{"id":762,"date":"2009-02-10T00:00:00","date_gmt":"2009-02-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2009\/02\/10\/preconceito-a-uma-etnia\/"},"modified":"2009-02-10T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-10T00:00:00","slug":"preconceito-a-uma-etnia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/preconceito-a-uma-etnia\/","title":{"rendered":"PRECONCEITO A UMA ETNIA"},"content":{"rendered":"<p>A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos consagrou ineg\u00e1vel avan\u00e7o civilizat\u00f3rio em termos das garantias dos direitos inalien\u00e1veis da pessoa humana. O trecho acima, da Carta de S\u00e3o Tiago, foi uma antecipa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito da Carta da ONU sobre os direitos humanos, que aproxima o homem das leis de Deus. <\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nPRECONCEITO A UMA ETNIA<\/p>\n<p>\u201cMeus irm\u00e3os, a f\u00e9 que tendes em Nosso Senhor Jesus Cristo Glorificado n\u00e3o deve admitir acep\u00e7\u00e3o de pessoas. Pois bem, imaginai que, na vossa reuni\u00e3o, entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida e tamb\u00e9m um pobre com sua roupa surrada, e v\u00f3s dedicais aten\u00e7\u00e3o ao que esta bem vestido. Dizendo-lhe: \u201cvem sentar aqui, \u00e0 vontade\u201d, enquanto dizeis ao pobre: \u201cFica ai, de p\u00e9\u201d, ou ent\u00e3o: \u201cSenta-te aqui no ch\u00e3o, aos meus p\u00e9s\u201d \u2013 N\u00e3o fizestes, ent\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o entre v\u00f3s? E n\u00e3o vos tornastes ju\u00edzes com crit\u00e9rios injustos?\u201d(Tg 2, 1-4)<br \/>\nA Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos consagrou ineg\u00e1vel avan\u00e7o civilizat\u00f3rio em termos das garantias dos direitos inalien\u00e1veis da pessoa humana. O trecho acima, da Carta de S\u00e3o Tiago, foi uma antecipa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito da Carta da ONU sobre os direitos humanos, que aproxima o homem das leis de Deus.<br \/>\nMas, diante de algumas realidades vividas por estes dias, tenho me questionado sobre a plena realiza\u00e7\u00e3o do direito da Pessoa Humana. Atitudes do presente que lembram realidades medievais nos remetem \u00e0 carta de S\u00e3o Tiago, nos levando a indagar se n\u00e3o \u201cestamos nos tornando ju\u00edzes com crit\u00e9rios injustos?\u201d<br \/>\nSe examinarmos o que ocorre atualmente com algumas etnias, ficamos estarrecidos. \u00c9 o caso da situa\u00e7\u00e3o do povo cigano no Brasil e no Mundo, sentenciado a priori, pelo forte preconceito e injusti\u00e7a contra a cultura e o povo cigano.<br \/>\nUm pequeno, mas contundente exemplo desse fato pode ser narrado com as vaias recebidas pela cantora Madonna em dos seus shows recente, no qual \u2018ousou\u2019 defender a cultura dos povos ciganos. O mais curioso \u00e9 que isso aconteceu justamente na Rom\u00eania, o pa\u00eds com a maior popula\u00e7\u00e3o cigana do mundo.<br \/>\nOs notici\u00e1rios da imprensa que repercutiram o fato expuseram os coment\u00e1rios de leitores ente os quais causaram perplexidades opini\u00f5es como: \u201cdevemos banir os ciganos desta cidade ou, tal cigano \u00e9 muito perigoso e p\u00f5e em risco a vida de v\u00e1rias pessoas\u201d ou at\u00e9 mesmo \u201cdevemos voltar o regime nazista e exterminar os ciganos da face da Terra\u201d. \u00c9 dif\u00edcil acreditar que isto acontece em pleno s\u00e9culo XXI, mas existe e n\u00e3o muito longe de n\u00f3s.<br \/>\nOutros fatos t\u00eam nos levado a ver de outro \u00e2ngulo a realidade cigana em nossa regi\u00e3o, como em toda a realidade brasileira,os ciganos t\u00eam sido \u201ccondenados\u201d por uma a\u00e7\u00e3o individual e interesseira ou at\u00e9 mesmo para atingir certas realidades ou pessoas que muitas das vezes sempre acolheu, defendeu os ciganos e os mais necessitados, percebemos, muitas vezes, nestas a\u00e7\u00f5es um jogo diab\u00f3lico na busca pelo poder e na falta de respeito pela Pessoa Humana e de seu Direito, infligindo assim o que diz a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Diretos Humanos que no seu artigo primeiro \u201cTodas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. S\u00e3o dotadas de raz\u00e3o  e consci\u00eancia e devem agir em rela\u00e7\u00e3o umas \u00e0s outras com esp\u00edrito de fraternidade.\u201d<br \/>\n\u00c9 importante entrarmos em um caminho de convers\u00e3o e revermos algumas atitudes para que possamos n\u00e3o nos tornamos, cada vez mais, \u201cju\u00edzes com crit\u00e9rios injustos\u201d e nos afastarmos completamente do respeito pela Pessoa Humana usando meios muitas vezes il\u00edcitos para justificar e condenar. Atualizando fil\u00f3sofo italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527) que em sua obra \u201cPr\u00edncipe\u201d diz: \u201cOs fins justificam os meios\u201d.<br \/>\nEm novembro  de 2008, no sexto  Congresso Internacional  da Pastoral  dos N\u00f4mades, em Freising \u2013 Alemanha. Um jovem cigano  com  palavras  conclusivas  ao Congresso fez um convite  para derrotar o racismo: \u201cDevemos combater o racismo n\u00e3o com as armas, mas, com o  amor, o trabalho e a humildade,  provando que para al\u00e9m dos nossos  defeitos, tamb\u00e9m temos os  nossos valores\u201d. Portanto, considerando o tratado dos direitos humanos e o valor \u00e9tico, social e crist\u00e3o da pessoa, nunca dever\u00edamos fazer acep\u00e7\u00e3o de pessoa.<\/p>\n<p>Eun\u00e1polis, 09 de setembro de 2009.<\/p>\n<p>Dom Jos\u00e9 Edson Santana Oliveira.<br \/>\nBispo diocesano de Eun\u00e1polis.<br \/>\nBispo Repons\u00e1vel pela Pastoral dos N\u00f4mades do Brasil.<br \/>\nTexto amavelmente enviado pelo  Pe. Wallace do Carmo Zanon, Director Executivo da Pastoral dos N\u00f4mades do Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos consagrou ineg\u00e1vel avan\u00e7o civilizat\u00f3rio em termos das garantias dos direitos inalien\u00e1veis da pessoa humana. O trecho acima, da Carta de S\u00e3o Tiago, foi uma antecipa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito da Carta da ONU sobre os direitos humanos, que aproxima o homem das leis de Deus.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-762","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-internacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=762"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/762\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}