{"id":791,"date":"2010-12-02T09:52:00","date_gmt":"2010-12-02T09:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2010\/12\/02\/editorial-caravana-55\/"},"modified":"2010-12-02T09:52:00","modified_gmt":"2010-12-02T09:52:00","slug":"editorial-caravana-55","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/editorial-caravana-55\/","title":{"rendered":"Editorial Caravana  55"},"content":{"rendered":"<p>Foi em meados do s\u00e9culo XV que o povo cigano se estabeleceu em Portugal. Bem acolhido no in\u00edcio, durante s\u00e9culos este povo tem sido marginalizado e pouco apreciado, o que o levou a criar uma estrutura comunit\u00e1ria, fechada, muitas vezes envolta em mist\u00e9rio e exotismo, e contribuiu para que o cigano seja visto como um indesej\u00e1vel e para que fossem criados muitos estere\u00f3tipos negativos \u00e0 sua volta.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEditorial Caravana  55<br \/>\nFoi em meados do s\u00e9culo XV que o povo cigano se estabeleceu em Portugal. Bem acolhido no in\u00edcio, durante s\u00e9culos este povo tem sido marginalizado e pouco apreciado, o que o levou a criar uma estrutura comunit\u00e1ria, fechada, muitas vezes envolta em mist\u00e9rio e exotismo, e contribuiu para que o cigano seja visto como um indesej\u00e1vel e para que fossem criados muitos estere\u00f3tipos negativos \u00e0 sua volta.<br \/>\nSe os estere\u00f3tipos de que o povo cigano tem sido objecto s\u00e3o fruto do desconhecimento da sua hist\u00f3ria e cultura e o t\u00eam perseguido para onde quer que v\u00e1, o conhecimento da sua cultura, identidade, organiza\u00e7\u00e3o social e regras internas, s\u00e3o um meio para a compreens\u00e3o, aceita\u00e7\u00e3o, respeito e desmontagem dos estere\u00f3tipos absurdos que o envolvem.<br \/>\nEm Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e Exclus\u00e3o Social, onde os povos da Europa, ao menos ao n\u00edvel das inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, manifestam vontade de acabar com as situa\u00e7\u00f5es de pobreza e mis\u00e9ria que assolam uma grande faixa da popula\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ar um novo olhar para a situa\u00e7\u00e3o do povo cigano \u00e9, de facto, um acto de justi\u00e7a hist\u00f3rico, porque, na verdade, se muitos ciganos vivem numa situa\u00e7\u00e3o humana, social e econ\u00f3mica completamente degradada, esta deve-se, essencialmente, \u00e0 injusti\u00e7a e marginaliza\u00e7\u00e3o a que este povo tem sido remetido ao longo dos s\u00e9culos.<br \/>\nA Igreja Cat\u00f3lica tamb\u00e9m tem de lan\u00e7ar um novo olhar sobre a realidade cigana no nosso pa\u00eds, promovendo o acolhimento e a integra\u00e7\u00e3o, nas suas comunidades, de todos os que a procuram, contribuindo, assim, para que a todos seja reconhecida a sua dignidade humana e de filhos de Deus. Infelizmente, e muitas vezes, ouvimos o lamento de que os ciganos aderiram, na sua maioria, \u00e0s Igrejas Evang\u00e9licas, no entanto, raramente, ouvimos um questionamento, se a raz\u00e3o desta ades\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 devida ao facto das comunidades cat\u00f3licas terem descurado a pastoral com a comunidade cigana?<br \/>\nDeus criou todos os homens iguais, todos s\u00e3o filhos de Deus, por isso, num tempo de tantas contradi\u00e7\u00f5es, o mundo necessita de sinais significativos vis\u00edveis, sinais evang\u00e9licos incarnados no mundo, duma forma particular o sinal da fraternidade universal fundada na revela\u00e7\u00e3o da paternidade divina que fez de todos os homens um s\u00f3 povo (cf. Ef , 14-17), transformando a humanidade numa fraternidade de irm\u00e3os. A Igreja n\u00e3o pode ser mera deposit\u00e1ria dos valores evang\u00e9licos, apresentando-os como o ideal de realiza\u00e7\u00e3o da humanidade, tem de incarn\u00e1-los, viv\u00ea-los e p\u00f4-los em pr\u00e1tica.<br \/>\nO Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e Exclus\u00e3o Social, no confronto com a situa\u00e7\u00e3o de pobreza e exclus\u00e3o do povo cigano, deveria tornar-se para toda a Igreja um desafio, um espinho nas consci\u00eancias, pois enquanto um irm\u00e3o viver despido da sua dignidade humana, marginalizado e mal amado, sem o m\u00ednimo de condi\u00e7\u00f5es de vida digna, a Igreja n\u00e3o pode fechar os ouvidos ao seu clamor, devendo ter presente que Cristo a instituiu  para continuar a sua miss\u00e3o de proclamar no mundo a Boa Nova aos pobres (cf. Lc 4, 18).<br \/>\nP. Frei Francisco Sales Diniz, O.F.M.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi em meados do s\u00e9culo XV que o povo cigano se estabeleceu em Portugal. 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