{"id":368,"date":"2006-04-28T00:00:00","date_gmt":"2006-04-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2006\/04\/28\/em-portugal-jovens-mediadores\/"},"modified":"2006-04-28T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-28T00:00:00","slug":"em-portugal-jovens-mediadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/em-portugal-jovens-mediadores\/","title":{"rendered":"EM PORTUGAL: JOVENS MEDIADORES"},"content":{"rendered":"<p>NEVIGAG (fogo novo em Romani (\u00f3rg\u00e3o do CCIT), Dez 05<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEM PORTUGAL: JOVENS MEDIADORES<br \/>\nNEVIGAG (fogo novo em Romani (\u00f3rg\u00e3o do CCIT), Dez 05<br \/>\nDepois de cerca de trinta anos de conv\u00edvio e trabalho com fam\u00edlias de etnia cigana em diversos bairros de Lisboa e dos concelhos lim\u00edtrofes, constat\u00e1mos que embora a institui\u00e7\u00e3o escola j\u00e1 seja por elas conhecida, n\u00e3o suscitou ainda uma ades\u00e3o plena por parte dos pais, como elemento fundamental para a  prepara\u00e7\u00e3o dos seus filhos para a vida adulta. Em termos pr\u00e1ticos, isto traduzia-se numa situa\u00e7\u00e3o n\u00edtida de desvantagem dos jovens ciganos, frente aos n\u00e3o ciganos, no que respeita \u00e0 forma\u00e7\u00e3o escolar obtida. Constituindo a comunidade cigana  uma sociedade antiga e conservadora, duma maneira geral os pais preocupavam-se fundamentalmente em educar os seus filhos\/filhas para que viessem a ser bons ciganos\/boas ciganas quando adultos.<br \/>\nOra do modelo de refer\u00eancia do \u201cbom cigano\u201d, n\u00e3o consta de forma nenhuma como requisito o ser escolarizado. Ent\u00e3o, mesmo quando a crian\u00e7a cigana vence a grande prova  que \u00e9 a sua inser\u00e7\u00e3o na \u201cescola n\u00e3o cigana\u201d, a sua assiduidade \u00e9 fraca, tanto ao sabor da sua ades\u00e3o \u00e0  frequ\u00eancia, como por motivos de ordem familiar, nos quais se incluem a actividade profissional dos pais, ou acontecimentos que exigem a presen\u00e7a de todos os elementos da fam\u00edlia.<br \/>\nEstas aus\u00eancias v\u00e3o ter como consequ\u00eancia um fraco aproveitamento escolar. Finalmente, um outro facto prejudica definitivamente os adolescentes e jovens \u2013 o abandono escolar, antes de conclu\u00edda a escolaridade m\u00ednima obrigat\u00f3ria, sendo a maioria das raparigas retirada quando atinge a puberdade e deixando a fam\u00edlia a decis\u00e3o de se manter ou n\u00e3o aos rapazes, n\u00e3o os incentivando a prosseguir.<br \/>\nInternamente, ali\u00e1s, nenhum pai\/m\u00e3e se sente ainda constrangido por apresentar, nas negocia\u00e7\u00f5es preliminares para o casamento, o seu filho ou filha analfabeto\/a.<br \/>\nTudo isto tem como consequ\u00eancia que a sociedade cigana, que funciona bem internamente, seguindo as suas leis ancestrais, que ditam as normas obrigat\u00f3rias de conduta, experimenta grandes dificuldades como parte integrante da sociedade civil portuguesa.<br \/>\nDe resto, verifica-se uma aus\u00eancia total de elementos da etnia em cargos de decis\u00e3o, tanto no campo jur\u00eddico como nos da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, ou no administrativo.<br \/>\nO mesmo acontece na vida pol\u00edtica e partid\u00e1ria, da qual a maioria se alheia.<br \/>\nCidad\u00e3os portugueses como quaisquer outros e por isso, sem qualquer refer\u00eancia na Constitui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o no entanto facilmente identificados como ciganos, sendo alvos de preconceitos s\u00f3 pelo facto de pertencerem \u00e0 etnia.<br \/>\nSurgiu-nos ent\u00e3o a ideia de ministrar cursos de mediadores socio-culturais a elementos ciganos jovens adultos respeitados no meio cigano, com gosto de aprender, capacidade de informar e intervir.