{"id":662,"date":"2008-10-23T00:00:00","date_gmt":"2008-10-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2008\/10\/23\/as-criancas-ciganas-sao-educadas-em-contextos-de-liberdade\/"},"modified":"2008-10-23T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-23T00:00:00","slug":"as-criancas-ciganas-sao-educadas-em-contextos-de-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/as-criancas-ciganas-sao-educadas-em-contextos-de-liberdade\/","title":{"rendered":"AS CRIAN\u00c7AS CIGANAS S\u00c3O EDUCADAS EM CONTEXTOS DE LIBERDADE"},"content":{"rendered":"<p>\u2013 excerto de um texto de Vanda Narciso do N\u00d3MADA, no blogue La Payita em 10\/7\/08<br \/>\n<!--more--><br \/>\nAS CRIAN\u00c7AS CIGANAS S\u00c3O EDUCADAS EM CONTEXTOS DE LIBERDADE \u2013 excerto de um texto de Vanda Narciso do N\u00d3MADA, no blogue La Payita em 10\/7\/08<br \/>\nAs crian\u00e7as ciganas s\u00e3o educadas em contextos de liberdade e improviso, pela fam\u00edlia alargada. Pais, irm\u00e3os mais velhos, primos, tios\u2026 A comunidade familiar \u00e9, toda ela, respons\u00e1vel pela educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, pela transmiss\u00e3o dos valores e das regras.<br \/>\nPara os ciganos, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 dada pela fam\u00edlia. A instru\u00e7\u00e3o pela escola. E esta distin\u00e7\u00e3o \u00e9 muito clara. E, \u00e0 partida, isto parece perfeito. Em conson\u00e2ncia com os despachos normativos do ME. Ent\u00e3o porque se ouvem tantas hist\u00f3rias de conflitos com fam\u00edlias ciganas nas escolas? Fam\u00edlias inteiras amea\u00e7ando professores, algumas chegando inclusivamente ao acto de agress\u00e3o?<br \/>\nPorque t\u00eam um percurso escolar diferente, consequ\u00eancia de pr\u00e1ticas educativas diferentes, as crian\u00e7as ciganas chegam \u00e0 escola, na sua maioria, sem frequ\u00eancia de um jardim-de-inf\u00e2ncia; algumas sem saberem pegar numa tesoura ou num l\u00e1pis\u2026 Falta-lhes o treino para desenharem as curvas dif\u00edceis das letras, o treino para estarem sentadas cinco horas numa cadeira\u2026 Crian\u00e7as, de um modo geral, curios\u00edssimas, intuitivas, com uma enorme capacidade para improvisarem solu\u00e7\u00f5es; enfim, com todas as compet\u00eancias necess\u00e1rias para aprenderem rapidamente, mas que n\u00e3o se adaptam e desmotivam. Que se isolam e s\u00e3o exclu\u00eddas pelos pares n\u00e3o ciganos. Porque brincam diferente, porque falam diferente, porque s\u00e3o ciganas\u2026<br \/>\nE o que faz uma crian\u00e7a, cigana ou n\u00e3o cigana, quando n\u00e3o se adapta? Porta-se mal\u2026 A frustra\u00e7\u00e3o interior expressa-se, quase sempre, em problemas de comportamento. E o que faz um professor? Mandatado pelo ME, o professor age de acordo com o Regulamento Interno da Escola e aplica a san\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 tudo certo! Para os n\u00e3o ciganos (e como leram atr\u00e1s (*), n\u00e3o para todos!). Mas para os ciganos, esta \u00e9 uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e, portanto, o professor tem de estar mandatado pela fam\u00edlia\u2026 E os equ\u00edvocos, os mal-entendidos, come\u00e7am aqui\u2026 Por isso, n\u00f3s, do N\u00f3mada, enrouquecemos a falar da import\u00e2ncia dos Mediadores Ciganos nas escolas ou da contrata\u00e7\u00e3o de Auxiliares de Ac\u00e7\u00e3o Educativa ciganas\u2026<br \/>\nComo o texto vai cada vez mais longo e as diferen\u00e7as entre pr\u00e1ticas educativas de Payos e Gitanos s\u00e3o material para muitas hist\u00f3rias, vou concluir o meu racioc\u00ednio.<br \/>\nAcredito, e acreditei sempre, que as diferen\u00e7as se esbatem quando nos conhecemos, quando conversamos. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que comunidade escolar e comunidade familiar, independentemente da cultura ou meio social, se constituam enquanto COMUNIDADE EDUCATIVA, se n\u00e3o conviverem, se n\u00e3o partilharem receios, expectativas, se n\u00e3o partilharem espa\u00e7os, dividindo tarefas, inventando estrat\u00e9gias conjuntas. Cada um tem o seu papel e isto resulta de uma negocia\u00e7\u00e3o, clara e transparente para todos. O espa\u00e7o \u00e9 de todos! A ang\u00fastia \u00e9 de todos! O protesto \u00e9 de todos! A reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 de todos!<br \/>\nSe eu, paya, da suposta \u201ccultura dominante\u201d, escolarizada, que conhe\u00e7o razoavelmente o sistema educativo, que entendo (embora n\u00e3o me apete\u00e7a) as alineazinhas dos despachos normativos do ME\u2026 Se eu me sinto exclu\u00edda da escola, como se sentir\u00e3o os pais ciganos?<br \/>\nPor isso, n\u00e3o me respondam que n\u00f3s n\u00e3o temos que nos meter no espa\u00e7o de trabalho dos professores! N\u00e3o \u00e9 isso que se pretende! Respondam-me que n\u00e3o temos auxiliares para vigiar entradas e sa\u00eddas, respondam-me que os equipamentos escolares est\u00e3o completamente desadaptados das necessidades educativas dos alunos, respondam-me que \u00e9 dif\u00edcil ter vontade de ensinar perante as exig\u00eancias de um ME, autista e castrador de criatividades e improvisos\u2026 Eu isso percebo\u2026 E estou convosco\u2026 Mas para vos ajudar tenho de \u201cviver\u201d ao vosso lado\u2026 No dia a dia\u2026 Partilhar espa\u00e7os e conversar, para nos conhecermos.<br \/>\nPorque, acredito eu, tudo o que queremos\u2026 Professores, mediadores, auxiliares de ac\u00e7\u00e3o educativa, dirigentes de associa\u00e7\u00f5es de pais, pais ciganos, pais n\u00e3o ciganos\u2026 Tudo o que queremos \u00e9 que os nossos chaborilhos e lacorilhos cres\u00e7am felizes! Como me dizia uma outra amiga professora: \u201cO que nos anima s\u00e3o os putos!\u201d.<br \/>\n\u00c9 t\u00e3o simples, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o porque \u00e9 tudo t\u00e3o complicado?<br \/>\n(*) ver texto integral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2013 excerto de um texto de Vanda Narciso do N\u00d3MADA, no blogue La Payita em 10\/7\/08<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diversos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}