{"id":1918,"date":"2022-10-28T10:51:51","date_gmt":"2022-10-28T10:51:51","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/?p=1918"},"modified":"2023-02-03T10:53:30","modified_gmt":"2023-02-03T10:53:30","slug":"publico-p2-17-jul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/publico-p2-17-jul\/","title":{"rendered":"P\u00fablico (P2) (17 jul)"},"content":{"rendered":"<p><em>Comunidade Cigana em Vila Verde entrega-se \u00e0s piruetas do breakdance <\/em>(capa)<\/p>\n<p><u>Nasceram a dan\u00e7ar m\u00fasica cigana e agora querem dominar os passos do <em>breakdance<\/em><\/u><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>Um projeto de inclus\u00e3o social usa a cultura como forma de integra\u00e7\u00e3o das comunidades ciganas do concelho de Vila Verde. Est\u00e1 no terreno h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada, tempo suficiente para terem surgido os primeiros b-boys dentro da comunidade.\u00a0 (excertos\/s\u00edntese)<\/em><\/p>\n<p>Jo\u00e3o comemora o seu 11\u00ba anivers\u00e1rio e isso \u00e9 motivo para festa numa das \u00e1reas residenciais da vasta comunidade cigana do concelho de Vila Verde. E uma celebra\u00e7\u00e3o completa n\u00e3o se faz sem m\u00fasica a que se seguir\u00e1 a dan\u00e7a. S\u00f3 que, nesta festa a m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 escolhida apenas em fun\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o. Noutra circunfer\u00eancia humana, outra coreografia tinha outra base musical &#8211; o hip-hop. Nessa roda os intervenientes fazem parte de uma gera\u00e7\u00e3o mais nova nascida dentro da mesma comunidade. O aniversariante ocupa o centro do palco e executa diversos passos at\u00e9 deixar o espa\u00e7o aberto para outro candidato brilhar.<\/p>\n<p>Nesta festa, conservam-se as ra\u00edzes mas tamb\u00e9m h\u00e1 espa\u00e7o para o hip-hop e para os ritmos do <em>breaking<\/em>, que chegou a esta comunidade n\u00e3o para apagar tradi\u00e7\u00f5es, mas para beber das suas influ\u00eancias e com o prop\u00f3sito de derrubar fronteiras. A facilitar o objetivo, est\u00e1 o projeto camar\u00e1rio \u2018Cultura para Todos\u2019, coordenado em parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa, com a miss\u00e3o de \u201cpromover a inclus\u00e3o social atrav\u00e9s da cultura\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o faz parte de um grupo de adolescentes e jovens ciganos que aderiram ao projeto que a pandemia adiou de 2019 para 2021 e que nesta vertente termina em dezembro. A g\u00e9nese desta iniciativa nasceu j\u00e1 h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada no Centro Comunit\u00e1rio do Prado (CCP), uma val\u00eancia da Cruz Vermelha de Braga que leva a cabo outras atividades para a integra\u00e7\u00e3o da comunidade cigana de Vila Verde.<\/p>\n<p>Foi atrav\u00e9s de Andr\u00e9 Silva (AS) ou \u2018H\u00e9rcules\u2019 como \u00e9 conhecido no meio, que \u00e9\u00a0 <em>b-boy<\/em> de um grupo do Porto, a Momentum Crew, \u00a0que outros membros da comunidade cigana come\u00e7aram a aprenderem os passos de <em>breakdance<\/em>. Em 2024 entrar\u00e1 pela primeira vez nos Jogos Ol\u00edmpicos de Paris como modalidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de dez anos, o <em>break-boy<\/em> foi convidado pela Cruz Vermelha para dar aulas de breaking no CCP \u00e0 comunidade cigana do concelho. AS tornou-se aspirante a <em>b-boy<\/em> em regime de voluntariado e diz que \u201cenquanto houver uma pessoa a querer, vou continuar seja de forma for\u201d. Atualmente s\u00e3o mais de tr\u00eas dezenas os alunos que ensina com mais regularidade, de mais de um universo de uma centena de potenciais candidatos.