{"id":2022,"date":"2023-07-10T13:06:33","date_gmt":"2023-07-10T13:06:33","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/?p=2022"},"modified":"2023-07-13T16:36:12","modified_gmt":"2023-07-13T16:36:12","slug":"caravana-109-editorial-a-igreja-e-os-ciganos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/caravana-109-editorial-a-igreja-e-os-ciganos\/","title":{"rendered":"CARAVANA 109 &#8211; EDITORIAL:  A Igreja e os Ciganos"},"content":{"rendered":"<p>CARAVANA 109 &#8211; EDITORIAL<\/p>\n<p><strong>A Igreja e os Ciganos<\/strong><\/p>\n<p>A recente hist\u00f3ria do \u201ccuidado pastoral\u201d pelos ciganos teve no Papa S. Paulo VI o seu in\u00edcio no j\u00e1 hist\u00f3rico encontro de Pomezia em 1965, em que o Papa declarou aos ciganos presentes: \u201cv\u00f3s estais no cora\u00e7\u00e3o da Igreja\u201d. \u00a0Seguiu-se a cria\u00e7\u00e3o de pastorais nacionais \u201cespec\u00edficas\u201d para os ciganos, tendo a Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) sido criada em Portugal em 1972, na depend\u00eancia da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. Todos os Papas que se seguiram a S. Paulo VI, com exce\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo I que s\u00f3 foi Papa um m\u00eas em 1978, S. Jo\u00e3o Paulo II, Bento XVI e Francisco, receberam peregrina\u00e7\u00f5es de ciganos de todo o mundo, a quem se dirigiram sempre com afeto e considera\u00e7\u00e3o; em todas participaram ciganos portugueses.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A a\u00e7\u00e3o da Igreja junto dos ciganos foi evoluindo como tamb\u00e9m o foram as pol\u00edticas europeias no que respeita aos direitos humanos. A a\u00e7\u00e3o espiritual, sempre presente designadamente atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o e acompanhamento de peregrina\u00e7\u00f5es, da dispensa\u00e7\u00e3o dos sacramentos e do acompanhamento de funerais, \u00a0por vezes aculturado, da catequese (exemplo o Projeto Palavra na ONPC), que da parte da Igreja \u201csignificou\u201d no sentido teol\u00f3gico do termo o seu testemunho de amor, de presen\u00e7a, de doa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se podia n\u00e3o unir intrinsecamente \u00e0 vital empatia com a condi\u00e7\u00e3o socio econ\u00f3mica predominantemente de exclus\u00e3o e logo de extrema pobreza da maioria das popula\u00e7\u00f5es ciganas junto \u00a0das quais a Igreja sentia a miss\u00e3o de estar presente.\u00a0 Assim se come\u00e7ou por ajudar fam\u00edlias ciganas a obterem o seu bilhete de identidade, at\u00e9 \u00e0 voz persistentemente elevada em seu nome contra as m\u00faltiplas injusti\u00e7as de que os ciganos t\u00eam sido v\u00edtimas, passando pelo consider\u00e1vel apoio \u00e0 sua escolariza\u00e7\u00e3o, que com a habita\u00e7\u00e3o \u00e9 a chave da sua inclus\u00e3o social.<\/p>\n<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2070 alignleft\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Palavra-88-300x158.jpg\" alt=\"\" width=\"341\" height=\"179\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2069 alignleft\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Palavra-8-300x151.jpg\" alt=\"\" width=\"362\" height=\"182\" \/><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><em>Sr. D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira com o P. Flipe de Figueiredo a distribuir os diplomas do Projeto Palavra aos Srs. Ad\u00e9rito Montes e Lu\u00eds Quaresma<\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este processo evoluiu natural e crescentemente para o seu objetivo final que afinal foi a principal caracter\u00edstica da missiona\u00e7\u00e3o da Igreja sobretudo a partir das \u201cdescobertas\u201d: a aquisi\u00e7\u00e3o por parte das popula\u00e7\u00f5es ciganas das capacidades necess\u00e1rias para serem elas pr\u00f3prias as autoras e protagonistas dos seus destinos, o que em termos do hoje insistentemente defendido apelo da UE aos seus Estados Membros se chama a participa\u00e7\u00e3o das\u00a0 estruturas ciganas em todos os n\u00edveis das estrat\u00e9gias, pol\u00edticas e decis\u00f5es que lhes dizem respeito. Foi nessa perspetiva que em Portugal a Igreja apoiou a cria\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es ciganas que hoje assumem crescentemente projetos e iniciativas pr\u00f3prias e uma Federa\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es ciganas. Atualmente j\u00e1 se podem contar 24 associa\u00e7\u00f5es ciganas em Portugal, tendo a Igreja colaborado apenas para o in\u00edcio deste processo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se poderia concluir este r\u00e1pido olhar, sem se considerar o aspeto fundamental da a\u00e7\u00e3o da Igreja que \u00e9 a de que todos, mas todos sem exce\u00e7\u00e3o, como insistentemente diz o Papa Francisco, s\u00e3o parte da Igreja; s\u00f3 que os mais marginalizados como infelizmente tanta in\u00e9pcia e muitas vezes maldade de setores da nossa sociedade insistem em manter\u00a0 muitos -demasiados- ciganos portugueses, s\u00e3o, aos olhos de Deus e portanto da Igreja, a parte mais querida, mais central, mais fundamental da Igreja. Sim, como come\u00e7\u00e1mos por recordar nas palavras do Papa S. Paulo VI, os ciganos deveriam estar no cora\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Francisco Monteiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARAVANA 109 &#8211; EDITORIAL A Igreja e os Ciganos A recente hist\u00f3ria do \u201ccuidado pastoral\u201d pelos ciganos teve no Papa S. 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