{"id":938,"date":"2011-07-21T08:51:00","date_gmt":"2011-07-21T08:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2011\/07\/21\/mundo-aciganado-internet-roma-virtual-network16-abr-diversos\/"},"modified":"2011-07-21T08:51:00","modified_gmt":"2011-07-21T08:51:00","slug":"mundo-aciganado-internet-roma-virtual-network16-abr-diversos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/mundo-aciganado-internet-roma-virtual-network16-abr-diversos\/","title":{"rendered":"Mundo Aciganado (internet) \u2013 Roma Virtual Network(16 Abr) &#8211; DIVERSOS"},"content":{"rendered":"<p>Col\u00f4mbia: As novas Ciganas (Anna Vi\u00f1as* (AV) <\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nMundo Aciganado (internet) \u2013 Roma Virtual Network(16 Abr)<br \/>\nCol\u00f4mbia: As novas Ciganas (Anna Vi\u00f1as* (AV)<br \/>\nAV conta a hist\u00f3ria de Dalila, uma mulher cigana que vive numa contradi\u00e7\u00e3o uma vez que ama o seu povo e as suas tradi\u00e7\u00f5es e por isso se veste como cigana, vive como os ciganos e fala a sua l\u00edngua, o roman\u00f3, mas que rompeu com a maioria dos arqu\u00e9tipos que limitam a mulher cigana. \u00c9 engenheira industrial, trabalhou para a administra\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia e o conselho de Patriarcas da sua comunidade, que \u00e9 vedado \u00e0s mulheres, n\u00e3o toma decis\u00f5es sem a consultar. Afirma que \u201cfaz sempre o que lhe apetece\u201d e que o seu objectivo \u00e9 lutar pelos direitos do povo Rom.<br \/>\nO seu caminho para a rebeli\u00e3o come\u00e7ou aos 18 anos, quando decidiu que queria ir para a universidade, indo contra os desejos da sua fam\u00edlia, \u201cmais preocupada que se casasse que outra coisa\u201d. Dalila licenciou-se gra\u00e7as ao dinheiro que ganhava a ler a sina \u00e0s suas companheiras de estudo. \u201cO meu pai n\u00e3o queria que estudasse e dizia-me que se estudasse, me tornaria \u201cgadg\u00e9\u201d (n\u00e3o cigana na express\u00e3o dos ciganos) e que na universidade se aprendem coisas feias, como a droga ou a prostitui\u00e7\u00e3o. Assim, como poucas ciganas costumam fazer na Col\u00f4mbia, n\u00e3o casou aos quinze anos, n\u00e3o ficou gr\u00e1vida e conseguiu tornar-se uma engenheira industrial especializada em gest\u00e3o e planifica\u00e7\u00e3o de desenvolvimento. Trabalhou em v\u00e1rias empresas, disfar\u00e7ada de ocidental, com medo de discrimina\u00e7\u00f5es, at\u00e9 chegar \u00e0 fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica onde come\u00e7ou a trabalhar pelos direitos do seu povo. O seu empenho resultou num decreto que reconhece os ciganos como grupo \u00e9tnico colombiano. \u201cAgora j\u00e1 somos uma vari\u00e1vel a ter em conta nos or\u00e7amentos\u201d. Entre os desafios para a comunidade cigana na Col\u00f4mbia, est\u00e1 a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o na sa\u00fade, a escolariza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as que abandonam a escola precocemente porque os seus padr\u00f5es culturais n\u00e3o encaixam no sistema educativo homogeneizante da sociedade ocidental. Na Col\u00f4mbia, 70% das crian\u00e7as ciganas nunca foram \u00e0 escola.<br \/>\nA maioria dos problemas corresponde a choques culturais, algo que Dalila experimentou na sua hist\u00f3ria de vida. J\u00e1 na escola, era assinalada pelos seus costumes \u201cestranhos\u201d e pela sua forma de vestir. Leu bem o castelhano e tinha um sotaque estranho porque na sua fam\u00edlia sempre se falou o roman\u00f3. Al\u00e9m disso, os seus colegas n\u00e3o entendiam porque \u00e9 que n\u00e3o tinha casa e vivia numa tenda. Foi alvo das burlas, mas aguentou-as porque se queria formar. Al\u00e9m disso, para se incluir, teve que moldar-se a novos padr\u00f5es de autoridade. \u201cEu era muito rebelde e n\u00e3o entendia que o professor tivesse de mandar em mim. Na comunidade s\u00f3 o patriarca tem autoridade sobre os demais e as crian\u00e7as s\u00e3o sempre muito livres\u201d: a liberdade \u00e9 um dos valores muito apreciados pelos ciganos. \u201cN\u00e3o querem senhores nem patr\u00f5es, n\u00e3o aceitam rotinas nem depend\u00eancias, nem, t\u00e3o pouco, querem ser escravos do tempo\u201d.