{"id":831,"date":"2010-07-19T09:44:00","date_gmt":"2010-07-19T09:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2010\/07\/19\/a-eco-formacao-ou-uma-aldeia-de-asterix-em-portugal\/"},"modified":"2010-07-19T09:44:00","modified_gmt":"2010-07-19T09:44:00","slug":"a-eco-formacao-ou-uma-aldeia-de-asterix-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/a-eco-formacao-ou-uma-aldeia-de-asterix-em-portugal\/","title":{"rendered":"A ECO-FORMA\u00c7\u00c3O OU UMA ALDEIA DE AST\u00c9RIX EM PORTUGAL"},"content":{"rendered":"<p>S\u00edntese do artigo de Mirna Montenegro (MM) na revista Diversit\u00e9 159 (Dez 2009)<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nA ECO-FORMA\u00c7\u00c3O OU UMA ALDEIA DE AST\u00c9RIX EM PORTUGAL<br \/>\nS\u00edntese do artigo de Mirna Montenegro (MM) na revista Diversit\u00e9 159 (Dez 2009)<br \/>\n Fomentar um clima de bem-estar no sistema educativo permitiria, sem d\u00favida, reduzir a ansiedade, baixar o n\u00edvel de viol\u00eancia em geral e inverter a l\u00f3gica do insucesso.<br \/>\nMM, Coordenadora do Projecto N\u00f3mada, diz que os ciganos foram sistematicamente rejeitados ao longo da hist\u00f3ria. Muitos foram deportados para colonizar a \u00c1frica e o Brasil. A l\u00edngua romani inicialmente foi proibida sob pena de pris\u00e3o, obrigando os seus locutores a falarem o calo, que \u00e9 um misto de romani e de castelhano e era protegido escondendo-o e que, por isso, nunca foi ensinado na escola. \u00c9 apenas depois de1974, com a revolu\u00e7\u00e3o dos cravos, que os ciganos s\u00e3o reconhecidos como cidad\u00e3os de pleno direito. De todas as maneiras, eles fazem parte da paisagem humana portuguesa e contribuem para o patrim\u00f3nio hist\u00f3rico, econ\u00f3mico e cultural deste pa\u00eds ao longo de mais de 500 anos.<br \/>\nAntes da introdu\u00e7\u00e3o do RSI, h\u00e1 13 anos, os ciganos portugueses viviam das colheitas sazonais e do com\u00e9rcio ambulante. Ap\u00f3s a ades\u00e3o de Portugal \u00e0 CEE, eles foram progressivamente substitu\u00eddos pelos trabalhadores do Magrebe e dos pa\u00edses de Leste, enquanto o com\u00e9rcio passava para as m\u00e3os dos Asi\u00e1ticos. Rapidamente os ciganos passaram a representar 4% dos benefici\u00e1rios do RSI. A partir de 1996, surge um novo organismo o Alto-Comissariado para as Minorias \u00c9tnicas (ACIME) que se tornou Alto-Comissariado para o Di\u00e1logo Intercultural (ACIDI), onde existe um gabinete que trata dos assuntos sobre os ciganos.<br \/>\nQuanto \u00e0 quest\u00e3o do acesso ao ensino, antes da introdu\u00e7\u00e3o do RSI, muito poucos frequentaram com sucesso. Para receber o RSI, os pais s\u00e3o obrigados a levar os filhos \u00e0 Escola e a frequent\u00e1-la eles pr\u00f3prios. No entanto, ap\u00f3s o ensino prim\u00e1rio, na entrada para o secund\u00e1rio, a popula\u00e7\u00e3o cigana desaparece.<br \/>\nMM refere que quando come\u00e7ou a trabalhar com esta popula\u00e7\u00e3o, os colegas avisaram-na de que eram \u201cperigosos\u201d, \u201csujos\u201d e indisciplinados. \u00c0 medida que os foi conhecendo \u2013 sobretudo atrav\u00e9s de interven\u00e7\u00f5es informais -, consciencializou-se de que os ciganos t\u00eam uma cultura pr\u00f3pria e talvez por isso tenham sido sempre rejeitados por todos. Por isso, foi com espanto e curiosidade respeitosa que se dedicou, como pessoa e como profissional, \u00e0quelas crian\u00e7as, \u00e0s suas fam\u00edlias, e, em seguida, a toda a comunidade. Vivi ent\u00e3o uma \u201caventura\u201d educativa, sociol\u00f3gica, antropol\u00f3gica e social que me transformou tanto profissional como pessoalmente. Durante tr\u00eas anos, constru\u00edram-se afectos e destru\u00edram-se em mim preconceitos e estere\u00f3tipos.<br \/>\nO Projecto N\u00f3mada nasceu da\u00ed. O N\u00f3mada I (NI) come\u00e7ou em 1995 e terminou em 2004; dele nasceu o N\u00f3mada II (NII). O NI tinha como objectivos a promo\u00e7\u00e3o das comunidades ciganas, a transforma\u00e7\u00e3o da escola e a forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos docentes; o NII visava uma metodologia de interven\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-educativa. Pretendia-se valorizar a cultura cigana e dar-lhe a dignidade que a hist\u00f3ria portuguesa n\u00e3o lhe tinha reconhecido. Pretendia-se ainda formar redes de pessoas e de organiza\u00e7\u00f5es que tivessem rela\u00e7\u00f5es significativas com as comunidades ciganas. Pretendia-se desencadear uma mudan\u00e7a de atitudes e das pr\u00e1ticas s\u00f3cio-educativas, a fim de promover formas de democracia participativa fundadas na solidariedade e na diversidade.