar o estigma de parasitismo social (Mirna Montenegro)); <strong>sastipen<\/strong> (boa sa\u00fade em Romani); <strong>TIC <\/strong>(Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o; <strong>uni\u00e3o de facto<\/strong>; <strong>viagem<\/strong>;<strong> xenofobia<\/strong>; <strong>z\u00edngaro <\/strong>(cigano).<\/p>\n<p>Segue-se uma pequena bibliografia sobre ciganos e um passatempo com perguntas, remetendo as solu\u00e7\u00f5es para o pr\u00f3ximo n\u00ba.<\/p>\n<p>* <em>Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento do Concelho de Moura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornal da Nossa Terra (15 mar) Edi\u00e7\u00e3o dedicada aos ciganos de Moura \u2013 continua\u00e7\u00e3o do n\u00ba 101. \u00a0 O JNT conta hist\u00f3rias de ciganos de localidades do Concelho de Moura: Benjamim Bar\u00e3o (BB) (\u201co mediador\u201d), 27 anos, mourense, cigano,\u201d mediador intercultural por convic\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u201d. 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