<br \/>\nOrganiz\u00e1mos cursos com a dura\u00e7\u00e3o de dois anos, ao fim dos quais obtiveram simultaneamente o diploma de escolaridade m\u00ednima obrigat\u00f3ria (9\u00ba ano), que completavam e o de mediador socio-cultural.<br \/>\nComo tal, exigia-se que tivessem adquirido diversas compet\u00eancias profissionais, tais como:<br \/>\n&#8211;\tCapacidade de mediar, no sentido de preven\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o de conflitos culturais.<br \/>\n&#8211;\tCapacidade de promover a comunica\u00e7\u00e3o, entre profissionais e utentes de origem cultural diferente.<br \/>\n&#8211;\tAptid\u00e3o para prestar assessoria aos utentes, na sua rela\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo com profissionais, servi\u00e7os p\u00fablicos e privados.<br \/>\n&#8211;\tPrestar apoio a popula\u00e7\u00f5es em dificuldade, tanto ciganas como n\u00e3o ciganas, assim como informa\u00e7\u00e3o em diferentes \u00e1reas,  tais como sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a, etc., no que respeita a direitos e deveres.<br \/>\n&#8211;\tRealizar dinamiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, partindo da valoriza\u00e7\u00e3o da cultura de origem.<br \/>\nAt\u00e9 ao presente form\u00e1mos 25  indiv\u00edduos, 17 homens e 8 mulheres.<br \/>\nConseguiu-se que a figura de mediador socio-cultural fosse reconhecida como v\u00e1lida pelos Despachos Conjuntos 304\/98 e 942\/99 dos Minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o, do Trabalho e da Solidariedade.<br \/>\nFalta no entanto um passo importante para todos os que desejam desempenhar as fun\u00e7\u00f5es de mediador a tempo inteiro, em qualquer das \u00e1reas em que s\u00e3o necess\u00e1rios \u2013 a cria\u00e7\u00e3o da carreira profissional.<br \/>\nAt\u00e9 agora t\u00eam sido colocados anualmente ao abrigo de programas ocupacionais, pois a sua presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o t\u00eam sido reconhecidas como necess\u00e1rias e \u00fateis, em escolas do ensino b\u00e1sico. Excep\u00e7\u00e3o para dois, respectivamente colocados um no Instituto de Seguran\u00e7a Social e outro num hospital pedi\u00e1trico de Lisboa.<br \/>\nA terminar, dou a palavra a uma das mediadoras que j\u00e1 trabalhou como tal, quatro anos numa escola. Com 28 anos, Maria Cipriana Ramos respondeu-me \u00e0 quest\u00e3o sobre as fun\u00e7\u00f5es que tem exercido,  dizendo:<br \/>\n&#61656;\tFiz visitas domicili\u00e1rias para levar informa\u00e7\u00f5es e melhorar a assiduidade das crian\u00e7as; vigil\u00e2ncia de recreios, refei\u00e7\u00f5es e biblioteca, como presen\u00e7a adulta cigana, incentivando as crian\u00e7as a uma boa conviv\u00eancia; interven\u00e7\u00f5es nas quest\u00f5es entre fam\u00edlias e escola, no sentido de facilitar o di\u00e1logo e melhorar as rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas.<br \/>\n\u00c0 pergunta sobre as maiores dificuldades sentidas,  afirmou:<br \/>\n&#61656;\tO mais dif\u00edcil foi entrar e actuar num bairro desconhecido, sendo mulher cigana e solteira<br \/>\nComo \u00eaxitos,  assinalou:<br \/>\n&#61656;\tFui aceite e estimada pelas fam\u00edlias, embora a maioria n\u00e3o acedesse \u00e0 prossecu\u00e7\u00e3o dos estudos por parte das meninas, a partir dos doze anos e senti-me bem na escola, respeitada como pessoa e como profissional.<br \/>\nLisboa, 2005-09-27<br \/>\nDr\u00aa Fernanda Reis \u2013 Sec. Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NEVIGAG (fogo novo em Romani (\u00f3rg\u00e3o do CCIT), Dez 05<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-368","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}