{"id":843,"date":"2010-10-11T08:54:00","date_gmt":"2010-10-11T08:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2010\/10\/11\/bi-boletim-informativo-81-acidi-jun-diversos-4\/"},"modified":"2010-10-11T08:54:00","modified_gmt":"2010-10-11T08:54:00","slug":"bi-boletim-informativo-81-acidi-jun-diversos-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/bi-boletim-informativo-81-acidi-jun-diversos-4\/","title":{"rendered":"BI \u2013 Boletim Informativo #81 &#8211; ACIDI (Jun) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p> \u201cSe os ciganos forem ouvidos, isso ser\u00e1 meio caminho andado\u201d<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\n \u201cSe os ciganos forem ouvidos, isso ser\u00e1 meio caminho andado\u201d<br \/>\nO Director Executivo da ONPC, Francisco Monteiro (FM), defende um di\u00e1logo continuado com os ciganos, em tudo o que lhes diz respeito, como a \u00fanica forma de vir a conseguir a sua plena inclus\u00e3o na sociedade portuguesa<br \/>\nEsta entrevista a FM come\u00e7a por questionar \u201cquem s\u00e3o os ciganos em Portugal?\u201d FM recorda que estes est\u00e3o em Portugal h\u00e1 500 anos ap\u00f3s se terem espalhado por toda a Europa. \u201cOs ciganos foram os primeiros europeus na Europa\u201d: \u201ct\u00eam as nacionalidades todas da Europa e t\u00eam uma cultura muito pr\u00f3pria que n\u00e3o querem perder\u201d. Sobre se a distin\u00e7\u00e3o entre ciganos e n\u00e3o ciganos, \u00e9 uma distin\u00e7\u00e3o r\u00edgida, FM afirma que ela \u201cs\u00f3 se perde quando h\u00e1 casamentos mistos, o que n\u00e3o \u00e9 uma regra\u201d. \u201cO casamento endog\u00e2mico \u00e9 muito importante para estas culturas se perpetuarem\u201d; \u201cos ciganos mant\u00eam a sua cultura de uma forma muito empenhada e h\u00e1 uma fronteira clara, em termos culturais entre o cigano e o n\u00e3o cigano\u201d.<br \/>\nSobre se os ciganos vivem todos da mesma maneira, FM refere que h\u00e1 aqueles que est\u00e3o bem e existem aqueles que \u201cinfelizmente n\u00e3o est\u00e3o bem\u201d. \u201cH\u00e1 os que t\u00eam mais capacidades, ou mais oportunidades, para enfrentar a sociedade, h\u00e1 ciganos que t\u00eam lojas, por exemplo e s\u00e3o bem sucedidos\u201d. Recorda o caso do presidente da C\u00e2mara Municipal de Torres Vedras que \u00e9 cigano e os ciganos espanh\u00f3is muito mais escolarizados. \u201cMas a cultura \u00e9 a mesma. A n\u00e3o ser aqueles que eventualmente se casaram com n\u00e3o ciganos e se distanciaram um pouco mais da sua cultura\u201d.<br \/>\nQuestionado sobre se as conquistas dos ciganos espanh\u00f3is s\u00e3o um modelo a atingir para os ciganos portugueses, FM afirma que \u201csem d\u00favida que sim\u201d. \u201cOs ciganos espanh\u00f3is est\u00e3o a pensar numa confedera\u00e7\u00e3o a n\u00edvel internacional, e querem o apoio da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa, a FECALP, na forma\u00e7\u00e3o dessa confedera\u00e7\u00e3o\u201d. E acrescenta: \u201cos ciganos espanh\u00f3is est\u00e3o muito \u00e0 frente dos portugueses no \u00e2mbito da organiza\u00e7\u00e3o. Basta dizer que em Espanha a Fundaci\u00f3n Secretariado Gitano, que nasceu no seio da Igreja Cat\u00f3lica, \u00e9 a maior organiza\u00e7\u00e3o de toda a Europa em termos de apoio aos ciganos\u201d. Esta organiza\u00e7\u00e3o \u201ctem um elo de liga\u00e7\u00e3o permanente com a Comiss\u00e3o Europeia para desenvolver as suas actividades e neste momento est\u00e1 a ser chamada pela UE para projectos em pa\u00edses do Leste da Europa\u201d.<br \/>\nFM considera ainda que a forma como a popula\u00e7\u00e3o maiorit\u00e1ria v\u00ea os ciganos tem evolu\u00eddo \u201cembora n\u00e3o tanto como gostar\u00edamos\u201d. Refere que \u201cdesde h\u00e1 uns anos, a Pastoral dos Ciganos tem tido uma pol\u00edtica de abertura \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social para que os ciganos apare\u00e7am na televis\u00e3o, na r\u00e1dio e na imprensa escrita\u201d. Sendo a comunica\u00e7\u00e3o social \u201cmuito influente na opini\u00e3o p\u00fablica\u201d, \u201co problema dos ciganos \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o, que vem da ignor\u00e2ncia, do facto de as pessoas n\u00e3o saberem quem eles s\u00e3o e de n\u00e3o conhecerem a cultura cigana\u201d. Neste momento existe \u201cuma preocupa\u00e7\u00e3o muito maior por parte dos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social em n\u00e3o ofender os ciganos\u201d. Mas continua a haver \u201cmuita discrimina\u00e7\u00e3o e muita exclus\u00e3o\u201d, dando como exemplo o facto de quando se realizou o F\u00f3rum Ib\u00e9rico: \u201ctivemos de recorrer a uma ag\u00eancia de viagens para reservar quartos de hotel, porque a Pastoral dos Ciganos n\u00e3o conseguia reservar quartos directamente\u201d.