{"id":744,"date":"2009-05-28T00:00:00","date_gmt":"2009-05-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2009\/05\/28\/editorial-caravana\/"},"modified":"2009-05-28T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-28T00:00:00","slug":"editorial-caravana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/editorial-caravana\/","title":{"rendered":"EDITORIAL CARAVANA"},"content":{"rendered":"<p>A exclus\u00e3o e pobreza presente nas comunidades ciganas continuam a ser um dos maiores desafios das sociedades actuais. Como \u00e9 poss\u00edvel que na chamada \u00e9poca p\u00f3s-moderna, sessenta anos ap\u00f3s a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, num mundo, particularmente na velha Europa, milh\u00f5es de pessoas continuem a viver marginalizadas, exclu\u00eddas da sociedade e a ser v\u00edtimas de preconceitos e reac\u00e7\u00f5es xen\u00f3fobas, sofrendo n\u00edveis de pobreza que muitas vezes ultrapassam a capacidade de sofrimento humano.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEDITORIAL CARAVANA<br \/>\nA exclus\u00e3o e pobreza presente nas comunidades ciganas continuam a ser um dos maiores desafios das sociedades actuais. Como \u00e9 poss\u00edvel que na chamada \u00e9poca p\u00f3s-moderna, sessenta anos ap\u00f3s a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, num mundo, particularmente na velha Europa, milh\u00f5es de pessoas continuem a viver marginalizadas, exclu\u00eddas da sociedade e a ser v\u00edtimas de preconceitos e reac\u00e7\u00f5es xen\u00f3fobas, sofrendo n\u00edveis de pobreza que muitas vezes ultrapassam a capacidade de sofrimento humano. Racismo, xenofobia, discrimina\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e pobreza s\u00e3o fen\u00f3menos abomin\u00e1veis, que v\u00e3o contra a dignidade do ser humano e contra o direito internacional e nacional que rege os povos.<br \/>\nAo olharmos para a realidade de exclus\u00e3o e marginalidade em que vive a etnia cigana constatamos que a hipocrisia dos decisores pol\u00edticos continua a reger o nosso mundo. Na\u00e7\u00f5es Unidas, Uni\u00e3o Europeia, os governos de cada pa\u00eds, tamb\u00e9m o de Portugal, legislam e declaram princ\u00edpios de igualdade e inclus\u00e3o para todos, no entanto, constata-se que n\u00e3o passam de leis escritas no papel e declara\u00e7\u00f5es de \u201cboas vontades\u201d que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima incid\u00eancia na realidade existencial dos ciganos. Muitas vezes s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os ligados ao Estado e as autarquias a promoverem a discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o.<br \/>\nA Uni\u00e3o Europeia, na sequ\u00eancia da \u201cPrimeira Cimeira consagrada \u00e0 Comunidade Cigana\u201d, realizada em Setembro de 2008, fez a promessa de incluir a comunidade cigana na agenda social, adoptada em Julho de 2008. Resta saber se n\u00e3o estamos perante mais uma s\u00e9rie de iniciativas dispendiosas, centradas na organiza\u00e7\u00e3o de cimeiras e semin\u00e1rios, cheios de discursos intelectuais e est\u00e9reis, que em nada contribuem para mudar a realidade ou as pol\u00edticas dos governos dos pa\u00edses membros, concretamente do governo portugu\u00eas.<br \/>\nO mundo actual vive uma crise profunda que, \u00e0 viva for\u00e7a se quer proclamar apenas como  crise econ\u00f3mica mundial. Na verdade, a crise econ\u00f3mica \u00e9 fruto de uma profunda crise \u00e9tica e moral, que perpassa o mundo ocidental e que se vem arrastando h\u00e1 largos anos. A verdadeira crise come\u00e7a com a invers\u00e3o de valores que atirou o valor do ser humano para o fundo da tabela, da\u00ed poder ser marginalizado, exclu\u00eddo ou at\u00e9 mesmo descartado como se fosse algo in\u00fatil. O mundo ter\u00e1 capacidade de ultrapassar todas as crises e de incluir no seu seio todos os homens e mulheres, respeitando a sua dignidade humana e o seu lugar \u00fanico na hist\u00f3ria da humanidade, no momento em que houver uma consci\u00eancia colectiva das ra\u00edzes profundas que provocam a exclus\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o de tantos seres humanos e, de uma forma particular, da comunidade cigana e que provocam o empobrecimento da maior parte da popula\u00e7\u00e3o mundial, consequ\u00eancia duma m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e do aproveitamento por parte de poucos daquilo que \u00e9 de todos.<br \/>\nA grande maravilha de Deus Criador foi ter feito todos os seres humanos iguais em dignidade mas totalmente diferentes uns dos outros. Para que realmente haja uma verdadeira inclus\u00e3o de todos, e da comunidade cigana em particular, \u00e9 necess\u00e1rio promover uma mudan\u00e7a de mentalidade, \u00e9 necess\u00e1rio partir para uma aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as \u00e9tnicas, culturais e religiosas, uma aceita\u00e7\u00e3o do outro na riqueza do seu ser. A comunidade cigana continuar\u00e1 a defender-se para n\u00e3o perder a sua identidade sempre que a sociedade maiorit\u00e1ria a quiser moldar \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. Se n\u00e3o forem criadas verdadeiras pontes de respeito pela diversidade identit\u00e1ria, continuaremos a assistir a fen\u00f3menos de exclus\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o que em nada dignificam a humanidade.<br \/>\nA Comunidade Cigana na Europa \u00e9 constitu\u00edda por mais de dez milh\u00f5es de pessoas. \u00c9 a maior minoria \u00e9tnica que vive no velho Continente; em Portugal, vive h\u00e1 mais de quinhentos anos. A sociedade europeia tem obriga\u00e7\u00e3o de fazer um esfor\u00e7o cont\u00ednuo de criar pontes de converg\u00eancia de aproxima\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o dos ciganos, anulando tudo o que \u00e9 rejei\u00e7\u00e3o que vota \u00e0 marginalidade e despe os ciganos de toda a sua dignidade de pessoas e de seres humanos.<br \/>\n\t\t\t\t\tP. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exclus\u00e3o e pobreza presente nas comunidades ciganas continuam a ser um dos maiores desafios das sociedades actuais. 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