Sociedade: «Caminhada Pela Vida» realiza-se em dez cidades

Bispos, associação de motard’s, cristãos evangélicos e comunidade islâmica junta-se à iniciativa

Nascida em 2012, no contexto dos referendos sobre o aborto, a «Caminhada pela Vida» chega, este ano, a dez cidades portuguesas.

“São dez cidades, mas uma só Caminhada, porque somos um só povo, separados pela distância, mas unidos no amor à Vida”, explica José Maria Seabra Duque, Coordenador-Geral da Plataforma Caminhada pela Vida, em declarações citadas pelo portal virtual Religiolook.

No próximo dia 23 de outubro, a partir das 15h00, e quando se assinalam os dez anos da iniciativa, os participantes saiem à rua em Lisboa, Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Funchal, Guarda, Porto, Santarém e Viseu, após dois anos de interrupção por causa da pandemia Covid-19.

“Saímos à rua movidos pelo amor à Vida. Não a um conceito abstrato, mas à Vida concreta cuja beleza e dignidade encontramos todos os dias na maravilha da mãe que espera o nascimento do seu filho, na beleza da família unida à volta do seu bebé, na ternura e paciência com que os idosos recebem quem os visita, na dor da doença”, aponta o responsável.

José Maria Seabra Duque lamenta o modo como a “sociedade e o Estado abandonam aqueles que mais precisam, dando como única solução a morte higiénica”.

“Esta nova ameaça à vida [ndr: projeto de lei de duas deputadas não inscritas para que a interrupção voluntária da gravidez aconteça até às 16 semanas] por nascer torna claro que é urgente reacender a consciência de que a vida humana é sempre digna. A consciência de que a vida dentro da barriga da mãe tem a mesma dignidade que qualquer outra. Que a vida humana não depende do tamanho ou da saúde para ser protegida”, argumenta.

Também os bispos portugueses, através de D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa e D. Francisco Senra Coelho, arcebispo de Évora, apelaram já à participação no evento “em que a vida e defendida na sua integralidade, da conceção à morte natural”.

“Esta caminhada faz-se todos os dias, é um compromisso em que a vida é defendida na sua integralidade, da conceção à morte natural, mas fazendo-se todos os dias também é bom que aconteça de maneira mais manifesta, mais pública, nalguns dias”, diz D. Manuel Clemente numa mensagem publicada na página do Facebook da «Caminhada pela Vida».

Também D. Francisco Senra Coelho, arcebispo de Évora, apelou ontem à participação na iniciativa que chega, este ano, a Évora “Gostava muito que este ‘sim à vida’ fosse assumido na nossa cultura alentejana, de um modo aberto, total e ao mesmo tempo dinâmico.”

“Sei que no coração do alentejano e da alentejana, do nosso povo desta arquidiocese que vai também ao Ribatejo, Benavente e Coruche, está viva a dimensão da dignidade da vida. Não fosse um povo sofrido, um povo que sentiu muitas vezes a experiência menos vida pela opressão, pela injustiça, não fosse um povo lutador pela sua liberdade, que é expressão da vida”, completa o arcebispo.

A organização garantiu já a presença em Lisboa, Coimbra e Évora de membros portugueses da Christian Motorcyclists Association, uma associação de motards cristãos. Também as comunidades evangélicas e muçulmana, vão estar presentes num claro sinal da defesa da inviolabilidade da vida.

Educris|19.10.2021

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