<\/p>\n<p>In\u00e1cio Ximenes (IX), de 18 anos, nasceu a ouvir m\u00fasica cigana, mas foi despertando para \u00a0a cultura hip-hop que foi aprofundando na sua vertente musical e de dan\u00e7a. \u201cComecei por ouvir rappers portugueses mais recentes. Depois fui descobrindo os mais antigos\u201d e os internacionais. \u201cPor causa disso melhorei o meu ingl\u00eas. O break s\u00f3 me trouxe vantagens\u201d. IX tem o seu objetivo de ser o melhor <em>b-boy <\/em>de Portugal e do mundo muito bem definido, dedicando-se, se poss\u00edvel a 100% ao <em>break<\/em>, mas quer retomar o 10\u00ba ano numa escola de dan\u00e7a ou num \u201ccurso de edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo\u201d.<\/p>\n<p>IX diz que \u201cgra\u00e7as ao <em>break<\/em> conheci imensa gente que me d\u00e1 inspira\u00e7\u00e3o e for\u00e7a\u201d. Quanto ao projeto, \u201cn\u00e3o tem d\u00favidas do impacto que tem para a comunidade\u201d, para podermos \u201cver que h\u00e1 outras coisas, que h\u00e1 outras op\u00e7\u00f5es. Para ver que o mundo \u00e9 livre que se consegue atingir objetivos quando o suor \u00e9 derramado\u201d.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de IX, Gracinda Monteiro, que trabalha no CCP apoia-o e refere que \u201cpara mim \u00e9 um grande orgulho. \u2026 Quero dar os parab\u00e9ns ao professor Andr\u00e9 por nunca desistir dele\u201d. Igualmente importante considera o trabalho de inclus\u00e3o que est\u00e1 a ser feito e diz: \u201ca integra\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante. Assim eles saem e v\u00e3o conhecendo outras pessoas e isso \u00e9 bom para n\u00f3s, para nos integrarmos mais na comunidade. Sen\u00e3o estamos aqui e n\u00e3o sa\u00edmos daqui. N\u00e3o vamos a lado nenhum\u201d.<\/p>\n<p>Noutra zona do concelho onde AS se desloca todas as semanas, Samira de 11 anos e Inara de 12 anos, tamb\u00e9m aprendem os passos do <em>breaking<\/em>.<\/p>\n<p>O projeto \u2018Cultura para Todos\u2019 tem a base no CCP, mas n\u00e3o est\u00e1 reduzido a uma localiza\u00e7\u00e3o, ou seja, o trabalho continua nas diferentes \u00e1reas residenciais da comunidade e na escola, at\u00e9 onde AS se desloca semanalmente. O grupo de aspirantes a <em>b-boys<\/em> e <em>b-girls <\/em>aprende coreografias para serem apresentadas publicamente, como j\u00e1 aconteceu no MXM Art Center, no Porto, com historial ligado a outros projetos de inclus\u00e3o social. H\u00e1 ainda um grupo de sete crian\u00e7as que passaram a integrar duas escolas de dan\u00e7a de Braga. \u201cPara manter os picos de interesse \u00e9 necess\u00e1rio apresentar sempre coisas novas\u201d, diz o respons\u00e1vel pelo projeto no terreno, ao mesmo tempo que \u00e9 \u201cfundamental entrar no maior n\u00famero de locais poss\u00edvel para que o objetivo seja cumprido. A integra\u00e7\u00e3o nunca vai acontecer se s\u00f3 se trabalhar com grupos fechados\u201d, salienta, acrescentando que \u201capesar de o foco ser a comunidade cigana, a iniciativa \u00e9 aberta a todas a gente.\u201d<\/p>\n<p>Foi uma professora de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica que mostrou a AS e aos seus colegas, a arte do <em>breaking<\/em> e nesse dia deu-se \u201cuma viragem que mudou a sua vida e acabou por moldar o seu futuro.\u201d<\/p>\n<p>A n\u00edvel da car\u00eancia de acesso \u00e0 cultura, este foi alavancado pela \u201cinsist\u00eancia\u201d da atual Presidente da C\u00e2mara de Vila Verde, J\u00falia Fernandes que \u201crecuperou\u201d a iniciativa do tempo em que era vereadora da Cultura e que lhe deu as ferramentas que considera uma \u201csitua\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio\u201d. AS conclui: \u201ccada vez mais olho para a minha vida e percebo que j\u00e1 venci no dia em que nasci, pelo s\u00edtio onde nasci e pela fam\u00edlia onde nasci\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidade Cigana em Vila Verde entrega-se \u00e0s piruetas do breakdance (capa) Nasceram a dan\u00e7ar m\u00fasica cigana e agora querem dominar os passos do breakdance \u00a0Um projeto de inclus\u00e3o social usa a cultura como forma de integra\u00e7\u00e3o das comunidades ciganas do concelho de Vila Verde. 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