{"id":552,"date":"2008-04-30T00:00:00","date_gmt":"2008-04-30T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2008\/04\/30\/visao-17-jan-discriminacao-racial\/"},"modified":"2008-04-30T00:00:00","modified_gmt":"2008-04-30T00:00:00","slug":"visao-17-jan-discriminacao-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/visao-17-jan-discriminacao-racial\/","title":{"rendered":"Vis\u00e3o (17 Jan) &#8211; DISCRIMINA\u00c7\u00c3O RACIAL"},"content":{"rendered":"<p>Menos iguais do que os outros<br \/>\n<!--more--><br \/>\nVis\u00e3o (17 Jan)<br \/>\nMenos iguais do que os outros<br \/>\nLu\u00eds Ribeiro escreve sobre o racismo na sec\u00e7\u00e3o Sociedade &#8211; Racismo, come\u00e7ando por contar a situa\u00e7\u00e3o de 54 fam\u00edlias ciganas que viviam em terrenos baldios em Pombal, junto ao terreno um propriet\u00e1rio que queria ali edificar um condom\u00ednio de luxo. Doou um terreno \u00e0 C\u00e2mara onde os ciganos foram realojados, tendo para isso ficado isolados da cidade j\u00e1 que a \u00fanica passagem que existia era um t\u00fanel que foi fechado. As mulheres e crian\u00e7as t\u00eam agora que atravessar o IC2, que \u00e9 considerada uma das estradas mais mort\u00edferas do pa\u00eds, para irem \u00e0 cidade ou andar cinco quil\u00f3metros para atravessarem por um viaduto.<br \/>\nNuma sociedade em que os ciganos s\u00e3o os que mais sofrem com os tiques xen\u00f3fobos da sociedade portuguesa, Carla Amaral, gestora da Unidade de Apoio \u00e0 V\u00edtima Imigrante e de Discrimina\u00e7\u00e3o Racial ou \u00c9tnica (UAVIDRE) sublinha que o preconceito \u00e9 t\u00e3o forte que ser\u00e3o necess\u00e1rias v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es para o diluir. \u201cExiste, em Portugal, uma generalizada discrimina\u00e7\u00e3o subtil que assenta na ideia de que a nossa cultura \u00e9 superior\u201d. Assim, \u201ctudo se torna mais dif\u00edcil de resolver porque n\u00e3o h\u00e1 consci\u00eancia do problema \u2013 as pessoas n\u00e3o acreditam que s\u00e3o xen\u00f3fobas\u201d.<br \/>\nPara o Alto Comiss\u00e1rio para a Imigra\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logo Intercultural (ACIDI) a atitude das for\u00e7as de autoridade \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o. Rui Marques afirma que se tem investido muito na \u00e1rea da forma\u00e7\u00e3o dos novos quadros policiais, para que tratem da mesma forma todos os cidad\u00e3os, seja da pr\u00f3pria Inspec\u00e7\u00e3o-Geral da Administra\u00e7\u00e3o Interna, para que qualquer caso tenha a devida penaliza\u00e7\u00e3o.\u201d O terceiro relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Europeia Contra o Racismo e a Intoler\u00e2ncia (CECRI) sobre a situa\u00e7\u00e3o de Portugal afirma que: \u201cA pol\u00edcia, os procuradores e os ju\u00edzes manifestam uma falta de sensibiliza\u00e7\u00e3o para o problema do racismo. O processo por discrimina\u00e7\u00e3o racial sofre de s\u00e9rios problemas de funcionamento.\u201d<br \/>\nFrancisca Van Dunen, procuradora-geral distrital de Lisboa e ex-representante portuguesa no Observat\u00f3rio Europeu do Racismo e Xenofobia afirma que a escassez de queixas n\u00e3o significa que as situa\u00e7\u00f5es de racismo sejam raras. \u201cAs pessoas n\u00e3o reagem. Acham que na institui\u00e7\u00e3o onde v\u00e3o entregar a queixa tamb\u00e9m h\u00e1 brancos que pensam do mesmo modo daqueles que os discriminaram. Da\u00ed n\u00e3o quererem expor a sua humilha\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nA CECRI conclui que se verificam \u201calega\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o racial directa e indirecta nos dom\u00ednios do emprego, habita\u00e7\u00e3o, cuidados de sa\u00fade e acesso aos bens e servi\u00e7os, afectando particularmente as pessoas de ra\u00e7a negra e os ciganos\u201d, al\u00e9m de existir um \u201ccomportamento discriminat\u00f3rio por parte das for\u00e7as de ordem\u201d. A comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 tamb\u00e9m responsabilizada por alimentar os estere\u00f3tipos racistas e preconceitos raciais \u201c que persistem na popula\u00e7\u00e3o, pelo facto de teimar em descrever os criminosos como ciganos, africanos e membros de outras minorias.<br \/>\nA recusa de arrendar ou vender casa a membros de minorias \u00e9, para Carla Amaral, o problema mais comum. Brasileiros e africanos est\u00e3o entre os grupos mais afectados, mas no que respeita \u00e0 habita\u00e7\u00e3o o p\u00f3dio \u00e9 ocupado por um povo que vive c\u00e1 h\u00e1 centenas de anos: os ciganos.<br \/>\nHabita\u00e7\u00e3o: sem direito a casa<br \/>\nPara Ant\u00f3nio Reis de Pombal, em mat\u00e9ria de discrimina\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds, \u201cos ciganos ocupam o fundo do po\u00e7o.\u201d E acrescenta que um direito t\u00e3o b\u00e1sico como arrendar ou comprar um apartamento lhes \u00e9 negado. \u201cPor telefone est\u00e1 sempre tudo bem mas, quando vamos visitar a casa, dizem que j\u00e1 t\u00eam uma pessoa. Fizeram-me isso oito vezes.\u201d E deixa uma quest\u00e3o: \u201cDeixei tr\u00eas crian\u00e7as em casa para vestir a farda com a bandeira portuguesa, durante o servi\u00e7o militar. Mas sou tratado como um cidad\u00e3o de segunda. Porqu\u00ea?\u201d<br \/>\n\u201cO racismo subtil \u00e9 o pior\u201d<br \/>\nNuma entrevista, Rui Marques admite que existem \u201cproblemas s\u00e9rios de discrimina\u00e7\u00e3o em Portugal\u201d. Mas acrescenta que \u201cessas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito dif\u00edceis de provar.\u201d Rui Marques considera ainda que a etnia \u201cmais estigmatizada \u00e9 a cigana.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Menos iguais do que os outros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-552","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciganos-sao-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/552","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=552"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/552\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}