{"id":961,"date":"2011-07-21T09:25:00","date_gmt":"2011-07-21T09:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/2011\/07\/21\/editorial-caravana-no-61\/"},"modified":"2011-07-21T09:25:00","modified_gmt":"2011-07-21T09:25:00","slug":"editorial-caravana-no-61","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/onpciganos\/editorial-caravana-no-61\/","title":{"rendered":"EDITORIAL CARAVANA n\u00ba 61"},"content":{"rendered":"<p>Portugal considera-se a si mesmo um pa\u00eds tolerante, ber\u00e7o do di\u00e1logo entre os povos, pai da mesti\u00e7agem desde o in\u00edcio da expans\u00e3o portuguesa. Este orgulho de um pa\u00eds que se diz tolerante, manifesto no acolhimento do recente fen\u00f3meno imigrat\u00f3rio, cai por terra no confronto com a etnia cigana.<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nEDITORIAL CARAVANA n\u00ba 61<\/p>\n<p>Portugal considera-se a si mesmo um pa\u00eds tolerante, ber\u00e7o do di\u00e1logo entre os povos, pai da mesti\u00e7agem desde o in\u00edcio da expans\u00e3o portuguesa. Este orgulho de um pa\u00eds que se diz tolerante, manifesto no acolhimento do recente fen\u00f3meno imigrat\u00f3rio, cai por terra no confronto com a etnia cigana.<br \/>\nDeparamo-nos com um discurso racista e xen\u00f3fobo face aos ciganos, na maioria da popula\u00e7\u00e3o portuguesa n\u00e3o cigana e, mais dram\u00e1tico ainda \u00e9 ouvirmos este tipo de discurso na boca de representantes do poder local e mesmo em respons\u00e1veis da pr\u00f3pria Igreja, o qual \u00e9, muitas vezes, ultrapassado por ac\u00e7\u00f5es racistas e xen\u00f3fobas lament\u00e1veis.<br \/>\nUsando uma express\u00e3o popular portuguesa, podemos dizer que a quest\u00e3o dos ciganos \u00e9 como \u201cuma pescadinha de rabo na boca\u201d: acusamo-los de serem pobres por n\u00e3o quererem trabalhar, mas a eles ningu\u00e9m d\u00e1 emprego pelo facto de serem ciganos e, por isso, se t\u00eam necessidade de recorrer a subs\u00eddios do Estado, logo os acusamos de viverem \u00e0 custa dos nossos impostos. Se vivem em barracas, em terrenos que estavam abandonados h\u00e1 dezenas de anos, logo se procura desaloj\u00e1-los, com justifica\u00e7\u00e3o de interesses privados ou p\u00fablicos dos terrenos, destruindo-lhes os poucos bens e o que lhes resta de dignidade, mas, passados anos, os terrenos continuam abandonados, exibindo as ru\u00ednas das barracas que foram o lar de tantas fam\u00edlias e crian\u00e7as.<br \/>\nSe s\u00e3o realojados em habita\u00e7\u00e3o social, logo surge a reac\u00e7\u00e3o contra, \u201cporque lhes d\u00e3o tudo, ao passo que o resto da popula\u00e7\u00e3o tem de comprar casa ou pagar renda; no entanto, se quiserem contrair um empr\u00e9stimo para comprar casa, ningu\u00e9m confia neles, porque s\u00e3o ciganos, ou se quiserem arrendar uma casa, surge sempre uma desculpa para n\u00e3o arrendar. Para al\u00e9m disto, deparamo-nos com a hipocrisia actual de querer obrigar os ciganos a concorrer \u00e0 habita\u00e7\u00e3o social em p\u00e9 de igualdade com a restante da popula\u00e7\u00e3o, quando a sociedade n\u00e3o os trata por igual e os discrimina.<br \/>\nN\u00e3o se pode pedir aos ciganos que se integrem numa sociedade que os rejeita. Felizmente j\u00e1 encontramos muitas fam\u00edlias ciganas plenamente integradas, mas tamb\u00e9m encontramos algumas que escondem a sua identidade cigana para poderem ser aceites, o que \u00e9 lament\u00e1vel pois contribui para o desaparecimento de uma cultura milenar que tamb\u00e9m contribuiu para modelar a cultura portuguesa.<br \/>\nApesar do contexto de crise que Portugal atravessa, \u00e9 chegada a altura de mudar a situa\u00e7\u00e3o e desmontar preconceitos contra os ciganos. Os respons\u00e1veis pelos destinos do pa\u00eds n\u00e3o podem esquecer nem colocar em segundo plano os graves problemas sociais relacionados com a pobreza, particularmente os relacionados com a comunidade cigana, pois, quer queiramos, quer n\u00e3o queiramos, os ciganos s\u00e3o t\u00e3o portugueses como qualquer outro portugu\u00eas, aqui nasceram e vivem em Portugal h\u00e1 quase tantos s\u00e9culos como os da nacionalidade portuguesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal considera-se a si mesmo um pa\u00eds tolerante, ber\u00e7o do di\u00e1logo entre os povos, pai da mesti\u00e7agem desde o in\u00edcio da expans\u00e3o portuguesa. 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