{"id":788,"date":"2010-12-02T09:41:00","date_gmt":"2010-12-02T09:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2010\/12\/02\/olga-mariano\/"},"modified":"2010-12-02T09:41:00","modified_gmt":"2010-12-02T09:41:00","slug":"olga-mariano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/olga-mariano\/","title":{"rendered":"OLGA MARIANO"},"content":{"rendered":"<p>Excertos do artigo de La Payta no blogue com o mesmo nome em 23 Nov.<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nOLGA MARIANO<br \/>\nExcertos do artigo de La Payta no blogue com o mesmo nome em 23 Nov.<br \/>\n\u201cN\u00f3s temos cinco dedos na m\u00e3o. S\u00e3o todos diferentes. S\u00e3o todos necess\u00e1rios.\u201d<br \/>\nOlga Mariano \u2013 Assembleia da Rep\u00fablica, na apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Relat\u00f3rio das audi\u00e7\u00f5es sobre ciganos portugueses, no dia 17 de Mar\u00e7o de 2009<\/p>\n<p>N\u00e3o me lembro de quando a conheci. Ter\u00e1 sido num dos muitos momentos N\u00f3mada. Mas recordo-me das suas palavras ditas e n\u00e3o preciso de me socorrer dos papelinhos dispersos onde vou anotando a poesia que lhe sai das suas mais simples afirma\u00e7\u00f5es.<br \/>\nDizer-lhe a idade seria uma indelicadeza da minha parte. O que j\u00e1 viveu e sentiu dariam para mais de um s\u00e9culo\u2026 A primeira mulher cigana a ter carta de condu\u00e7\u00e3o em Portugal. Presidente da \u00fanica associa\u00e7\u00e3o de mulheres ciganas do pa\u00eds \u2013 a AMUCIP. Uma Mulher bonita, por fora e por dentro.<br \/>\nEra muito nova quando perdeu o marido e ficou sozinha, na sua condi\u00e7\u00e3o de mulher vi\u00fava e cigana, a cuidar dos filhos. O traje negro das vi\u00favas ciganas vestido com o orgulho de quem n\u00e3o abdicar\u00e1 das suas tradi\u00e7\u00f5es e convic\u00e7\u00f5es para construir o sonho de um mundo multicultural, alicer\u00e7ado na aceita\u00e7\u00e3o do Outro diferente e na cria\u00e7\u00e3o de alternativas de pensar, agir e sentir.<br \/>\nAs batalhas que j\u00e1 travou na vida s\u00f3 ela as saber\u00e1 contar. Hoje, homens e mulheres, ciganos e n\u00e3o ciganos, ficam em sil\u00eancio para a ouvir, num respeito que guardamos apenas para aqueles que sabem fazer magia com a vida e deslumbrar-nos com ensinamentos. Coelhos na cartola. Tesouros do fundo do mar.<\/p>\n<p>Escreve, quem a conhece bem:<br \/>\n&#8220;Eu conheci a Olga atrav\u00e9s dos seus poemas que foram sendo publicados no Andarilho \u2013 boletim do N\u00f3mada. Depois, porque ambas escrev\u00edamos poesia, junt\u00e1mo-nos num projecto Cultural em Set\u00fabal, dirigido por outra grande mulher \u2013 Maria Jos\u00e9 \u2013 e, atrav\u00e9s deste projecto ofereci \u00e0 Olga, pelo seu 50\u00ba anivers\u00e1rio, o seu primeiro livro de poemas:\u201cPoemas desta vida Cigana\u201d, editado em 2000. Depois e, durante mais 3 anos, fui-lhe oferecendo, sempre pelo seu anivers\u00e1rio, os seus poemas compilados em livros, dos quais j\u00e1 se publicaram: \u201cFestejando a Vida\u201d em 2002; \u201cInquietudes\u201d 2003; \u201cTesouro da Vida\u201d 2004. Tent\u00e1mos que fossem todos publicados numa compila\u00e7\u00e3o, para servir de motiva\u00e7\u00e3o as outras mulheres ciganas que frequentam os cursos de alfabetiza\u00e7\u00e3o\u2026 Mas em v\u00e3o\u2026 S\u00f3 promessas que o vento leva\u2026&#8221;<br \/>\nMyrna<br \/>\nAqui ficam alguns destes poemas que, como diz a Myrna, deixam transparecer muito da persist\u00eancia desta mulher muito especial.<\/p>\n<p>Foi no meio da vida<br \/>\nque encontrei uma passagem.<br \/>\nEra muito estreita e pouco vi\u00e1vel.<br \/>\nTentei penetrar e n\u00e3o consegui<br \/>\nRecuei atr\u00e1s quase desisti.<br \/>\nUm pouco \u00e0 frente<br \/>\nencontrei uma luz<br \/>\ndirigi-me a ela como a uma cruz<br \/>\nhavia esperan\u00e7a de continuar.<br \/>\n\u00c9 pensando nela que n\u00e3o vou chorar.<br \/>\nJ\u00e1 me sinto tonta<br \/>\nde tanto pensar nessa passagem<br \/>\nn\u00e3o terei lugar<br \/>\nDe desilus\u00e3o em desilus\u00e3o<br \/>\nvou ultrapassando<br \/>\ncada port\u00e3o<br \/>\neste \u00e9 meu destino<br \/>\ne n\u00e3o vou deixar<br \/>\nque outros ocupem<br \/>\neste meu lugar<br \/>\nSe tanto lutei para o conseguir<br \/>\nn\u00e3o ser\u00e1 agora que vou desistir<br \/>\nfoi no meio da vida que encontrei a passagem<br \/>\n\u00e9 pensando nela que vou de viagem<br \/>\nOlga Mariano<br \/>\nSer Cigano<br \/>\nSer cigano \u00e9 ser diferente<br \/>\n\u00c9 como a \u00e1gua a correr<br \/>\nCristalina e luzidia<br \/>\nQual riacho a percorrer.<br \/>\nAs margens, que m\u00e3os t\u00e3o frias!<br \/>\nO leito, acolhedor<br \/>\nO afluente \u00e9 a alegria<br \/>\nO desaguar \u00e9 o prazer.<br \/>\nSer\u00e1 que \u00e9 compreendido?<br \/>\nO seu andar bamboleante<br \/>\nQuais ondas em mar\u00e9 fria<br \/>\nQual noite escura e sombria<br \/>\nQue n\u00e3o v\u00eas a luz do dia<br \/>\nAt\u00e9 ao amanhecer.<br \/>\nSer cigano \u00e9 ser diferente<br \/>\nSer cigano \u00e9 ser artista<br \/>\nPois tudo o que faz, n\u00e3o faz<br \/>\nE tudo o que quer, n\u00e3o quer.<br \/>\nComo ser\u00e1 o futuro?<br \/>\nQue futuro n\u00f3s teremos?<br \/>\nCom tanto para lutar<br \/>\nSem nunca nos apercebermos<br \/>\nQue dif\u00edcil e triste realidade<br \/>\nUm dia se esquecer\u00e1.<br \/>\nE as batalhas que perdemos!<br \/>\nMas perder uma batalha<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 perdermos a guerra<br \/>\nE como trabalhadores e diferentes que somos<br \/>\nN\u00f3s juntamos nossas m\u00e3os<br \/>\nE com for\u00e7a e harmonia<br \/>\nCarinho e simpatia<br \/>\nUm dia, n\u00e3o muito longe<br \/>\nO sol nos alumia<br \/>\nE como tudo tem um nome<br \/>\nO nosso \u00e9 alegria.<br \/>\nNat\u00e1lia Maia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Excertos do artigo de La Payta no blogue com o mesmo nome em 23 Nov.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/788\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}