{"id":1912,"date":"2022-09-03T10:29:40","date_gmt":"2022-09-03T10:29:40","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/?p=1912"},"modified":"2023-02-24T10:31:07","modified_gmt":"2023-02-24T10:31:07","slug":"editorial-106","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/editorial-106\/","title":{"rendered":"CARAVANA 106 &#8211; EDITORIAL"},"content":{"rendered":"<p>FERNANDO MOITAL<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma curta mas fatal crise de sa\u00fade, Fernando Moital, o ap\u00f3stolo dos ciganos n\u00f3madas compulsivos do Alentejo, faleceu em 20 de setembro. Referindo as m\u00faltiplas rea\u00e7\u00f5es nas redes socias sobre a vida de Fernando Moital, a sua mulher diz que elas \u201cmostram bem o ser humano que ele era, o trabalho que desenvolveu ao longo dos anos em prol da comunidade em geral, escolar, comunidade cigana.<\/p>\n<p>Era um amante da natureza e muito sens\u00edvel \u00e0s quest\u00f5es da mobilidade e ambientais.<\/p>\n<p>O Fernando tinha um cora\u00e7\u00e3o grandioso e o dom de criar la\u00e7os de amizade e criar sinergias na luta pelas suas convic\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Fernando Moital, movido pelo seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, pelo seu exemplar sentido de cidadania e pela sua profunda humanidade, n\u00e3o p\u00f4de passar ao largo dos ciganos cuja \u00fanica solu\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia \u00e9 vaguear constantemente de terra em terra, rompendo violentamente a escolariza\u00e7\u00e3o das suas crian\u00e7as e a sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a social, \u00a0por n\u00e3o terem meios para possu\u00edrem uma casa onde se albergar ou um terreno onde se fixarem, sendo, por esse motivo, sistem\u00e1tica e tantas vezes barbaramente escorra\u00e7ados pelas chamadas for\u00e7as da autoridade (que autoridade?: a da injusti\u00e7a?, a do desprezo pelos direitos humanos e pelas leis que d\u00e3o a cada cidad\u00e3o o direito a ter uma habita\u00e7\u00e3o condigna?), a mando de C\u00e2maras Municipais que trocam as respetivas supostas ideologias de defensoras da sociedade e do povo, por punhados de votos, ao abrigo t\u00e3o zeloso quanto hip\u00f3crita de posturas municipais, que se este pa\u00eds fosse digno de ser considerado uma na\u00e7\u00e3o de bem, h\u00e1 muito teriam sido revogadas.<\/p>\n<p>Fernando Moital n\u00e3o era Governo, n\u00e3o era Autarquia: Fernando Moital, era, como ele pr\u00f3prio assinou, no mail publicado na \u00faltima Caravana (n\u00ba 105, cuja primeira p\u00e1gina lhe foi dedicada), pai e cidad\u00e3o. Fernando Moital n\u00e3o ignorou a desumana sina dos seus amigos ciganos n\u00f3madas compulsivos, n\u00e3o teorizou sobre eles, n\u00e3o fez projetos nem se limitou a boas inten\u00e7\u00f5es: Fernando Moital conhecia as fam\u00edlias ciganas n\u00f3madas compulsivas\u00a0 pelos seus nomes, sabia as suas idades, acompanhou-as nas suas imensas vicissitudes, defendeu-as perante as autoridades, facultou-lhes a sua caixa de correio, \u00fanica maneira que a lei lhes impunha para terem acesso a\u2026 existirem como pessoas, face \u00e0 burocracia existente.<\/p>\n<p>Os sem abrigo t\u00eam, e ainda bem, um horizonte temporal para a solu\u00e7\u00e3o das suas dram\u00e1ticas situa\u00e7\u00f5es, os ciganos n\u00f3madas compulsivos n\u00e3o t\u00eam: quem os considera a n\u00edvel estatal? Os imigrantes t\u00eam, e ainda bem, a mobiliza\u00e7\u00e3o organizada para os acolher e acompanhar: quem se mobilizou para sequer olhar, ouvir, fazer-se eco das viol\u00eancias que s\u00e3o repetidamente infligidas aos n\u00f3madas compulsivos? \u00a0Fernando Moital.<\/p>\n<p>Fernando, onde est\u00e1s, pede a Deus que fa\u00e7a o milagre de algu\u00e9m nesta terra aben\u00e7oada pela sua M\u00e3e, continuar a tua obra.<\/p>\n<p>Francisco Monteiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FERNANDO MOITAL Ap\u00f3s uma curta mas fatal crise de sa\u00fade, Fernando Moital, o ap\u00f3stolo dos ciganos n\u00f3madas compulsivos do Alentejo, faleceu em 20 de setembro. 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