<br \/>\nFM considera que as actividades econ\u00f3micas tradicionais dos ciganos n\u00e3o se est\u00e3o a transformar, mas antes a regredir. \u201cOs ciganos neste momento est\u00e3o num beco sem sa\u00edda. Os mercados est\u00e3o muito mal e s\u00e3o de certa maneira perseguidos pelas c\u00e2maras municipais, que os p\u00f5em cada vez mais longe, por causa das press\u00f5es urban\u00edsticas com base em PDM em que os ciganos n\u00e3o s\u00e3o ouvidos\u201d.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 iniciativa dos mediadores municipais ciganos do ACIDI, FM considera-a uma \u201ciniciativa a todos os t\u00edtulos not\u00e1vel\u201d. \u201cAs c\u00e2maras que aderiram t\u00eam a possibilidade de dialogar com os ciganos nas suas autarquias atrav\u00e9s de um cigano ou de uma cigana escolhidos para o efeito\u201d. \u201c\u00c9 o tipo de medidas que deveriam sempre ser tomadas, porque as minorias devem ser acarinhadas, n\u00e3o devem ser ignoradas\u201d.<br \/>\nSobre o F\u00f3rum Ib\u00e9rico, FM afirmou que esta \u201cfoi uma ideia de Dinis Abreu, Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Cigana de Leiria e membro da Direc\u00e7\u00e3o da FECALP, que pretendia realizar uma grande ac\u00e7\u00e3o para colocar os ciganos na comunica\u00e7\u00e3o social\u201d. \u201cPretendeu-se organizar uma confer\u00eancia que abordasse tr\u00eas grandes quest\u00f5es dos ciganos: a educa\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o profissional e o com\u00e9rcio ambulante. Quisemos chamar todas as entidades de Portugal e de Espanha que estivessem de alguma forma relacionadas com estes temas e debat\u00ea-los\u201d.<br \/>\nInterrogado sobre o facto de por vezes se ter a impress\u00e3o de que n\u00e3o s\u00e3o os ciganos a falar por si pr\u00f3prios, FM diz que o F\u00f3rum Ib\u00e9rico teve este aspecto muito importante: \u201cforam os ciganos que falaram\u201d. \u201cA FECALP tem assumido muito protagonismo, e t\u00eam sido os ciganos a falar \u00e0 Lusa e a ir \u00e0 televis\u00e3o\u201d A Pastoral dos Ciganos \u201c\u00e9 um servi\u00e7o aos ciganos e vamos apoiar tudo o que eles promoverem, mas cada vez com menos protagonismo para n\u00f3s. Enquanto n\u00e3o forem os ciganos a falar por si pr\u00f3prios, nada se faz\u201d.<br \/>\nSobre que medidas poderiam ser transformadoras da realidade social dos ciganos, FM denuncia o facto de existir \u201cuma grande apatia por parte de alguns minist\u00e9rios, em sucessivos governos\u201d. \u201cSe os ciganos come\u00e7arem a ser ouvidos para certos projectos, sistematicamente, isso seria meio caminho andado\u201d. E acrescenta: \u201cnos \u00e2mbitos da educa\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o profissional, por exemplo, seria muito importante que as pessoas fossem ouvidas\u201d.<br \/>\nSobre se a modernidade agravou o fosso entre as minorias e a popula\u00e7\u00e3o maiorit\u00e1ria, FM concorda e afirma que \u201cos ciganos t\u00eam aptid\u00f5es para as novas tecnologias mas \u00e9 quando entram nelas. Quando h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o inicial, uma forma\u00e7\u00e3o, os problemas ultrapassam-se e as coisas evoluem\u201d.<br \/>\nSobre o que pretendem os ciganos conservar e o que desejam transformar, FM refere que um factor muito importante para a altera\u00e7\u00e3o de certos aspectos negativos, foi a Igreja de Filad\u00e9lfia, que \u201cfunciona com pastores ciganos\u201d. Refere ainda que a cultura cigana se ir\u00e1 manter. \u201cAs feiras podem estar em extin\u00e7\u00e3o, mas os ciganos v\u00e3o inventar novas coisas, v\u00e3o-se adaptar\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe os ciganos forem ouvidos, isso ser\u00e1 meio caminho andado\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-843","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciganos-sao-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/843\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}