{"id":832,"date":"2010-07-19T09:46:00","date_gmt":"2010-07-19T09:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2010\/07\/19\/a-pastoral-dos-ciganos-em-espanha\/"},"modified":"2010-07-19T09:46:00","modified_gmt":"2010-07-19T09:46:00","slug":"a-pastoral-dos-ciganos-em-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/a-pastoral-dos-ciganos-em-espanha\/","title":{"rendered":"A PASTORAL DOS CIGANOS EM ESPANHA"},"content":{"rendered":"<p>S\u00edntese de apresenta\u00e7\u00e3o de D. Ciriaco Benavente, Promotor da Pastoral dos Ciganos da Confer\u00eancia Episcopal Espanhola no Encontro dos Directores Nacionais da Pastoral dos Ciganos na Europa, em Roma de 2 a 4 de Mar\u00e7o de 2010 em Di\u00e1logo Gitano (Abr-Jun, 2010)<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nA PASTORAL DOS CIGANOS EM ESPANHA<br \/>\nS\u00edntese de apresenta\u00e7\u00e3o de D. Ciriaco Benavente, Promotor da Pastoral dos Ciganos da Confer\u00eancia Episcopal Espanhola no Encontro dos Directores Nacionais da Pastoral dos Ciganos na Europa, em Roma de 2 a 4 de Mar\u00e7o de 2010 em Di\u00e1logo Gitano (Abr-Jun, 2010)<br \/>\nA Pastoral espec\u00edfica dos ciganos no contexto da pastoral territorial. Propostas para incrementar o di\u00e1logo e a colabora\u00e7\u00e3o intra e extra Igreja<br \/>\nOs ciganos sempre foram profundamente religiosos e, \u00e0 sua maneira, na sua maioria, cat\u00f3licos, ou pelo menos baptizados na Igreja cat\u00f3lica. Mas, salvo excep\u00e7\u00f5es, nunca estiveram no seu conjunto, plenamente integrados na Igreja cat\u00f3lica, nem a sentiram como sua. Era a Igreja dos paios. \u00c9 de assinalar a r\u00e1pida penetra\u00e7\u00e3o da Igreja Evang\u00e9lica de Filad\u00e9lfia, (em Espanha \u201cos Aleluias), nas pr\u00e1ticas religiosas e vitais de numerosas fam\u00edlias ciganas; iniciado em Fran\u00e7a na d\u00e9cada de 1950, chegou a Espanha nos anos 60 e actualmente j\u00e1 abrange entre 50% a 70% dos ciganos espanh\u00f3is, apesar de os seus pastores serem acusados de falta de reivindica\u00e7\u00e3o social e de problemas formativos. Devemos perguntar-nos porqu\u00ea o \u00eaxito maci\u00e7o do \u201cCulto\u201d em apenas 50 anos. Uma cigana responde: \u201c\u00e9 que isto \u00e9 dos ciganos\u201d. No Culto \u201cos ciganos t\u00eam a palavra, cantam, expressam os seus sentimentos, (o cigano move-se mais por sentimentos do que por grandes racioc\u00ednios), e faz-se refer\u00eancia \u00e0s realidades concretas da vida cigana, aos seus problemas e aspira\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNa Igreja Cat\u00f3lica temos uma excelente teoria: desde o Evangelho (Mt. 28,19), ao Vaticano II (LG 13; SC 37.77 e 119 e CD 18) \u00e0s Orienta\u00e7\u00f5es do Conselho Pontif\u00edcio (CP) de 2006, \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o Paulo II no IV Congresso Mundial promovido pelo CP.<br \/>\nA especificidade da pastoral com os ciganos n\u00e3o precisa de justifica\u00e7\u00e3o: o que a Igreja precisa de se perguntar \u00e9 se tem tido em conta tal especificidade ou se lhes temos oferecido antes, a nossa pastoral ordin\u00e1ria, s\u00f3 que para os ciganos. Provavelmente encontramos aqui uma das causas da nossa falta de \u201csucesso\u201d. A pastoral com os ciganos frutificou onde se incorporaram as formas e express\u00f5es do g\u00e9nio cigano, como aconteceu em algumas par\u00f3quias de Andaluzia.