<br \/>\n\u201cN\u00f3s vivemos no presente e n\u00e3o nos ocupamos com o passado e isso, em parte, prejudica-nos porque n\u00e3o exigimos justi\u00e7a. N\u00e3o temos rentabilizado o holocausto como os judeus\u201d. Tamb\u00e9m n\u00e3o se preocupam com o futuro: da\u00ed o seu desinteresse pela preven\u00e7\u00e3o ou a poupan\u00e7a. \u201cSe hoje temos dinheiro gastamo-lo e partilhamo-lo com os outros\u201d pois temos uma concep\u00e7\u00e3o de vida colectiva. Os ciganos s\u00e3o n\u00f3madas por concep\u00e7\u00e3o de vida, embora actualmente esta seja uma op\u00e7\u00e3o dif\u00edcil por causa das fronteiras e, na Col\u00f4mbia, devido ao conflito armado. Se a guerra gera o fen\u00f3meno da desloca\u00e7\u00e3o em muitas v\u00edtimas, \u201cn\u00f3s sofremos a imobiliza\u00e7\u00e3o\u201d. Sentimo-nos sequestrados dentro de um territ\u00f3rio e isso tira-nos a qualidade de  vida. S\u00f3 nos resta a mobilidade mental.\u201d \u201c\u00c9 isso que d\u00e1 vida a Dalila\u201d.<br \/>\n\u201cQuando trabalhava para a administra\u00e7\u00e3o ofereceram-me um lugar de efectiva, mas recusei. Estar num escrit\u00f3rio n\u00e3o foi feito para mim.\u201d No entanto, nunca lhe faltou emprego e por isso, \u00e9 o suporte econ\u00f3mico da sua extensa fam\u00edlia, com 20 pessoas. \u201cO meu pai e os meus irm\u00e3os n\u00e3o t\u00eam uma economia est\u00e1vel porque s\u00e3o artes\u00e3os do cobre e n\u00e3o vendem muito. Eu sustento-os a todos e sentem-se orgulhosos de mim e do meu trabalho\u201d. No entanto, antes era uma mulher perseguida pelos patriarcas da comunidade e em risco de ser exclu\u00edda pelo seu trabalho p\u00fablico em defesa dos interesses do povo cigano. \u201cFizeram-me v\u00e1rios julgamentos para me exclu\u00edrem porque acusavam-me de substituir os homens. N\u00e3o aceitavam que eu tivesse lideran\u00e7a.\u201d A falta de representatividade das mulheres e a sua aus\u00eancia nos \u00f3rg\u00e3os de poder, \u00e9, para Dalila, outro dos desafios que o povo Rom deve enfrentar. \u201cN\u00f3s temos que mudar em certas coisas, nomeadamente, no nosso acesso ao ensino superior, para ficarmos numa situa\u00e7\u00e3o melhor\u201d. No entanto, salienta que \u201cisso n\u00e3o implica que mudemos a nossa maneira de ser.\u201d Dalila diz que os ciganos aprenderam a ser machistas com a sociedade ocidental e n\u00e3o com a sua cultura. Os ciganos n\u00e3o querem \u201cpossuir\u201d as mulheres (o machismo) mas respeit\u00e1-las. Dalila quer preservar a ess\u00eancia cigana, moldando-a aos novos tempos: come\u00e7ou por experimentar na sua pr\u00f3pria vida. Mudou o seu destino como mulher cigana, estudando, planeando e investindo no seu futuro para ser aut\u00f3noma e conseguiu ser escutada pelos \u00f3rg\u00e3os de poder da sua comunidade. Dalila rompeu com os esquemas do povo cigano, com o objectivo de os conservar. Em si parece uma contradi\u00e7\u00e3o, mas a vida est\u00e1 cheia delas.<br \/>\n* Jornalista que est\u00e1 a dar a volta ao mundo para estudar a situa\u00e7\u00e3o da mulher nos cinco continentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Col\u00f4mbia: As novas Ciganas (Anna Vi\u00f1as* (AV)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-938","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciganos-sao-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}