<br \/>\nO projecto baseava-se em quatro princ\u00edpios interdependentes:<br \/>\n&#8211; As anima\u00e7\u00f5es escolares nos mercados e feiras itinerantes frequentados pelas fam\u00edlias ciganas e as ac\u00e7\u00f5es de rua visavam o envolvimento das fam\u00edlias nas actividades dos seus filhos, a aprendizagem intercultural e sensibiliz\u00e1-las para a import\u00e2ncia da escola;<br \/>\n&#8211; A dinamiza\u00e7\u00e3o de grupos culturais promotores da cultura cigana, tais como grupos musicais;<br \/>\n&#8211; A edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o da revista Andarilho como espa\u00e7o de visibilidade e de partilha das pr\u00e1ticas educativas experimentadas no decorrer do projecto, e da pr\u00f3pria cultura cigana;<br \/>\n&#8211; A forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos docentes e outros intervenientes, denominada Eco-forma\u00e7\u00e3o. O professor\/educador torna-se um \u201canalista simb\u00f3lico\u201d porque deve encontrar a solu\u00e7\u00e3o para problemas em contextos marcados pela complexidade e pela incerteza.<br \/>\nForam constru\u00eddos nove m\u00f3dulos que constituem o curr\u00edculo validado pelo Conselho Cient\u00edfico e Pedag\u00f3gico da forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos professores do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o de Portugal.<br \/>\nDe 1995 a 2004 abrangemos 66 professores, em m\u00e9dia, num total de 466 docentes em 9 anos, num total de 299 horas de forma\u00e7\u00e3o. Quatro publica\u00e7\u00f5es foram editadas sobre as v\u00e1rias fases do N\u00f3mada: Ciganos e educa\u00e7\u00e3o (1999) e Ciganos e Cidadania(s) (2007) \u2013 (Cadernos ICE de Set\u00fabal); Aprendendo com ciganos (2003) \u2013 EDUCA; Ciganos aqu\u00e9m do Tejo (2004) \u2013 ACIME\/ICE.<br \/>\nNo \u00faltimo ano do NI (2003-2004), foi feita uma avalia\u00e7\u00e3o baseada em cinco dimens\u00f5es de an\u00e1lise: os afectos e as motiva\u00e7\u00f5es, os acontecimentos internos e externos ao projecto, as influ\u00eancias institucionais tais como o RSI e o PER e os efeitos do projecto nos profissionais, nas fam\u00edlias, nas crian\u00e7as e jovens, nas organiza\u00e7\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es, etc., e a validade dos conceitos subjacentes \u00e0s ac\u00e7\u00f5es relacionadas com o projecto. Concluiu-se que o N\u00f3mada era uma sinergia das vontades e dos parceiros, apoiados numa metodologia de interven\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica.<br \/>\nCom base nos valores adoptados, tais como defesa da cidadania dos diferentes actores do projecto e a valoriza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, dos afectos e da \u00e9tica da solidariedade, transformou-se o N\u00f3mada I em N\u00f3mada II que visa a \u201cpromo\u00e7\u00e3o da cidadania das comunidades ciganas e a transforma\u00e7\u00e3o da escola\u201d, intervindo tr\u00eas eixos:<br \/>\n&#8211; anima\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria a favor da cidadania;<br \/>\n&#8211; utiliza\u00e7\u00e3o da Eco-Forma\u00e7\u00e3o para mudar o olhar dos docentes sobre as comunidades ciganas; e<br \/>\n&#8211; a sistematiza\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de conhecimento que visa encorajar a falar e a saber escutar tanto as crian\u00e7as como os adultos.<br \/>\nTal como a aldeia de Ast\u00e9rix resistiu, tamb\u00e9m os Ciganos resistiram e continuar\u00e3o a faz\u00ea-lo durante s\u00e9culos.<br \/>\nhttp:\/\/myrna.com.sapo.pt <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edntese do artigo de Mirna Montenegro (MM) na revista Diversit\u00e9 159 (Dez 2009)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-831","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diversos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/831\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}