{"id":894,"date":"2011-01-26T09:07:00","date_gmt":"2011-01-26T09:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2011\/01\/26\/correio-do-vouga-1-dez-diversos\/"},"modified":"2011-01-26T09:07:00","modified_gmt":"2011-01-26T09:07:00","slug":"correio-do-vouga-1-dez-diversos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/correio-do-vouga-1-dez-diversos\/","title":{"rendered":"Correio do Vouga (1 Dez) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSou uma ponte para ajudar a comunicar com a comunidade cigana\u201d (capa do Jornal) (por Jorge Pires Ferreira, Director Adjunto do CV)<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nCorreio do Vouga (1 Dez)<br \/>\n\u201cSou uma ponte para ajudar a comunicar com a comunidade cigana\u201d (capa do Jornal) (por Jorge Pires Ferreira, Director Adjunto do CV)<br \/>\nEntrevista a Jo\u00e3o Seabra (JS), mediador s\u00f3cio-cultural para as comunidades ciganas do concelho de Aveiro<br \/>\nA entrevista seguiu-se ao semin\u00e1rio \u201cMediar para incluir\u201d, em 23 de Novembro. JS \u201cn\u00e3o acredita na integra\u00e7\u00e3o plena da comunidade cigana, mas defende passos firmes de aproxima\u00e7\u00e3o de ambos os lados.\u201d<br \/>\nJS, cigano de 41 anos, \u00e9 mediador s\u00f3cio-cultural e trabalha entre o Projecto Multi-Sendas (da C\u00e1ritas Diocesana), a divis\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o Social da C\u00e2mara Municipal de Aveiro e as 48 fam\u00edlias ciganas residentes em casas camar\u00e1rias mais as quatro comunidades em acampamentos (3 em Ervideiros, Esgueira\/Cacia e uma em S. Bernardo).<br \/>\nPara JS \u201co mediador \u00e9 um facilitador da comunica\u00e7\u00e3o entre os servi\u00e7os e a comunidade de etnia cigana. \u00c9 tamb\u00e9m um gestor e mediador de conflitos.\u201d Afirma que exerce a sua ac\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o em 3 eixos: habita\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e \u00e1rea l\u00fadico-cultural.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 habita\u00e7\u00e3o procura \u201csensibilizar a comunidade cigana para as regras que h\u00e1 a cumprir\u201d, porque \u201cmuitas vezes n\u00e3o entendem os procedimentos que t\u00eam de ser efectuados porque fazem parte da lei\u201d. Na educa\u00e7\u00e3o faz \u201cum trabalho de articula\u00e7\u00e3o com as escolas e de sensibiliza\u00e7\u00e3o dos pais. \u00c9 importante lembrar-lhes que a educa\u00e7\u00e3o e a escola s\u00e3o importantes para o futuro dos filhos\u201d. \u201cSou a ponte para estabelecer o di\u00e1logo entre directores de turma e escola e encarregados de educa\u00e7\u00e3o desses alunos\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o aos problemas que mais surgem nas escolas afirma que \u00e9 o \u201cabsentismo escolar\u201d. Embora refira que este ano est\u00e1 a ter outro problema que \u00e9 \u201co comportamento desadequado de alguns alunos de etnia cigana\u201d.<br \/>\nNo que concerne \u00e0 \u00e1rea l\u00fadica colabora e participa na dinamiza\u00e7\u00e3o de actividades de car\u00e1cter recreativo, l\u00fadicas e culturais, promovidas pelo Multi-Sendas e pela equipa t\u00e9cnica que acompanha os processos do RSI das Fam\u00edlias.<br \/>\nJS afirma que o balan\u00e7o do primeiro ano como mediador, \u00e9 \u201cpositivo, embora haja algumas dificuldades\u201d. Recorda que a comunidade cigana n\u00e3o \u00e9 \u201chomog\u00e9nea. H\u00e1 grupos que h\u00e1 muitos anos valorizam e sabem da necessidade de escolariza\u00e7\u00e3o para prepararem um futuro diferente para eles. Mas \u00e9 claro que h\u00e1 outros em que isso tem de ser mais trabalhado\u201d. \u201c\u00c9 bom verificar que.. aumenta o interesse pela escola\u201d.<br \/>\nRecorda que j\u00e1 existem ciganos licenciados, e sublinha que \u201ca educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o factor essencial para a aproxima\u00e7\u00e3o entre comunidades e a integra\u00e7\u00e3o da comunidade cigana\u201d.<br \/>\nSobre o seu trabalho refere que \u00e9 importante, porque \u201cal\u00e9m de ser exemplo para eles, \u00e9 um desbloquear de mentalidades, uma tentativa de mudar a forma de pensar da minha etnia\u201d. \u201cEstudar, ir \u00e0 escola n\u00e3o retira de forma nenhuma a nossa cultura, porque est\u00e1 enraizada (\u2026) mas vai acrescentar novos conhecimentos favor\u00e1veis a uma plena integra\u00e7\u00e3o na sociedade\u201d.<br \/>\nRefere ainda que no in\u00edcio, a sua comunidade n\u00e3o entendia muito bem a sua fun\u00e7\u00e3o e pensavam que \u201cque eu tinha deixado de ser cigano\u201d.<br \/>\nJS nota \u201cuma grande resist\u00eancia por parte das fam\u00edlias quanto ao desenvolvimento de outras iniciativas realizadas fora do bairro. Geralmente n\u00e3o autorizam a participa\u00e7\u00e3o em actividades pedag\u00f3gicas e culturais, nem participando eles pr\u00f3prios\u201d. Refere ainda que muitos ciganos \u201ct\u00eam medo de n\u00e3o serem aceites\u201d e \u201cde que a cultura e os costumes n\u00e3o sejam aceites\u201d pela cultura maiorit\u00e1ria. JS fala ainda dos problemas da droga e das profiss\u00f5es exercidas pelos ciganos: a sua fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 feirante, trabalha na decora\u00e7\u00e3o de interiores. \u201cA base da nossa cultura \u00e9 o respeito pelos mais velhos\u201d, pelos pais. JS tem o 12\u00ba ano e pensa licenciar-se; afirma que tem orgulho em ser cigano. A sua fam\u00edlia nunca sentiu supersti\u00e7\u00e3o relativamente aos sapos. Para se conseguir a integra\u00e7\u00e3o tem de haver \u201cesfor\u00e7o dos dois lados\u201d, \u201ctem de ser trabalhada\u201d por \u201caproxima\u00e7\u00f5es sucessivas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSou uma ponte para ajudar a comunicar com a comunidade cigana\u201d (capa do Jornal) (por Jorge Pires Ferreira, Director Adjunto do CV)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-894","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciganos-sao-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/894\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}