<br \/>\nJo\u00e3o Paulo II apelava aos bispos africanos em Nairobi, em 1980, a que respeitando, preservando e favorecendo os valores pr\u00f3prios da cultura das suas popula\u00e7\u00f5es, poderiam lev\u00e1-las a uma melhor compreens\u00e3o do mist\u00e9rio de Cristo que deve ser vivido no contexto da vida africana. Embora a globaliza\u00e7\u00e3o tenda a unificar as culturas, a etnia cigana tem uma forma especial diferente de ser e de sentir. Cada grupo humano \u00e9 diferente e concretiza o seu patrim\u00f3nio de identidade na sua cultura. Se se tiver isso em considera\u00e7\u00e3o, evita-se que as diferen\u00e7as se transformem em conflitos e em preconceitos. \u00c9 verdade que todo o grupo humano aspira \u00e0 universalidade, pela sua implanta\u00e7\u00e3o na natureza humana. Nenhuma cultura \u00e9 autenticamente humana se n\u00e3o levar em si mesma a capacidade de se abrir \u00e0s outras culturas. O pluralismo n\u00e3o deveria ser a justaposi\u00e7\u00e3o de mundos antag\u00f3nicos, mas antes a complementaridade de riquezas multiformes.<br \/>\nEm 1992, ao aprovar o Documento sobre a \u201cPastoral dos Ciganos\u201d, a Confer\u00eancia Episcopal Espanhola debateu a conveni\u00eancia de criar uma Prelatura pessoal para os ciganos tal como existe para os militares.<br \/>\nA pastoral com os ciganos continua a ser um desafio para a nossa Igreja: deve ser objecto de reflex\u00e3o continuada nas Confer\u00eancias Episcopais, nas dioceses e par\u00f3quias onde vivem ciganos, nas congrega\u00e7\u00f5es religiosas.<br \/>\nA maioria dos ciganos vive em situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o: s\u00e3o estes que sofrem a maior rejei\u00e7\u00e3o por parte da sociedade. A encarna\u00e7\u00e3o na Igreja no mundo cigano continua por fazer: os ciganos vivem outro clima cultural. \u00c9 necess\u00e1rio que sejam os ciganos os agentes evangelizadores dos pr\u00f3prios ciganos. H\u00e1 componentes importantes na cultura cigana, como a m\u00fasica, a dan\u00e7a, etc., que devem ser utilizadas na ac\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja de modo a criar-se proximidade e empatia entre a Igreja e os ciganos para se conseguir chegar aos seus cora\u00e7\u00f5es. A f\u00e9 n\u00e3o pode ir por um lado e a cultura por outro. \u00c9 necess\u00e1rio lutar para destruir estere\u00f3tipos contr\u00e1rios \u00e0 dignidade dos ciganos. A miss\u00e3o da Igreja \u00e9 religiosa, mas abrange o homem todo. A Igreja deve colaborar com todas as pessoas e entidades que se comprometem em melhorar a situa\u00e7\u00e3o dos ciganos. Apesar de, devido \u00e0 prosperidade econ\u00f3mica em Espanha na \u00faltima d\u00e9cada, muitas fam\u00edlias ciganas terem melhorado a sua situa\u00e7\u00e3o e de a Fundaci\u00f3n Secretariado Gitano, com o apoio dos Fundos Europeus de Coes\u00e3o ter contribu\u00eddo decisivamente para isso, em Autonomias e Munic\u00edpios, um estudo do Minist\u00e9rio do Trabalho de 2007 conclu\u00eda que se est\u00e1 longe de se conseguir uma redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. Em algumas \u00e1reas, o fosso aumenta. A actual crise financeira est\u00e1 a afectar especialmente as pessoas e os grupos mais vulner\u00e1veis. Os imigrantes romenos, entre outros factores, provocam o aumento do racismo e da xenofobia indiscriminados. A Uni\u00e3o Europeia deve dar especial relev\u00e2ncia imediata \u00e0s pol\u00edticas de inclus\u00e3o, incluindo na sua estrat\u00e9gia a comunidade cigana, as pol\u00edticas antidiscriminat\u00f3rias velando pela aplica\u00e7\u00e3o da respectiva normativa europeia e a aos Fundos Estruturais tornando-os no principal instrumento de efic\u00e1cia contra a exclus\u00e3o social, promovendo o financiamento de projectos para a inclus\u00e3o dos ciganos que s\u00e3o a maior minoria \u00e9tnica da Europa. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edntese de apresenta\u00e7\u00e3o de D. 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