{"id":897,"date":"2011-01-26T09:10:00","date_gmt":"2011-01-26T09:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2011\/01\/26\/diario-de-noticias-27-nov-discriminacao\/"},"modified":"2011-01-26T09:10:00","modified_gmt":"2011-01-26T09:10:00","slug":"diario-de-noticias-27-nov-discriminacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/diario-de-noticias-27-nov-discriminacao\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio de Not\u00edcias (27 Nov) &#8211; DISCRIMINA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>Porque \u00e9 que os ciganos ficam \u00e0 porta?<br \/>\n<!--more--><br \/>\nDi\u00e1rio de Not\u00edcias (27 Nov)<br \/>\nGrande Reportagem \u2013 Comunidade Cigana<br \/>\nPorque \u00e9 que os ciganos ficam \u00e0 porta? (texto de C\u00e9u Neves)<br \/>\nDiscrimina\u00e7\u00e3o: As condi\u00e7\u00f5es degradantes em que vivem alguns ciganos em Portugal t\u00eam sido motivo de queixa junto do Conselho da Europa. Acusam o pa\u00eds de segregar e de discriminar a comunidade. Estivemos em bairros com as piores condi\u00e7\u00f5es sociais e que motivaram den\u00fancias. Quisemos perceber porque \u00e9 que vivem nas periferias das cidades e das aldeias, em zonas industriais e de dif\u00edcil acesso, acantonados, alguns paredes meias com animais. Fal\u00e1mos com os ciganos e com os t\u00e9cnicos que com eles trabalham. Deram-nos a imagem de uma comunidade com costumes, h\u00e1bitos, e defeitos, enfim, com uma cultura muito pr\u00f3pria. S\u00e3o sobretudo os que vivem nos meios rurais que resistem \u00e0 mudan\u00e7a. Mas, tamb\u00e9m, referiram a percep\u00e7\u00e3o negativa que deles tem a popula\u00e7\u00e3o em geral, que consideram a maior culpada. E as medidas em defesa da comunidade cigana n\u00e3o d\u00e3o votos. Antes pelo contr\u00e1rio!<br \/>\nO artigo foca os temas da habita\u00e7\u00e3o, nomadismo?, educa\u00e7\u00e3o, fam\u00edlia, trabalho e cultura.<br \/>\nA partir da observa\u00e7\u00e3o de diversas comunidades ciganas, concretamente, Borba, Vidigueira, Moura, Coimbra, Pombal, entre outras, o artigo pretende apresentar de forma imparcial a situa\u00e7\u00e3o da comunidade cigana em Portugal. L\u00eddia Mestre, assistente social h\u00e1 18 anos, 8 dos quais como t\u00e9cnica da C\u00e2mara da Vidigueira, explica que \u201ch\u00e1 culpas de parte a parte, mas a maior responsabilidade \u00e9 dos n\u00e3o ciganos\u201d porque \u201cn\u00e3o lhes s\u00e3o dadas oportunidades\u201d. E acrescenta que \u201cos servi\u00e7os marginalizam-nos descaradamente. E acho que eles adquirem certos h\u00e1bitos para se defenderem. As pessoas alugam casa a toda a gente menos aos ciganos.\u201d Recorda o caso de Ant\u00f3nio Cabe\u00e7as, de 28 anos, que foi mediador municipal, com um vencimento a rondar os 800 euros, o que lhe permitiu tirar a mulher e o filho do acampamento onde moravam no Castelo, \u00e0 sa\u00edda da Vidigueira. Alugaram uma casa por 250 euros que agora vai ter dificuldade em pagar. \u201c\u00c9 a nossa casinha, os vizinhos gostam de n\u00f3s, isto \u00e9 muito melhor\u201d, conta a mulher. Apesar dos elogios da assistente social, a autarquia n\u00e3o lhe renovou o contrato. Alexandra Castro, soci\u00f3loga, refere que noventa por cento dos ciganos s\u00e3o sedent\u00e1rios, o que contradiz a imagem de povo n\u00f3mada, percep\u00e7\u00e3o essa que tem atrasado as pol\u00edticas de realojamento desta comunidade\u201d.<br \/>\nA C\u00e2mara de Beja tenta impedir que os ciganos permane\u00e7am acampados no Bairro das Pedreiras [constru\u00eddo com o nome de Parque N\u00f3mada NR], caso contr\u00e1rio, nunca pararia o n\u00famero de pessoas para realojar. Prud\u00eancia Canhoto, 38 anos, mediador em Beja, tenta encontrar solu\u00e7\u00e3o para os casos mais graves. Um cigano que tirou o curso de mec\u00e2nico queixa-se que n\u00e3o consegue arranjar trabalho. O muro que \u00e9 o principal motivo pela qual o Centro Europeu para os Direitos dos Ciganos apresentou queixa no Conselho da Europa vai ser rebaixado, mas a autarquia n\u00e3o o retira alegando raz\u00f5es de que poderia representar perigo de seguran\u00e7a.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, Bruno Gon\u00e7alves (BG), mediador, adverte que n\u00e3o se pode generalizar que a maioria dos ciganos considera a escola como uma perda de tempo (n\u00e3o se aprende a negociar): tamb\u00e9m existem bons exemplos. Uma cigana de Sobral da Adi\u00e7a, Moura, a quem o pai tinha tirado da escola com 12 anos \u201ccom medo que fugisse com um namorado\u201d, voltou \u00e0 escola com 14 anos, com o marido. Vivem com 16 fam\u00edlias em barracas, sem \u00e1gua nem luz. \u201cO 25 de Abril nunca entrou por aqui\u201d queixa-se um morador no bairro.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia continuam a combinar os casamentos dos filhos e entre os membros da comunidade, embora BG diga que a tradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 a mudar e que h\u00e1 casamentos mistos (ciganos com n\u00e3o ciganos). Se \u201cfogem\u201d (homens com as raparigas que amam mas que n\u00e3o s\u00e3o do gosto da fam\u00edlia), \u201co casamento est\u00e1 consumado\u201d. Relativamente ao trabalho, BG refere que \u201ca minha grande vit\u00f3ria neste ano foi colocar um cigano a trabalhar numa Junta de Freguesia\u201d. BG \u00e9 mediador em Coimbra, um dos 11 mediadores municipais do projecto-piloto do ACIDI. Maria Helena Torres, coordenadora do projecto lamenta que tenha havido (duas) desist\u00eancias.<br \/>\nOs t\u00e9cnicos dizem que a inclus\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel se continuarem segregados em bairros sociais ou de barracas. A comunidade cigana deixa cada vez mais a Igreja Cat\u00f3lica para se refugiar nas novas religi\u00f5es, nomeadamente na Igreja Evang\u00e9lica de Filad\u00e9lfia. \u201cEm 1882 deram-vos a cidadania, mas n\u00e3o passou do papel, diz BG. As comunidades ciganas est\u00e3o na quarta linha da cidadania\u201d.\u201d \u00c9 no Alentejo que \u201ch\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o mais negativa dos ciganos\u201d.<br \/>\nO artigo termina referindo que \u201cos bairros que visit\u00e1mos d\u00e3o raz\u00e3o \u00e0 comiss\u00e1ria europeia da Justi\u00e7a, Viviane Reding, que considerou \u2018escandalosa\u2019 a situa\u00e7\u00e3o que se vive na Europa. Dez milh\u00f5es de ciganos, \u2018 a viver numa pobreza absoluta, que n\u00e3o acederam \u00e0 habita\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade\u2019\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque \u00e9 que os ciganos ficam \u00e0 porta?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-897","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciganos-sao-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/897\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}