{"id":867,"date":"2010-10-11T09:19:00","date_gmt":"2010-10-11T09:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2010\/10\/11\/sol-3-set-expulsao-dos-ciganos-em-franca\/"},"modified":"2010-10-11T09:19:00","modified_gmt":"2010-10-11T09:19:00","slug":"sol-3-set-expulsao-dos-ciganos-em-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/sol-3-set-expulsao-dos-ciganos-em-franca\/","title":{"rendered":"Sol (3 Set) &#8211; EXPULS\u00c3O DOS CIGANOS EM FRAN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p>Mendigar de terra em terra <\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nMendigar de terra em terra<br \/>\nEm Portugal, os ciganos romenos dividem-se entre o trabalho sazonal e a mendicidade<br \/>\nOs ciganos romenos j\u00e1 h\u00e1 dez anos que come\u00e7aram a chegar a Portugal. Com a expuls\u00e3o colectiva ordenada pelo Governo franc\u00eas e para escapar de uma mis\u00e9ria maior, Portugal passou a ser um dos seus destinos de sobreviv\u00eancia econ\u00f3mica. Desconhece-se quantos estar\u00e3o em Portugal e s\u00e3o escassos os dados sobre a ess\u00eancia deste povo.<br \/>\nNas grandes cidades os ciganos romenos habitualmente vivem da mendicidade ou da venda de pensos r\u00e1pidos e do almanaque Borda d\u2019\u00c1gua. Nos meios rurais, procuram a sazonalidade de tarefas agr\u00edcolas \u2013 ganham \u00e0 jorna. A par de alguns pontos no Norte de Portugal, a regi\u00e3o Oeste \u00e9 um dos locais escolhidos. H\u00e1 4 anos, instalou-se na aldeia de P\u00f3, no Bombarral, uma comunidade de mais de cem ciganos romenos. Como a Rom\u00e9nia ainda n\u00e3o integrava a UE foram expatriados pelo Servi\u00e7o de Estrangeiros e Fronteiras. Com a entrada daquele pa\u00eds na UE, em 2007, chegou \u00e0 regi\u00e3o Oeste uma segunda vaga de ciganos romenos. Instalaram-se nas freguesias de Reguengo Grande e Moledo, na Lourinh\u00e3. As diferen\u00e7as culturais motivaram a popula\u00e7\u00e3o local a apresentar queixa aos presidentes de Junta.<br \/>\nMafalda Teixeira (MT), mediadora intercultural do Centro Local de Apoio ao Imigrante (CLAI) da Lourinh\u00e3 afirma que \u201cinstalaram-se em aldeias pequeninas, at\u00e9 desertificadas, e o choque foi maior\u201d. Mas nota que apesar do preconceito ainda evidente, agora j\u00e1 come\u00e7a a haver abertura em rela\u00e7\u00e3o a esta etnia. E tamb\u00e9m encontra na Lourinh\u00e3, sinais de tentativa de integra\u00e7\u00e3o por parte dos ciganos \u2013 com as crian\u00e7as a dar o impulso, frequentando j\u00e1 o sistema de ensino. MT sublinha ainda que \u201cn\u00e3o existem pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o em Portugal\u201d. E a quest\u00e3o do alojamento \u00e9 \u201cproblem\u00e1tica\u201d. \u201cH\u00e1 comunidades enormes a morar em apenas uma casa. Isto tem a ver com o oportunismo dos arrendat\u00e1rios, que cobram \u00e0 cabe\u00e7a\u201d. Noutros casos, os ciganos pernoitam em acampamentos ou em carrinhas.<br \/>\nDesde o in\u00edcio do ano, Fran\u00e7a j\u00e1 repatriou mais de 4000 ciganos para a Rom\u00e9nia. Pedro Bacelar de Vasconcelos (BV), constitucionalista, afirma que a expuls\u00e3o dos ciganos da Fran\u00e7a \u201cs\u00e3o medidas sem qualquer hip\u00f3tese de efic\u00e1cia, que aparecem ao arrepio dos princ\u00edpios da UE\u201d. As medidas de Sarkozy t\u00eam provocado a indigna\u00e7\u00e3o na imprensa romena a ponto de o Jurnalul National acusar a Europa ocidental de enviar \u201cos seus ciganos e deliquentes\u201d para o \u201ccaixote do lixo da Europa\u201d.Por outro lado, BV questiona-se sobre que medidas tem a Rom\u00e9nia adoptado para integrar os seus ciganos: \u201cA UE desenvolve programas de combate \u00e0 exclus\u00e3o social. E se a Fran\u00e7a n\u00e3o assume responsabilidades a esse n\u00edvel, tamb\u00e9m temos de pensar no que t\u00eam andado a fazer os respons\u00e1veis da Rom\u00e9nia\u201d.<br \/>\nA resolu\u00e7\u00e3o do problema social dos ciganos romenos n\u00e3o passa pelo regresso ao passado do qual quiseram fugir. Na Rom\u00e9nia, tr\u00eas em cada quatro cigano s\u00e3o pobres. \u201cDizem que valia mais pedir esmolas aqui do que morrer \u00e0 fome na Rom\u00e9nia\u201d, relata S\u00e9rgio Aires, soci\u00f3logo da Rede Europeia Anti-Pobreza e com o trabalho de coordena\u00e7\u00e3o do Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre a Etnia Cigana (SINA).<br \/>\nRos\u00e1rio Farmhouse, Alta Comiss\u00e1ria para a Imigra\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logo Intercultural, admite que a integra\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser conseguida: \u201c N\u00e3o tendo grandes ferramentas de sustentabilidade. E, fruto de anos de exclus\u00e3o social, o medo do \u2018outro\u2019 faz com que se fechem. A mendicidade n\u00e3o \u00e9 cultural, \u00e9 estrat\u00e9gica. Foi a forma que encontraram para sobreviver\u201d.<br \/>\nMesmo com os ciganos portugueses n\u00e3o h\u00e1 qualquer liga\u00e7\u00e3o. Ant\u00f3nio Pinto Nunes, Presidente da FECALP (federa\u00e7\u00e3o Calhim Portuguesa) declara que \u201cexistem apenas contactos m\u00ednimos porque eles n\u00e3o nos procuram para pedir qualquer tipo de ajuda\u201d. S\u00e9rgio Aires refor\u00e7a ainda que os ciganos portugueses, apesar de n\u00e3o se identificarem com os romenos, acabam por se solidarizar com eles: \u201cCriticam a forma de vida, mas percebem que, por detr\u00e1s, est\u00e3o d\u00e9cadas de exclus\u00e3o\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mendigar de terra em terra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-867","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciganos-sao-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/867\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}